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Déficit de R$ 61,7 bilhões em 2025: o que isso significa para o seu bolso e para o Brasil

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Déficit de R$ 61,7 bilhões em 2025: o que isso significa para o seu bolso e para o Brasil

Na última quinta‑feira (29), o Tesouro Nacional divulgou que o déficit primário do governo em 2025 chegou a R$ 61,7 bilhões. À primeira vista, parece um número assustador, mas entender como ele foi calculado e o que realmente está em jogo pode mudar a forma como vemos a situação fiscal do país.



O que é déficit primário?

Quando falamos de déficit primário, estamos falando da diferença entre as receitas (impostos, tributos, IOF, etc.) e as despesas do governo, **excluindo** os juros da dívida pública. Se a arrecadação não cobre os gastos, o resultado é negativo – o déficit. Quando a arrecadação supera os gastos, temos superávit primário.



Como chegamos a R$ 61,7 bilhões?

Em 2024, o déficit foi de R$ 42,9 bilhões. O salto para 2025 representa um aumento de 32 %. Essa piora ocorre apesar de uma elevação nas receitas: a receita total subiu R$ 90,8 bilhões (3,2 %) e a receita líquida avançou R$ 64,3 bilhões (2,8 %) em termos reais, graças a ajustes como o aumento do IOF, a exploração de recursos naturais e a redução de dividendos.

Meta fiscal: o que realmente importa?

O governo tinha como objetivo “zerar” o rombo das contas públicas, mas a regra do arcabouço fiscal permite uma variação de até 0,25 % do PIB – cerca de R$ 31 bilhões para mais ou para menos. Além disso, foram excluídos da conta alguns itens temporários e estratégicos, como:

  • R$ 41,15 bilhões em abatimento de precatórios;
  • R$ 2,83 bilhões de ressarcimentos a aposentados e pensionistas;
  • R$ 2,5 bilhões em despesas de defesa;
  • R$ 2,2 bilhões em gastos temporários de educação.

Com essas exclusões, o déficit poderia chegar a R$ 79,65 bilhões e ainda assim estar dentro da meta.



Por que isso importa para quem não trabalha no governo?

Você pode estar se perguntando: “E eu, cidadão, como sou afetado?” A resposta está nos efeitos colaterais de um déficit persistente:

  • Juros da dívida: Quanto maior o déficit, mais o governo precisa tomar emprestado, e isso eleva os juros que pagamos indiretamente, seja nos financiamentos ou nos cartões de crédito.
  • Pressão sobre serviços públicos: Se o governo precisar cortar gastos para conter o rombo, áreas como saúde, educação e segurança podem sentir o aperto.
  • Inflação: Em alguns casos, o Estado recorre à emissão de moeda para financiar o déficit, o que pode alimentar a inflação.

Entender esses mecanismos ajuda a perceber por que a discussão sobre déficit não é só papo de economistas, mas algo que pode mudar a qualidade de vida de todos.

O que o Tesouro espera para 2026?

Rogério Ceron, secretário do Tesouro, afirmou que a meta para 2026 é alcançar superávit primário, ainda que com as exclusões previstas. Ele fala em um superávit de cerca de 1 % do PIB, o que, segundo ele, “relativiza” as preocupações com a dívida pública. Em números, 1 % do PIB brasileiro equivale a aproximadamente R$ 200 bilhões.

Se esse objetivo for atingido, o país ganha mais espaço para investir em infraestrutura, saúde e educação sem precisar recorrer a empréstimos caros. Mas a meta depende de fatores que fogem ao controle do governo, como a performance da economia global, a taxa de câmbio e a arrecadação de impostos.

Próximos passos: o que observar?

Para quem acompanha a política fiscal, alguns indicadores são essenciais nos próximos meses:

  1. Relatórios trimestrais do Tesouro: Eles trazem a evolução da receita e das despesas, permitindo comparar o caminho percorrido com a meta.
  2. Decisões do Congresso: Alterações nas leis de gastos, como limites para despesas de defesa ou educação, podem mudar o cálculo final.
  3. Política de juros do Banco Central: A taxa Selic influencia o custo da dívida pública e, consequentemente, o déficit.

Ficar de olho nesses pontos ajuda a entender se o governo está realmente no “caminho certo” ou se precisará fazer ajustes mais drásticos.

Conclusão: déficit não é o fim do mundo, mas exige atenção

Um déficit primário de R$ 61,7 bilhões não é, por si só, um desastre. O que importa é o contexto: as exclusões previstas, a tolerância da meta fiscal e a estratégia de longo prazo para alcançar superávit. Para o cidadão comum, o impacto se traduz em possíveis alterações nos serviços públicos e no custo do crédito.

Portanto, ao ler manchetes sobre “rombo nas contas”, vale a pena aprofundar: qual a composição desse déficit? Quais são as exceções? E, principalmente, qual a estratégia do governo para equilibrar as contas sem sacrificar áreas essenciais?

Se você acompanha de perto as finanças públicas, continue acompanhando os relatórios do Tesouro e as discussões no Congresso. Se não, basta entender que o déficit pode, em algum momento, chegar ao seu bolso, seja através de juros mais altos ou de cortes em serviços. Informação é a melhor ferramenta para se preparar.