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Crise dos chips de RAM: Por que seu próximo celular pode custar mais e o que fazer agora

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Crise dos chips de RAM: Por que seu próximo celular pode custar mais e o que fazer agora

Se você já percebeu que o preço dos eletrônicos parece estar subindo a cada mês, não está imaginando. A culpa, em grande parte, é da crise global de chips de memória RAM, um problema que vem se arrastando e que a própria Samsung já declarou como “inevitável” para os preços de celulares, TVs e até carros. Neste post, eu vou explicar de forma simples o que está acontecendo, como isso afeta o seu bolso e, principalmente, o que você pode fazer para se proteger dessa alta.



O que é a memória RAM e por que ela é tão importante?

RAM (Random Access Memory) é a memória de curto prazo dos nossos dispositivos. Quando você abre um app, joga um videogame ou simplesmente navega na internet, as informações que o aparelho precisa usar imediatamente são armazenadas na RAM. Quando o dispositivo desliga, esses dados desaparecem.

Quanto mais RAM um aparelho tem, mais tarefas ele consegue executar ao mesmo tempo sem travar. Por exemplo, um smartphone com 12 GB de RAM roda vários apps simultaneamente com fluidez, enquanto um com 3 GB pode ficar lento ao abrir mais de um programa.

Por que a RAM está em falta?

A escassez tem duas causas principais:

  • Investimento massivo em IA: Fabricantes de chips estão focando em produzir memórias avançadas para data centers que alimentam inteligência artificial. Esses chips são mais lucrativos, então a produção das memórias “tradicionais”, como DDR4, foi reduzida.
  • Problemas de produção: A pandemia, questões logísticas e a alta demanda por componentes eletrônicos criaram gargalos nas fábricas.

Segundo Paulo Vizaco, da Kingston, a prioridade nas linhas de produção mudou, deixando os estoques de RAM tradicional bem baixos.



Como isso se traduz no preço dos nossos gadgets?

Com menos unidades disponíveis, duas coisas acontecem:

  1. Empresas podem lançar produtos com menos memória para reduzir custos.
  2. Os preços das memórias que ainda são produzidas sobem muito.

Um exemplo real: a memória DDR4 de 16 GB da linha Corsair Vengeance RGB Pro, que custava R$ 650 em novembro, passou para R$ 1.599 em dezembro – um aumento de quase 150 %.

No Brasil, a situação piora ainda mais por causa do câmbio, impostos e custos de logística, como explica o professor Márcio Andrey Teixeira, do IFSP.

O que esperar nos próximos anos?

Especialistas apontam que a crise pode durar até o fim de 2027. A SK Hynix, grande fabricante sul-coreana, já avisou que a escassez pode se estender até lá. Isso significa que, até 2026, os consumidores podem ver:

  • Celulares com menos GB de RAM sendo vendidos pelos mesmos preços de antes.
  • Notebooks e TVs premium com etiquetas de preço ainda mais altas.
  • Carros elétricos e híbridos, que também usam RAM para sistemas de infotainment, ficando mais caros.

O diretor da Dell no Brasil, Mauricio Helfer, alertou que setores de tecnologia e automotivo são os mais vulneráveis.



O que eu, como consumidor, posso fazer?

Não dá para impedir a crise, mas dá para minimizar o impacto no seu bolso:

  • Planeje a compra: Se estiver pensando em trocar de celular ou notebook, tente antecipar a compra para antes de 2026, quando os preços ainda podem estar mais estáveis.
  • Opte por modelos com menos RAM: Avalie se você realmente precisa de 12 GB ou 16 GB de memória. Muitos usuários utilizam apenas 4 GB ou 6 GB no dia a dia.
  • Compre em promoções internacionais: Algumas lojas online oferecem preços competitivos, mas lembre‑se de considerar impostos de importação.
  • Fique de olho nas novidades de fabricantes: A Samsung, por exemplo, está trabalhando em estratégias de longo prazo com parceiros para reduzir o efeito da crise. Isso pode gerar lançamentos com melhor custo‑benefício.

Outra dica importante é acompanhar sites de comparação de preços, como o Zoom, que já mostrou a disparada da RAM nos últimos dias.

Visão de futuro: IA e o novo cenário de produção

A inteligência artificial não é apenas a vilã da história. Ela também pode abrir oportunidades. À medida que mais data centers forem construídos, a demanda por chips avançados continuará alta, mas isso pode estimular investimentos em novas fábricas de memória tradicional, aliviando a escassez a longo prazo.

Enquanto isso, a indústria tem buscado alternativas, como o desenvolvimento de memórias DDR5, que prometem maior eficiência e menor consumo energético. Se esses novos chips entrarem em produção em massa, a pressão sobre a DDR4 pode diminuir, trazendo algum alívio para os preços.

Em resumo, a crise dos chips de RAM é um reflexo da revolução que a IA está trazendo ao mundo da tecnologia. Para nós, consumidores, isso significa ficar mais atento ao momento da compra, avaliar realmente a necessidade de memória e aproveitar as estratégias que as próprias fabricantes estão desenvolvendo para contornar o problema.

E você, já sentiu o peso desse aumento no seu próximo upgrade? Compartilhe nos comentários como está lidando com essa situação!