Se você já ficou de olho na conta de luz esperando que a bandeira mude, vai gostar da notícia que chegou esta terça‑feira (23). A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) acabou de anunciar que, a partir de janeiro de 2026, a bandeira tarifária volta ao patamar verde. Na prática, isso quer dizer que, no primeiro mês do próximo ano, não haverá nenhum custo extra na sua conta de energia.
Mas o que é essa tal de bandeira tarifária?
Antes de mergulharmos nos impactos da mudança, vale explicar rapidinho como funciona o sistema de cores da Aneel. Ele foi criado para sinalizar, de forma simples, as condições de geração de energia no país. Cada cor corresponde a um custo adicional que pode aparecer na sua fatura:
- Verde – tudo tranquilo, sem custo extra.
- Amarela – condições menos favoráveis; R$ 1,88 a cada 100 kWh.
- Vermelha patamar 1 – situação desfavorável; R$ 4,46 a cada 100 kWh.
- Vermelha patamar 2 – muito ruim; R$ 7,87 a cada 100 kWh.
Como chegamos à bandeira verde?
Nos últimos meses, a situação foi bem diferente. Em novembro, por exemplo, a bandeira foi vermelha patamar 1, o que gerou um acréscimo de R$ 4,46 por cada 100 kWh consumidos. Em dezembro, a cor mudou para amarela, reduzindo o extra para R$ 1,88 por 100 kWh. Essa variação acontece porque a geração de energia depende muito do volume de chuvas e, consequentemente, do nível dos reservatórios das hidrelétricas.
A explicação oficial da Aneel para a nova bandeira verde foi bem direta: “Nesse período chuvoso estamos com chuvas abaixo da média histórica, porém, em novembro e dezembro houve, de modo geral, manutenção do volume de chuvas e dos níveis dos reservatórios. Em janeiro de 2026 não será necessário despachar as usinas termelétricas na mesma quantidade do mês anterior, o que evita a cobrança de custos adicionais na conta de energia do consumidor”.
Por que isso importa para o seu bolso?
Se a sua conta de luz costuma ficar acima de R$ 200, o custo extra de uma bandeira amarela (R$ 1,88 por 100 kWh) pode representar até R$ 10 a mais por mês, dependendo do seu consumo. Já a vermelha patamar 1 pode acrescentar quase R$ 25. Portanto, a volta ao verde elimina esses valores adicionais – um alívio imediato, especialmente para quem tem orçamento apertado.
Além do impacto direto na fatura, a bandeira verde também traz um efeito psicológico: a sensação de que a energia está mais barata pode incentivar um consumo mais consciente, já que a gente tende a usar mais quando acha que está pagando menos.
Histórico das bandeiras: um panorama rápido
Desde que o sistema de bandeiras foi criado, a cor verde tem sido a mais frequente, mas não é incomum ver períodos de amarelo ou vermelho. Entre 2019 e 2022, por exemplo, o Brasil enfrentou uma série de secas que levaram a bandeiras de escassez hídrica (amarela) e, em alguns casos, vermelhas. Em 2023, a bandeira verde dominou grande parte do ano, mas a variação climática sempre deixa a porta aberta para mudanças.
Vale lembrar que a última vez que a bandeira amarela foi acionada em dezembro foi em 2019. Entre setembro de 2021 e abril de 2022, o país viveu um período de escassez hídrica, que trouxe bandeiras amarelas por vários meses consecutivos.
O que você pode fazer para economizar, mesmo com a bandeira verde?
Mesmo que a energia esteja barata, ainda faz sentido adotar boas práticas de consumo. Aqui vão algumas dicas simples que eu costumo usar em casa:
- Desligue aparelhos em stand‑by: TVs, carregadores e videogames consomem energia mesmo quando não estão em uso.
- Aproveite a luz natural: Abra as cortinas durante o dia e reduza a necessidade de iluminação artificial.
- Use lâmpadas LED: Elas consomem até 80% menos energia que as incandescentes.
- Otimize o uso de eletrodomésticos: Lave roupas e louças com carga completa e prefira ciclos econômicos.
- Invista em energia solar: Se você tem espaço no telhado, a geração própria pode reduzir ainda mais a conta.
O futuro da energia no Brasil
O anúncio da bandeira verde para janeiro de 2026 também nos faz pensar no que vem pela frente. O Brasil tem um potencial enorme de energia renovável – hidrelétrica, eólica e solar – e a tendência é que, com investimentos corretos, a dependência de usinas termelétricas (que são as caras) diminua ainda mais.
Entretanto, a variabilidade climática continua sendo um desafio. Secas mais intensas, mudanças nos padrões de chuva e o aumento da demanda por eletricidade (especialmente com a popularização de veículos elétricos) podem fazer a bandeira mudar rapidamente.
Por isso, a Aneel reforça a importância da conscientização e do uso responsável da energia elétrica, mesmo em períodos favoráveis. Cada kWh economizado ajuda a preservar recursos naturais, diminui a necessidade de acionamento de usinas termelétricas e contribui para a sustentabilidade do setor.
Resumo rápido
- Janeiro de 2026 terá bandeira verde: sem custo extra.
- Última bandeira amarela em dezembro foi em 2019.
- Custos das bandeiras: verde (R$ 0), amarela (R$ 1,88/100 kWh), vermelha 1 (R$ 4,46/100 kWh), vermelha 2 (R$ 7,87/100 kWh).
- Dicas para economizar: desligar stand‑by, usar LED, aproveitar luz natural, otimizar eletrodomésticos e considerar energia solar.
Ficar de olho nas bandeiras é útil, mas não é a única forma de controlar a conta de luz. Combine a atenção às cores com hábitos mais conscientes e, quem sabe, você ainda consegue economizar ainda mais, independentemente da cor que a Aneel escolher.
E você, já percebeu a diferença na sua conta quando a bandeira mudou? Compartilhe nos comentários a sua experiência – a gente aprende muito trocando essas histórias!



