Se você já sonhou em representar o Brasil embaixadas ao redor do mundo, a oportunidade acabou de chegar. Nesta quarta‑feira (4), às 10h, o Itamaraty abriu as inscrições para o novo Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), com 60 vagas e salário inicial de R$ 22.558,56. O número de vagas pode parecer pequeno, mas o que está em jogo é a chance de entrar numa das carreiras públicas mais prestigiadas e, ao mesmo tempo, mais exigentes do país.
O concurso é organizado pelo Instituto Rio Branco (IRBr) em parceria com o Cebraspe. As inscrições vão até 25 de fevereiro, às 18h, e a taxa de inscrição é de R$ 229 – com isenção para doadores de medula óssea e inscritos no CadÚnico. Se você se enquadra em algum desses grupos, vale a pena solicitar a isenção.
Mas antes de sair correndo para o site, vamos entender por que esse concurso merece sua atenção, como funciona cada fase e quais estratégias podem fazer a diferença entre ser mais um candidato e garantir a tão sonhada vaga.
Por que o CACD ainda é o “ponto de encontro” dos melhores talentos?
O salário inicial de R$ 22.558,56 já coloca o diplomata entre os servidores públicos melhor remunerados. Além do aspecto financeiro, a carreira oferece:
- Mobilidade internacional: missões em embaixadas, consulados e organismos multilaterais.
- Impacto real: negociação de acordos comerciais, culturais e de segurança que afetam a vida de milhões de brasileiros.
- Desenvolvimento contínuo: cursos de aperfeiçoamento no Instituto Rio Branco e em universidades estrangeiras.
E, claro, a possibilidade de ascender até o cargo de embaixador, que representa o ápice da diplomacia brasileira.
Como está estruturado o processo seletivo?
O concurso tem duas fases principais, cada uma com características bem distintas.
1ª fase – Prova objetiva
Data: 29 de março (manhã e tarde).
Formato: 240 questões de “certo ou errado”.
Disciplinas:
- Língua portuguesa
- História do Brasil
- História mundial
- Geografia
- Língua inglesa
- Política internacional
- Economia
- Direito
Cada acerto vale 1 ponto; cada erro, -0,25 ponto. A nota mínima para avançar é 120 pontos.
2ª fase – Provas escritas
Serão quatro fins de semana entre 25 de abril e 3 de maio. As provas são eliminatórias e classificatórias, divididas entre:
- Língua portuguesa (redação + resumo)
- Língua inglesa (redação + tradução)
- História do Brasil
- Política internacional
- Geografia
- Economia
- Direito
- Língua espanhola ou francesa (escolha no ato da inscrição)
Para ser aprovado, o candidato deve somar no mínimo 480 pontos.
Quotas e diversidade: o que muda no edital?
O concurso traz, desta vez, um reforço nas políticas de inclusão:
- 15 vagas reservadas a pretos e pardos
- 3 vagas para pessoas com deficiência
- 2 vagas para indígenas
- 1 vaga para quilombolas
- Convocação adicional de 126 mulheres para a segunda fase, visando equilibrar a participação de gênero
Essas cotas não só ampliam o acesso, como também enriquecem a representatividade do Brasil nas relações internacionais.
Como se preparar de forma eficiente?
O CACD costuma exigir de dois a três anos de preparação. Aqui vão algumas dicas práticas que eu costumo recomendar a quem está na jornada:
- Monte um cronograma realista: divida as disciplinas ao longo da semana, reservando blocos de estudo para as duas línguas estrangeiras.
- Faça simulados regularmente: eles ajudam a calibrar o ritmo das questões objetivas e a identificar pontos fracos.
- Invista em um curso preparatório: professores experientes, como o Jean Marcel Fernandes, costumam oferecer materiais atualizados e estratégias de prova.
- Leia fontes internacionais: jornais como The Economist, Foreign Affairs e publicações da ONU ajudam a se familiarizar com a política internacional.
- Treine redações extensas: as provas exigem textos de 65 a 70 linhas; pratique a estrutura de introdução, desenvolvimento e conclusão.
Se você tem um emprego ou está estudando, tente reservar ao menos duas horas diárias para o estudo. A constância supera a maratona de última hora.
O que acontece depois da aprovação?
O candidato aprovado ingressa como terceiro‑secretário e é matriculado em um curso de formação no Instituto Rio Branco. Durante o programa, você estudará diplomacia prática, negociação e protocolos internacionais. Ao longo da carreira, as promoções seguem um caminho bem definido: terceiro‑secretário → primeiro‑secretário → conselheiro → ministro‑cônsul → embaixador.
Além da progressão hierárquica, há a possibilidade de especializações em áreas como comércio exterior, direitos humanos ou meio ambiente – campos que estão em alta demanda nas agendas globais.
Vale a pena encarar esse desafio?
Se você tem interesse por relações internacionais, gosta de desafios intelectuais e não se intimida com a carga de estudo, o CACD pode ser a porta de entrada para uma vida profissional única. O salário, os benefícios (auxílio‑moradia, assistência‑saúde, previdência) e a chance de viver em diferentes países são atrativos difíceis de ignorar.
Por outro lado, a preparação demanda disciplina, paciência e, muitas vezes, investimento financeiro em cursos e materiais. Avalie seu contexto pessoal, mas lembre‑se: quem se dedica com foco costuma colher resultados surpreendentes.
Então, se você está pronto para transformar seu sonho em realidade, a primeira ação é simples: acesse o site do Cebraspe, leia o edital completo e faça sua inscrição antes do prazo. Boa sorte, e que a diplomacia esteja ao seu favor!



