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Como se proteger dos golpes ligados ao ressarcimento do FGC no caso Master

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Como se proteger dos golpes ligados ao ressarcimento do FGC no caso Master

Se você tem dinheiro investido em CDBs, LCIs ou LCs do Banco Master, provavelmente já ouviu falar das recentes liquidações do banco e do seu braço digital, o Will Bank. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a liberar os recursos para cerca de 800 mil credores, totalizando mais de R$ 40 bilhões. Essa notícia trouxe alívio, mas também despertou uma enxurrada de golpes que usam o nome do FGC para enganar investidores.



Eu mesmo já recebi um e‑mail que parecia ser do FGC, com um link para um “app oficial” que prometia acelerar o pagamento. O texto era bem parecido com o comunicado das entidades financeiras, mas ao clicar percebi que o endereço era estranho, cheio de números e sem o https. Foi aí que lembrei das orientações do próprio FGC: nunca clicar em links desconhecidos e sempre baixar o aplicativo direto da Google Play ou da Apple Store.



O que realmente é o FGC?

Antes de entrar nos detalhes dos golpes, vale a pena entender o que o Fundo Garantidor de Créditos faz. Ele funciona como um seguro privado para depositantes e investidores. Se uma instituição financeira entra em intervenção ou liquidação, o FGC garante a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, incluindo o valor investido mais os rendimentos acumulados até a data da liquidação.

No caso do Banco Master, os investidores que tinham CDBs, RDBs, LCIs ou LCAs estão dentro da cobertura. O processo de ressarcimento segue alguns passos simples, mas que exigem atenção para não cair em armadilhas.

Passo a passo oficial para solicitar o ressarcimento

  • Baixe o aplicativo oficial do FGC (disponível na Google Play e na Apple Store).
  • Faça o cadastro informando nome completo, CPF e data de nascimento.
  • Aguarde a liberação da lista de credores pelo liquidante.
  • Solicite o pagamento da garantia, informe uma conta bancária de sua titularidade e valide a biometria.
  • Envie documentos adicionais, se solicitados.

Para pessoas jurídicas, o caminho é o Portal do Investidor, com envio de e‑mail contendo o passo a passo.

Os golpes mais comuns

As entidades do setor financeiro (ABBC, ABBI, etc.) já mapearam as principais táticas usadas pelos golpistas:

  • E‑mail ou mensagem falsa: simulam contato oficial do FGC, pedindo atualização de dados ou pagamento de taxa para liberar o valor.
  • Links e sites falsos: criam páginas que imitam o portal do FGC, mas coletam seus dados bancários.
  • Aplicativos não oficiais: oferecem “versões rápidas” do app do FGC, que na verdade são malware.
  • Solicitação de pagamentos antecipados: prometem liberar o dinheiro em 24 horas se você pagar uma taxa de “processamento”.

Um ponto que sempre me chama a atenção é o uso de linguagem urgente – “urgente, seu recurso está bloqueado”. Isso cria ansiedade e faz a gente agir sem pensar.

Como identificar um golpe

Algumas dicas práticas que costumo usar e que podem salvar seu dinheiro:

  • Verifique o remetente: e‑mails oficiais do FGC vêm de domínios @fgc.org.br.
  • Cheque o link: passe o mouse sobre o endereço sem clicar. Se não for “https://www.fgc.org.br”, desconfie.
  • Desconfie de taxas: o FGC nunca cobra para liberar recursos.
  • Use canais oficiais: telefone, e‑mail institucional ou o aplicativo oficial.

O que fazer se você suspeitar de um golpe

Se recebeu alguma comunicação suspeita, siga estes passos:

  1. Não clique em nenhum link nem forneça dados.
  2. Apague a mensagem e procure o contato oficial do FGC (telefone ou e‑mail).
  3. Denuncie a tentativa ao FGC ([email protected]) e à polícia, se necessário.
  4. Se já enviou dados, altere senhas imediatamente e avise seu banco.

Eu já ajudei alguns amigos a reconhecerem mensagens falsas e, ao seguir esses passos, evitamos prejuízos que poderiam chegar a milhares de reais.



Impactos para quem tem investimentos acima do teto

É importante lembrar que o FGC cobre até R$ 250 mil por CPF/CNPJ. Caso seu investimento ultrapasse esse valor, o excedente ficará à mercê do processo de liquidação do Banco Master, sem garantia de recebimento. Nesses casos, você se torna um credor quirografário, que tem prioridade menor na fila de pagamentos.

Se você está nessa situação, vale a pena conversar com um advogado especializado em direito bancário ou com a própria equipe de credores do banco, para entender as possibilidades de recuperação.

O que esperar nos próximos meses

Os pagamentos já começaram a ser liberados, e o prazo médio tem sido de 48 horas úteis após a validação dos dados. No entanto, o tempo total entre a decisão de liquidação e o recebimento pode variar entre 14 e 40 dias, dependendo da complexidade de cada caso.

Fique atento às comunicações oficiais do FGC e evite a tentação de “acelerar” o processo por meios não autorizados. A segurança dos seus dados e do seu dinheiro vale muito mais do que a ansiedade de receber o valor rapidamente.

Em resumo, o caso Master trouxe à tona a importância do FGC como mecanismo de proteção, mas também mostrou como golpistas se aproveitam de momentos de vulnerabilidade. Ao seguir as orientações acima, você diminui drasticamente o risco de cair em armadilhas e garante que o seu ressarcimento chegue de forma segura.