Chegou janeiro e, como de costume, as contas parecem surgir do nada: IPTU, IPVA, matrícula escolar, seguros e aquela fatura do cartão que você nem lembrava de ter. Depois de um fim de ano cheio de festas, 13º salário e presentes, o bolso costuma ficar apertado. Mas não precisa ser assim. Se você quiser entrar em 2026 com tranquilidade e sem dívidas, basta seguir alguns passos simples que separei a partir das dicas de economistas e planejadores financeiros.
1. Use o dinheiro que chegou com inteligência
Se ainda tem parte do 13º salário, PLR ou abono salarial na conta, a primeira coisa a fazer é dividir esse valor em três partes:
- Metade para dívidas e impostos: pagar o que está atrasado ou reservar para IPTU, IPVA e outras obrigações.
- Um terço para consumo consciente: compras essenciais, alimentação e pequenos prazeres.
- O restante para lazer ou poupança: um fundo de emergência ou aquele plano de viagem que você sonha.
O economista Caio Bartine recomenda essa divisão porque ajuda a evitar que o dinheiro “desapareça” nas despesas do dia a dia. Quando você sabe exatamente onde cada centavo vai, o risco de surpresas desagradáveis diminui bastante.
2. Planeje o pagamento de IPTU e IPVA
Esses tributos costumam chegar logo nos primeiros dias do ano e, se pagos à vista, dão descontos que variam de 3 % a 10 %, dependendo do município ou estado. Se a sua reserva financeira permite, aproveite o desconto – é dinheiro que volta para o seu bolso.
Mas se o orçamento está apertado, parcelar também é uma opção, desde que você pague as parcelas em dia. O atraso gera juros, multas e, no caso do IPVA, pode até bloquear o veículo.
Organizar esses pagamentos não é só questão de economia, mas também de cidadania fiscal. Quando você paga em dia, pode destinar parte do imposto a projetos sociais, transformando obrigação em impacto positivo.
3. Priorize as dívidas: o que pagar primeiro?
Se você tem dívidas, a ordem de pagamento faz toda a diferença. Bartine separa as pendências em três categorias:
- Essenciais: aluguel, condomínio, contas de energia, água, gás, internet e impostos sobre propriedade.
- Com garantia real: financiamento de veículos e empréstimos com garantia.
- Sem garantia: cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.
Para as dívidas sem garantia, a recomendação é buscar renegociação ao invés de quitá‑las imediatamente, pois os juros costumam ser mais altos. Muitos bancos oferecem feirões de negociação no início do ano, com reduções de juros que podem chegar a 90 %.
A Lei do Superendividamento (2021) também protege quem está em situação crítica, garantindo que despesas essenciais sejam preservadas e que o pagamento das dívidas seja feito em parcelas que cabem no orçamento.
4. Evite novos endividamentos
Um dos maiores vilões das finanças pessoais é o gasto impulsivo. O planejador Carlos Castro sugere dividir o orçamento em três blocos, baseados em dados do IBGE:
- 50 % da renda para despesas essenciais.
- 30 % para despesas sociais – lazer, presentes, viagens.
- 20 % para projetos de vida – reserva de emergência, investimentos, metas de longo prazo.
Se você perceber que está gastando mais que 30 % em itens não essenciais, é hora de rever os hábitos.
5. Controle emocional e estabeleça metas realistas
Mais de 90 % das decisões financeiras são emocionais, segundo Castro. Por isso, ao registrar seus gastos, anote também o motivo da compra. Isso ajuda a identificar gatilhos – como “comprar para se sentir bem” – e a criar estratégias de autocontrole.
Transforme desejos em números. Quer viajar? Pesquise o custo total, inclua passagens, hospedagem e alimentação, e estabeleça um prazo para juntar o valor. Quer comprar um imóvel? Defina o valor da entrada, as parcelas mensais e o tempo que pretende pagar.
Metas claras evitam que o sonho fique apenas no papel e dão direção ao seu planejamento.
6. Monte sua reserva de emergência
Especialistas recomendam ter de três a seis meses de despesas básicas guardados em um fundo de fácil acesso. Essa reserva funciona como um colchão contra imprevistos – desemprego, problemas de saúde, ou até um reparo inesperado no carro.
Se ainda não tem essa reserva, comece pequeno: destine 5 % da sua renda mensal para esse objetivo até atingir o valor desejado.
7. Invista em educação financeira
Conhecimento é a base de qualquer boa decisão. O Banco Central oferece cursos gratuitos e rápidos que ajudam a entender conceitos como taxa de juros, orçamento doméstico e investimentos. Dedicar algumas horas por mês a esses estudos pode render muito mais do que economizar alguns reais aqui e ali.
Com essas estratégias, você entra em 2026 com o pé direito, reduzindo o estresse das contas e criando espaço para realizar projetos pessoais. Lembre‑se: organização financeira não é um evento único, mas um hábito que se constrói ao longo do tempo. Comece hoje, ajuste o que for preciso e veja a diferença no seu bolso.



