Se você já sonhou em trabalhar nas alturas, servindo passageiros e viajando pelo mundo, a profissão de comissário de bordo pode ser a sua pista de decolagem. Recentemente, a comissária argentina Victoria Capano viralizou ao revelar o que ganha na Emirates, despertando a curiosidade de muitos brasileiros. Mas como funciona a carreira aqui, quais são os salários, os benefícios e os desafios? Vamos destrinchar tudo de forma prática, para que você saiba se esse voo é o seu destino.
Requisitos básicos para entrar na cabine
Antes de pensar no salário, é preciso cumprir alguns requisitos mandatórios. A ANAC estabelece critérios claros: ter no mínimo 18 anos, ensino médio completo, estar em dia com a justiça eleitoral e, para os homens, as obrigações militares. Além disso, é imprescindível saber ler, escrever e falar português fluentemente, possuir o Certificado Médico Aeronáutico (CMA) de segunda classe e concluir o treinamento inicial aprovado pela ANAC, que inclui ao menos 5 horas de voo supervisionado.
Desde janeiro de 2024, a licença de comissário não exige mais que o curso seja feito em escola de aviação nem que o exame teórico seja aprovado, mas a maioria das companhias ainda demanda essa formação. Por isso, vale investir no curso completo, que costuma durar de três a cinco meses e custar entre R$ 2 mil e R$ 7 mil, dependendo da instituição.
Idiomas e habilidades que dão um up no currículo
Dominar inglês ou espanhol abre muitas portas, principalmente em companhias que operam rotas internacionais. A Gol, por exemplo, exige conhecimento intermediário desses idiomas. A Azul aceita como diferencial, enquanto a Latam pede experiência prévia em atendimento ao cliente. Outra habilidade que tem ganhado destaque é o domínio da Libras, refletindo a crescente preocupação com a acessibilidade a bordo.
Salário inicial e benefícios no Brasil
De acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho 2024/2025 do SNA, o piso salarial de um comissário recém‑contratado é de R$ 2.694,79. Algumas empresas pagam um pouco mais: a Latam oferece R$ 2.874,52, a Gol R$ 2.806,39, enquanto a Azul ainda não tem um piso definido. Além do salário‑base, há adicionais por hora de voo, compensação orgânica, vale‑alimentação, sobreaviso e remuneração por tempo em solo.
Quando somamos diárias, passagens com desconto, plano de saúde, seguro de vida e outros benefícios, a remuneração total costuma ficar entre R$ 4 mil e R$ 6 mil. Em companhias internacionais como Emirates ou Qatar Airways, o pacote pode chegar a US$ 2.500‑3.500 (cerca de R$ 15 mil‑21 mil), já com moradia e transporte incluídos.
Rotina de trabalho: escalas, horas de voo e folgas
A Lei do Aeronauta (13.475/2017) regula a jornada. A escala deve ser divulgada com pelo menos cinco dias de antecedência e garantir, no mínimo, 10 folgas mensais de 24 horas, incluindo dois fins de semana consecutivos. As jornadas diárias variam de 9 a 18 horas, dependendo da operação, e o limite de horas de voo mensal vai de 80 a 100 horas, conforme o tipo de aeronave.
Na prática, o comissário costuma trabalhar em ciclos de seis voos por mês, retornando à base entre os blocos e aproveitando as folgas previstas. Esse ritmo busca equilibrar a fadiga humana e manter a segurança, um ponto que a ANAC monitora de perto.
Desafios do dia a dia
O glamour das viagens muitas vezes encobre a realidade de horários irregulares, longas ausências da família e a necessidade de manter a calma diante de situações de emergência. Turbulência, incidentes médicos ou passageiros indisciplinados exigem decisões rápidas e treinamento constante em primeiros socorros e procedimentos de segurança.
Além disso, a pressão para oferecer um atendimento impecável, mesmo quando se está cansado, pode ser desgastante. Por outro lado, a oportunidade de conhecer culturas diferentes, desenvolver habilidades interpessoais e representar a companhia são recompensas que muitos consideram únicas.
Perspectivas de crescimento
Começando como comissário auxiliar, o profissional pode avançar para Chefe de Cabine, Instrutor ou Examinador Credenciado – este último requer formação adicional e aprovação da ANAC. O caminho pode ser vertical, assumindo cargos de liderança, ou horizontal, migrando para áreas de solo, como operações ou segurança.
Investir em cursos de liderança, aprender novos idiomas e acumular experiência em rotas internacionais são estratégias que aceleram a progressão. Muitas companhias também oferecem programas de treinamento interno que preparam o colaborador para funções de gestão de equipe.
Conselhos para quem quer embarcar nessa carreira
Se o seu objetivo é voar, comece preparando o currículo com foco em atendimento ao cliente, cursos de idiomas e, se possível, certificação em Libras. Procure escolas de aviação reconhecidas pela ANAC, faça o curso completo e esteja pronto para os testes práticos. Mantenha a documentação em dia e demonstre disponibilidade para trabalhar em escalas flexíveis.
Acima de tudo, tenha vocação para servir. Como dizem os gerentes da LATAM e da Azul, o diferencial está no coração: um atendimento genuíno faz toda a diferença. Com dedicação, atualização constante e amor pela aviação, você pode transformar o sonho de voar em uma carreira sólida e gratificante.



