Janeiro chegou e, junto com ele, a temida avalanche de contas que costuma pegar todo mundo de surpresa. Depois das festas, do 13º salário, das viagens e dos presentes, o bolso costuma sentir o peso de impostos, matrículas e outras despesas que surgem nos primeiros dias do ano. Não é coincidência: especialistas chamam esse período de “trimestre crítico” para as finanças pessoais.
1. Use o dinheiro que chegou com inteligência
Se ainda tem parte do 13º, PLR, abono salarial ou algum bônus, a primeira dica é dividir esse valor em três partes:
- Metade para quitar dívidas ou reservar para impostos (IPTU, IPVA etc.);
- Um quarto para consumo imediato – aquela compra que você já planejou, como um eletrodoméstico ou uma roupa;
- O restante para lazer ou poupança, construindo um pequeno colchão para emergências.
Como explica o economista Caio Bartine, conhecer o custo real do seu padrão de vida é o ponto de partida. Se o dinheiro “some” nos cartões, no Pix ou nas carteiras digitais, você não tem como planejar.
2. Planeje IPTU e IPVA antes que eles venham
Esses tributos são inevitáveis, mas a forma como você paga pode fazer diferença no seu orçamento. Se tem reserva, aproveite os descontos para pagamento à vista – normalmente entre 3 % e 10 % – que variam de acordo com o município ou estado.
Quando o caixa está apertado, o parcelamento pode ser uma saída, mas nunca deixe de pagar nas datas corretas. Atrasos geram juros, multas e, no caso do IPVA, até o bloqueio do veículo.
Além de evitar dor de cabeça, pagar tributos em dia pode transformar obrigação em impacto positivo: parte dos recursos arrecadados pode ser destinada a projetos sociais, segundo Bartine.
3. Qual dívida pagar primeiro?
Se a sua lista de pendências está longa, siga a hierarquia sugerida por Bartine:
- Essenciais: aluguel, condomínio, financiamento imobiliário, contas de energia, água, gás, internet e impostos sobre propriedade;
- Com garantia real: financiamento de veículos, empréstimos com garantia e dívidas tributárias;
- Sem garantia: cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.
Para as dívidas sem garantia, a renegociação costuma ser mais vantajosa que a quitação imediata, porque os juros desses créditos são os mais altos. Aproveite os feirões de negociação que costumam acontecer no início do ano – é possível conseguir reduções de até 90 % nos juros.
A Lei do Superendividamento (2021) também pode ser uma ferramenta: ela protege quem tem dívidas que comprometem o essencial (moradia, alimentação, saúde) e permite a reorganização dos pagamentos em parcelas que cabem no orçamento.
4. Evite novas dívidas – controle os impulsos
O planejamento não serve de nada se você continuar gastando por impulso. O planejador Carlos Castro recomenda a regra 50/30/20, baseada em dados do IBGE:
- 50 % da renda para despesas essenciais;
- 30 % para despesas sociais – lazer, presentes, viagens;
- 20 % para projetos de vida – reserva de emergência, investimentos, poupança.
Se a sua conta não segue essa proporção, é hora de ajustar. Reduza limites de cartões, cancele aqueles que não usa e comece a guardar, ao menos, três a seis meses de despesas como reserva de emergência.
5. Controle emocional e metas realistas
Mais de 90 % das decisões financeiras são emocionais, lembra Castro. Por isso, ao registrar cada gasto, anote também o motivo da compra. Essa prática simples ajuda a identificar gatilhos – como compras após um dia estressante – e a criar estratégias de autocontrole.
Definir metas concretas é essencial. Em vez de dizer “vou viajar”, pergunte:
- Qual o destino?
- Quanto custa a passagem e a hospedagem?
- Quando pretendo ir?
Transforme o desejo em número e prazo. O mesmo vale para a compra de um imóvel: calcule a entrada, o valor das parcelas e o tempo que levará para pagar sem comprometer as despesas essenciais.
6. Educação financeira: seu melhor investimento
Não subestime o poder do conhecimento. O Banco Central oferece cursos gratuitos que ensinam a usar planilhas, aplicativos e a interpretar extratos. Dedicar algumas horas por mês a esses conteúdos pode evitar erros caros ao longo do ano.
Além dos cursos oficiais, há podcasts, canais no YouTube e blogs que trazem dicas práticas. Escolha fontes confiáveis e crie o hábito de aprender algo novo a cada semana.
Resumo rápido – Checklist para o trimestre crítico
- Divida o 13º/PLR em 3 partes (dívidas, consumo, reserva).
- Verifique datas de IPTU e IPVA; aproveite descontos ou planeje parcelamento.
- Priorize dívidas: essenciais → garantidas → sem garantia.
- Use a regra 50/30/20 para organizar a renda.
- Registre gastos com o motivo e ajuste gatilhos emocionais.
- Defina metas numéricas e prazos claros.
- Invista em educação financeira – cursos do BC, podcasts, blogs.
Seguindo essas etapas, você não só evita o caos financeiro nos primeiros meses de 2026, como também constrói uma base sólida para alcançar projetos maiores ao longo do ano. Lembre-se: organização não é sacrifício, é a ferramenta que transforma desejos em realidade.



