Se tem uma coisa que eu aprendi nos últimos anos, é que a criatividade dos golpistas não tem limites. Eles sabem exatamente o que mexe com a gente: medo, urgência, promessas de dinheiro fácil. E, com a ajuda da inteligência artificial, esses truques estão ficando cada vez mais convincentes. Por isso, resolvi reunir aqui os cinco golpes que os especialistas apontam como os mais perigosos para 2026 e, claro, dar dicas práticas para não cair na armadilha.
1. Golpes de recuperação – a segunda vítima
Já ouviu falar do clássico “recupere seu dinheiro”? A primeira vítima perde um valor e, desesperada, aceita a ajuda de um suposto especialista que cobra uma taxa. O que poucos sabem é que, depois de pagar, o golpista volta a aparecer, agora como um agente da polícia ou da defensoria, exigindo mais dinheiro para “liberar” o recurso. É um ciclo vicioso que pode esgotar tanto o bolso quanto a paciência.
Como evitar: Desconfie de qualquer cobrança antecipada. Se alguém lhe pedir pagamento via cartão‑presente, criptomoeda ou transferência bancária, desligue. Pesquise o nome da empresa no Google acrescentando termos como “golpe” ou “fraude”. E lembre‑se: órgãos oficiais nunca pedem dinheiro para liberar valores.
2. Prisão digital – o medo que paralisa
Imagine receber uma videochamada de um “policial” que mostra, com tecnologia deepfake, um documento judicial dizendo que você está sendo investigado. O golpista usa a intimidação para cobrar multas ou acordos, tudo em nome da suposta justiça. Esse método já tomou conta da Índia e está se espalhando nos EUA, e não há razão para que o Brasil fique de fora.
Como evitar: Primeiro, desligue o contato. A polícia nunca liga para cobrar multas, muito menos envia ordens judiciais por telefone ou mensagem. Se receber algo suspeito, procure a delegacia mais próxima ou acesse o site oficial da Polícia Federal. Não compartilhe dados pessoais nem faça pagamentos.
3. O clássico “Olá, pervertido” – chantagem digital
Esse golpe joga com a vergonha alheia. Você recebe um e‑mail alegando que alguém hackeou seu computador e gravou você visitando sites adultos. A ameaça? Divulgar tudo para sua família, amigos ou colegas de trabalho. A tática da urgência – “pague em 24 horas” – serve para colocar a vítima em estado de pânico.
Como evitar: Não abra anexos de remetentes desconhecidos. Apague a mensagem imediatamente e não responda. Se, por algum motivo, você realmente se sentir vulnerável, procure ajuda de um especialista em segurança digital; mas lembre‑se: a maioria dessas alegações é falsa.
4. Romance falso – o amor que custa caro
Os golpes de romance, ou catfishing, não são novidade, mas continuam evoluindo. Um perfil bonito, histórias comoventes e uma conexão rápida são a receita para ganhar a confiança da vítima. Quando a confiança está consolidada, o golpista pede dinheiro para uma emergência ou para investir em criptomoedas.
Como evitar: Mantenha a conversa dentro da plataforma de namoro. Se o “par” quiser migrar para WhatsApp ou outro aplicativo logo de cara, desconfie. Observe sinais de “love bombing” – demonstrações exageradas de afeto nos primeiros dias. Exija um encontro presencial ou, ao menos, uma videochamada com o rosto bem visível. Se a pessoa sempre foge de mostrar a cara, é um alerta vermelho.
5. Golpes de emprego – promessas que parecem boas demais
Com a crise econômica, a procura por vagas aumenta, e os golpistas aproveitam. Eles criam anúncios de trabalho irresistíveis, pedindo documentos pessoais ou, pior ainda, um pagamento para garantir a vaga. Algumas vezes, chegam a se passar por agências de recrutamento reconhecidas.
Como evitar: Nunca pague para conseguir um emprego. Verifique a existência da vaga no site oficial da empresa e procure o nome do recrutador no LinkedIn. Se algo parece “bom demais para ser verdade” – salário alto, poucas horas, trabalho remoto sem experiência – desconfie. Pesquise avaliações da empresa em sites como Reclame Aqui.
Por que a IA está mudando o jogo?
A inteligência artificial permite criar deepfakes de áudio e vídeo em questão de minutos, além de gerar textos que parecem ter sido escritos por humanos. Isso significa que, ao receber uma mensagem, pode ser muito difícil distinguir um agente real de um avatar gerado por IA. Por isso, a regra de ouro continua sendo: não confie apenas no que vê ou ouve, verifique sempre por fontes oficiais.
O que isso significa para o nosso dia a dia?
Se você acha que esses golpes são coisa de outras pessoas, pense novamente. A maioria das vítimas tem entre 30 e 65 anos, mas não há idade segura. O ponto comum é a vulnerabilidade emocional: medo de perder dinheiro, medo de ser preso, medo de ser exposto. Quando reconhecemos esses gatilhos, conseguimos criar uma barreira mental antes de agir impulsivamente.
Então, da próxima vez que receber uma mensagem dizendo que há um dinheiro esperando por você, respire fundo, procure informações e, se necessário, converse com alguém de confiança antes de tomar qualquer decisão. Prevenir é sempre mais barato (e menos doloroso) que remediar.
Fique atento, compartilhe essas dicas com amigos e familiares, e vamos juntos tornar o ambiente digital um lugar mais seguro para todos.



