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China e Canadá fecham acordo comercial: o que isso significa para o seu bolso e para a geopolítica

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China e Canadá fecham acordo comercial: o que isso significa para o seu bolso e para a geopolítica

Nos últimos dias, os noticiários têm falado muito sobre a nova parceria comercial entre China e Canadá. Se você ainda não sabe o que está acontecendo, eu também estava meio perdido. Por isso, resolvi juntar as informações, colocar um pouco de contexto e explicar como esse acordo pode impactar a gente aqui no Brasil.



## Por que a China se pronunciou agora?
A China, através do Ministério das Relações Exteriores, garantiu que os acordos com o Canadá não têm nenhum terceiro como alvo. Essa declaração chegou logo depois de Donald Trump ameaçar impor tarifas de 100 % sobre as importações canadenses nos EUA, caso o acordo fosse concluído. Em outras palavras, Pequim quer deixar claro que não está usando o Canadá como ponte para driblar as sanções americanas.



## O que mudou na prática?
– **Canola:** a China promete reduzir as tarifas sobre a semente de canola canadense, que atualmente chegam a 84 %. A meta é chegar a cerca de 15 % até o início de março.
– **Veículos elétricos:** o Canadá vai permitir a entrada de até 49 mil carros elétricos chineses com tarifa de 6,1 %, muito abaixo dos 100 % que o ex‑primeiro‑ministro Justin Trudeau impôs em 2024.
– **Produtos agrícolas e de pesca:** farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas deverão ter as tarifas antidiscriminatórias removidas ainda este ano.

Essas mudanças podem destravar até US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses. Para quem trabalha na cadeia de suprimentos, isso representa novas oportunidades de negócios e, possivelmente, preços mais competitivos nos mercados internacionais.



## Por que isso importa para o Brasil?
Você pode estar se perguntando: “Mas eu moro no Brasil, o que isso tem a ver comigo?” A resposta está na cadeia global de produção e consumo. Quando a China diminui tarifas sobre a canola canadense, o preço desse óleo pode cair nos mercados internacionais, inclusive nos que o Brasil exporta. Isso pode pressionar os produtores brasileiros a buscar mais eficiência ou até a diversificar suas culturas.

Além disso, a entrada de veículos elétricos chineses no Canadá pode acelerar a adoção de tecnologias verdes. O Brasil, que tem um grande potencial para produção de veículos elétricos, pode observar tendências de preço e tecnologia que influenciam as decisões de investimento aqui.

## Os riscos por trás da negociação
Não é só festa. Existem alguns pontos críticos que vale a pena observar:

1. **Dependência de um único fornecedor:** abrir as portas para milhares de carros elétricos chineses pode criar uma dependência tecnológica que, em caso de tensão política, pode ser usada como moeda de troca.
2. **Reação dos EUA:** apesar da aparente suavização da postura de Trump em relação ao acordo, o governo americano ainda pode rever as tarifas e pressionar o Canadá a alinhar suas políticas comerciais.
3. **Impacto nos produtores locais:** agricultores canadenses que antes tinham tarifas altas nos EUA podem enfrentar competição mais acirrada da China, o que pode levar a ajustes nos preços internos.

## Como o cenário pode evoluir?
Acredito que nos próximos dois a três anos veremos três possíveis caminhos:

– **Integração gradual:** o Canadá aumenta a cota de veículos elétricos chineses para 70 mil unidades, enquanto a China baixa ainda mais as tarifas agrícolas. Isso cria um fluxo constante de comércio e pode servir de modelo para outros acordos.
– **Retaliação dos EUA:** se Washington decidir impor novas sanções, o Canadá pode ser forçado a renegociar ou até suspender partes do acordo, gerando instabilidade nos mercados.
– **Ajustes internos:** tanto China quanto Canadá podem usar o acordo como alavanca para melhorar suas políticas internas – por exemplo, o Canadá pode investir mais em sua própria indústria de veículos elétricos, usando a parceria como aprendizado.

## O que você pode fazer agora?
Mesmo que você não seja agricultor ou executivo de comércio exterior, há algumas atitudes simples que podem ajudar a mitigar os efeitos de mudanças globais:

– **Diversifique seus investimentos:** se você tem aplicação em ações de setores sensíveis a tarifas (agro, energia, transportes), considere distribuir parte em outras áreas.
– **Fique atento às notícias:** mudanças nas tarifas de canola ou veículos elétricos costumam refletir em preços de alimentos e tecnologia aqui no Brasil.
– **Apoie políticas sustentáveis:** ao escolher produtos com menor pegada de carbono, você incentiva a demanda por veículos elétricos e práticas agrícolas mais verdes, alinhando-se às tendências globais.

## Conclusão
O acordo entre China e Canadá mostra como a geopolítica pode mudar rapidamente, especialmente quando grandes potências como os EUA entram na jogada. Para nós, brasileiros, isso significa ficar de olho nas cadeias de suprimentos, nos preços de commodities e nas oportunidades de negócios que surgem com a abertura de novos mercados.

A mensagem principal é: o mundo está mais interconectado do que nunca, e decisões tomadas em Pequim ou Ottawa podem chegar até a sua mesa de jantar. Por isso, vale a pena entender o que está acontecendo, acompanhar as notícias e, se possível, adaptar suas estratégias financeiras e de consumo.

E aí, o que você acha desse movimento? Vai ser mais um passo rumo a um comércio mais livre ou um risco de novas tensões? Deixe sua opinião nos comentários!