Quando a Chevrolet anunciou o retorno da Captiva, eu já estava imaginando um carro parecido com o que eu dirigia nos anos 2010 – um SUV robusto, mas ainda a combustão. O que apareceu nas ruas de Campos do Jordão (SP) foi bem diferente: um SUV 100% elétrico, nascido na China, com tecnologia de ponta e preço que bate de frente com o concorrente chinês BYD Yuan Plus.
Mas antes de mergulharmos nos detalhes, vale a pena lembrar como a Captiva original fez história. Na década de 2010, os SUVs ainda estavam ganhando espaço no Brasil, e a Captiva se destacou por oferecer um interior espaçoso e um design que agradava a famílias que precisavam de mais espaço sem abrir mão de um visual moderno.
Um visual que mistura o Oriente e o Ocidente
O exterior da nova Captiva EV tem a cara dos carros chineses que dominam o mercado asiático: linhas retas, iluminação diurna (DRL) bem destacada e faróis posicionados mais abaixo. O capô, sem necessidade de entrada de ar, tem um corte que lembra um “coração” aerodinâmico. Ainda assim, a Chevrolet manteve alguns toques de identidade – como o logo em uma peça plástica que remete à tradicional grade dos modelos a combustão.
Esses detalhes dão à Captiva uma presença que não parece simplesmente uma cópia de marcas como BYD, GWM ou Geely. Ela tem seu próprio tempero, equilibrando o design oriental com a familiaridade que os consumidores brasileiros reconhecem da Chevrolet.
Interior: tecnologia que fala mais alto que o motor
Se o exterior já chama atenção, o interior é onde a Captiva EV realmente se destaca. A central multimídia de 15,6 polegadas ocupa o centro do painel, substituindo quase todos os botões físicos. Essa tela, maior que a de muitos notebooks, traz uma experiência visual comparável a um monitor gamer.
O sistema de infotainment responde instantaneamente ao toque, algo que ainda falta em alguns concorrentes chineses, como o GWM Haval H6. As câmeras 360° criam um “planeta” digital ao redor do carro, facilitando manobras em vagas apertadas. A qualidade das imagens lembra a de smartphones premium.
O acabamento interno também merece elogios. Pouco plástico rígido, superfícies macias em diferentes tonalidades, detalhes que imitam metal e madeira – tudo isso eleva a sensação de conforto a um nível que nem o Equinox a combustão, que custa quase R$ 92 mil a mais, consegue alcançar.
Espaço interno e dimensões: mais que um SUV compacto
A nova Captiva cresceu quase 27 cm em comprimento e ganhou 10 cm de entre-eixos em relação à versão que saiu de linha em 2015. O porta‑malas passou de 383 L para 403 L, e o espaço para as pernas dos passageiros dianteiros e traseiros melhorou consideravelmente. Mesmo sendo projetada para cinco ocupantes, a sensação de espaço lembra veículos de sete lugares, como o Jeep Commander ou o Toyota SW4.
Essa ampliação foi possível graças ao conjunto elétrico, que ocupa menos espaço que um motor a combustão. O resultado: um SUV que parece menor que o Commander, mas oferece muito mais conforto interno.
Desempenho e autonomia: o que esperar no dia a dia
Com potência semelhante ao BYD Yuan Plus, a Captiva EV entrega 0‑100 km/h em 9,9 s e velocidade máxima de 150 km/h. Não é um carro esportivo, mas é mais que suficiente para a maioria das rotinas urbanas e viagens em família.
A autonomia oficial é de 304 km com uma única carga. Para quem costuma percorrer distâncias maiores, isso pode ser um ponto de atenção, mas a Chevrolet já sinalizou que tecnologias como a arquitetura Ultium podem ampliar esse número em futuros modelos.
Preço: a grande sacada da Chevrolet
Um dos maiores atrativos da Captiva EV é o preço: R$ 199.990, cerca de R$ 35 mil a menos que o BYD Yuan Plus, que custa R$ 235.990. Essa diferença de custo coloca a Chevrolet em vantagem competitiva, principalmente para quem já conhece a marca e busca um SUV elétrico sem pagar o preço de um BMW ou Mercedes‑Benz.
Entretanto, o preço ainda pode mudar ao longo do tempo, como aconteceu com o Chevrolet Spark EV, que acabou ficando mais caro que seu rival chinês. Por isso, vale ficar de olho nas promoções e nos planos de financiamento que a montadora pode oferecer.
Infraestrutura de recarga: onde a Captiva se encaixa?
O Brasil ainda tem um caminho a percorrer em termos de pontos de recarga. Segundo a ABVE, existem 16.880 eletropostos, mas a maioria está concentrada nas capitais. São Paulo lidera com 2.116 pontos, seguida por Rio de Janeiro, Brasília e outras grandes cidades.
Se você mora em Campinas (SP) – a única cidade não‑capital que concentra 1 % dos eletropostos do país – ou em outra região com poucos carregadores, a Captiva pode não ser a melhor escolha ainda. Por outro lado, quem tem acesso fácil a uma rede de recarga em casa ou no trabalho encontrará na Captiva um carro econômico e prático para o dia a dia.
Para quem a Captiva EV realmente faz sentido?
O perfil ideal de comprador é alguém que já tem filhos, viaja com frequência e valoriza tecnologia. Se você procura um SUV que ofereça espaço, conforto e uma tela gigante para entretenimento, a Captiva entrega tudo isso a um preço mais acessível que os concorrentes chineses.
Por outro lado, se você ainda não tem um ponto de recarga próximo ou mora em cidades menores com pouca infraestrutura, talvez seja melhor esperar até que a rede de carregadores se expanda.
O que o futuro reserva?
A Chevrolet está apostando forte nos veículos elétricos, e a Captiva EV é a segunda resposta da GM ao avanço chinês no Brasil, depois do Spark EUV. Se a estratégia funcionar, podemos esperar mais modelos elétricos da marca, possivelmente com maior autonomia e ainda mais recursos de assistência ao motorista.
Enquanto isso, a Captiva já chega como uma opção real para quem quer deixar o carro a combustão e ainda manter a confiança em uma marca centenária no país. Se você está pronto para dar o próximo passo rumo à mobilidade elétrica, vale a pena fazer um test‑drive e sentir na prática tudo o que a nova Captiva tem a oferecer.



