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Chevrolet Captiva EV: O retorno elétrico que pode mudar sua escolha de SUV

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Chevrolet Captiva EV: O retorno elétrico que pode mudar sua escolha de SUV

Quando eu lembro da primeira Chevrolet Captiva que apareceu nas ruas nos anos 2010, ainda me vem à mente a sensação de estar na vanguarda dos SUVs no Brasil. Na época, ter um utilitário com boa altura do solo e espaço interno já era um luxo. O que ninguém esperava era que, oito anos depois, a mesma sigla voltaria – mas como um carro 100% elétrico, nascido na China e com preço mais baixo que o principal concorrente local.



Por que a Captiva volta agora?

A General Motors (GM) tem sentido a pressão dos veículos elétricos chineses que chegam ao mercado brasileiro com preços competitivos e tecnologia avançada. Modelos como o BYD Yuan Plus, que custa cerca de R$ 235.990, mostraram que o consumidor está disposto a pagar mais por autonomia e design. A resposta da Chevrolet foi a nova Captiva EV, anunciada em Campos do Jordão (SP) com preço de R$ 199.990 – aproximadamente R$ 35 mil a menos que o Yuan Plus.



Design que mistura o melhor da China e da tradição Chevrolet

O visual externo da Captiva EV tem a cara dos SUVs chineses: iluminação diurna (DRL) bem marcada, faróis baixos posicionados mais abaixo e lanternas estreitas. O capô parece “fechado” porque não há necessidade de entrada de ar para um motor a combustão. Ainda assim, a Chevrolet manteve detalhes que remetem à identidade da marca, como o logotipo em uma peça plástica que lembra a grade tradicional.

Esses toques sutis ajudam a criar uma ponte entre o design oriental e a familiaridade que os brasileiros já têm com a Chevrolet. O resultado é um carro que não parece um simples “cópia” de modelos como o Wuling Starlight S (base da Captiva), mas sim um híbrido de estilos.



Interior: tecnologia ao alcance de quem tem família

Dentro da cabine, a diferença é ainda maior. A tela de 15,6 polegadas domina o painel, substituindo quase todos os botões físicos. Essa central multimídia controla ar‑condicionado, navegação e até funções do carro, seguindo a tendência minimalista dos concorrentes chineses. A qualidade das câmeras 360°, que oferecem visão semelhante a um drone, impressiona mesmo em condições de pouca luz.

O toque na tela é rápido, sem atrasos – algo que ainda falta em alguns rivais como o GWM Haval H6. O acabamento também ganha destaque: poucos plásticos duros, superfícies macias que imitam metal e madeira, e um nível de conforto que supera até mesmo o Equinox a combustão, que custa R$ 91,2 mil a mais.

Dimensões e espaço interno: mais do que parece

A nova Captiva EV é quase 27 cm mais longa que a versão que saiu de linha em 2015, com um entre‑eixos maior em 10 cm. O porta‑malas passou de 383 L para 403 L, e o espaço para as pernas dos passageiros de trás melhorou consideravelmente. Em termos de comprimento, ela chega perto do Jeep Commander (4,77 m) e do Toyota SW4 (4,79 m), mas mantém apenas cinco lugares, priorizando conforto para cada ocupante.

Essa estratégia deixa a Captiva em uma posição única: maior que um Tiguan, mas sem a sensação de “ônibus” que alguns SUVs de sete lugares podem dar. Para famílias com um ou dois filhos que gostam de fazer viagens mais longas, o carro oferece o espaço necessário sem sacrificar a dirigibilidade.

Desempenho e autonomia: o que esperar no dia a dia

Com motor elétrico que entrega 150 km/h de velocidade máxima e acelera de 0 a 100 km/h em 9,9 s, a Captiva não é um carro de alta performance, mas oferece aceleração suficiente para as situações urbanas e rodoviárias. A autonomia declarada é de 304 km com uma carga completa – número que coloca o modelo quase no mesmo patamar do Yuan Plus.

O vice‑presidente da GM Brasil, Fabio Rua, explicou que a escolha por uma bateria de menor capacidade foi deliberada para manter o preço acessível. Ele ainda comentou que a arquitetura Ultium da Chevrolet poderia permitir versões com mais autonomia no futuro, caso o mercado exija.

Infraestrutura de recarga: um ponto a se observar

Um dos maiores desafios para quem pensa em adotar um carro elétrico no Brasil ainda é a rede de eletropostos. Segundo a ABVE, existem cerca de 16.880 pontos de recarga, mas a maioria está concentrada nas capitais. São Paulo lidera com 2.116 postos, seguida por Rio de Janeiro (963) e Brasília (631). Cidades do interior, como Campinas (SP), têm apenas 1 % do total nacional.

Se você mora em São Paulo ou em outra capital com boa cobertura, a Captiva EV pode ser uma escolha prática e econômica. Já quem depende de recarga em áreas menos atendidas precisará avaliar a viabilidade antes de fechar negócio.

Para quem a Captiva EV realmente faz sentido?

O perfil ideal de comprador é alguém que já tem experiência com carros elétricos ou está disposto a aprender. Família com filhos, que viaja com frequência e valoriza tecnologia embarcada, encontrará na Captiva um pacote completo: preço competitivo, boa autonomia, espaço interno generoso e um interior repleto de recursos digitais.

Por outro lado, quem ainda não tem acesso fácil a um ponto de recarga ou prefere um carro mais barato que fique abaixo de R$ 100 mil pode achar a Captiva fora do seu alcance. Nesses casos, ainda há opções como o Chevrolet Onix EV, que chega a preços mais baixos, embora ofereça menos espaço.

Conclusão: vale a pena?

Em resumo, a Chevrolet Captiva EV chega como uma resposta bem posicionada à invasão dos SUVs elétricos chineses. Ela combina o know‑how de mais de um século da Chevrolet no Brasil com a eficiência de produção chinesa, tudo isso a um preço que ainda está abaixo do principal concorrente direto.

Se você mora em um centro urbano com boa rede de recarga, tem necessidade de espaço interno e gosta de tecnologia, a Captiva EV merece um teste. O preço pode mudar nos próximos meses, como aconteceu com o Spark EV, mas, por enquanto, ela representa uma das melhores relações custo‑benefício do segmento elétrico nacional.