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Chester e Fiesta: Por que esses frangos são gigantes na ceia de Natal?

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Chester e Fiesta: Por que esses frangos são gigantes na ceia de Natal?

Chegou a época das festas e, se você ainda não encontrou o tradicional peru, duas opções vêm ganhando espaço nas mesas brasileiras: o Chester da Perdigão e o Fiesta da Seara. Mas você já se perguntou por que esses frangos são tão maiores que o frango que compramos o ano todo? Vamos descobrir juntos como a ciência genética e a estratégia das indústrias alimentícias transformam um simples ave em protagonista da ceia.



O que diferencia o Chester e o Fiesta do frango comum? Em termos de aparência, a diferença é óbvia: peito mais volumoso, corpo mais robusto e, claro, maior rendimento de carne. Essa diferença não acontece por acaso. As marcas investem em seleção genética, um processo que dura quase um ano e envolve a criação de linhagens específicas para garantir que o animal cresça mais e converta a ração em massa muscular de forma eficiente.



Segundo Elsio Figueiredo, da Embrapa Suínos e Aves, o caminho começa com a escolha de quatro variedades genéticas, identificadas como A, B, C e D. Cada uma traz um traço desejado – peito maior, melhor conversão de ração, maior taxa de crescimento, entre outros. Ao cruzar essas linhas, nasce a geração “ABCD”, que é exatamente o que chega às prateleiras nas festas de fim de ano.

Mas tem um detalhe curioso: apenas os machos são comercializados como Chester ou Fiesta. Por que? Os machos têm maior potencial de crescimento, enquanto as fêmeas são destinadas ao consumo diário, pois não atingem o mesmo tamanho. Essa estratégia garante que o consumidor pague um preço mais alto por um produto que realmente entrega mais carne.



Como funciona a seleção genética?

  • Identificação das características desejadas: Cada linha (A, B, C, D) tem um objetivo – por exemplo, a linha A pode focar em peito maior, enquanto a B busca melhor eficiência alimentar.
  • Cruzamento controlado: Os criadores cruzam as linhas em diferentes combinações até obter a geração ABCD, que reúne todos os traços.
  • Teste de desempenho: As aves são avaliadas quanto ao ganho de peso, qualidade da carne e consumo de ração. Só as que atendem aos padrões avançam para a produção em massa.
  • Abate exclusivo para consumo: Diferente dos frangos de corte comuns, esses não são usados para reprodução. Isso permite que todo o ciclo seja otimizado para o tamanho e a qualidade da carne.

Impacto no bolso do consumidor

Uma das grandes vantagens do Chester e do Fiesta é o custo-benefício. Embora o preço seja um pouco maior que o frango tradicional, o rendimento de carne por ave compensa. Se você comparar a quantidade de carne obtida de um Chester com a de três frangos comuns, o gasto pode ser semelhante ou até menor.

Além disso, a disponibilidade desses produtos costuma ser maior nas épocas de festa, o que reduz a pressão sobre o estoque de perus – tradicionalmente mais caro e, às vezes, escasso. Para quem tem orçamento apertado, escolher o Chester pode ser uma alternativa inteligente para garantir uma ceia farta sem estourar o limite.

Receita prática: Chester assado com ervas

Para quem ainda não tem experiência com o Chester, aqui vai uma receita simples que rende até oito pessoas:

  1. Pré-aqueça o forno a 200 °C.
  2. Tempere o Chester com sal, pimenta-do-reino, alecrim, tomilho e alho picado. Regue com um fio de azeite.
  3. Coloque o Chester em uma assadeira, cubra com papel alumínio e leve ao forno por 45 minutos.
  4. Retire o papel, aumente a temperatura para 220 °C e asse por mais 20‑25 minutos, até a pele ficar dourada e crocante.
  5. Deixe descansar 10 minutos antes de fatiar. Sirva com batatas rústicas e legumes grelhados.

Essa receita destaca o peito suculento e a carne macia, duas das principais qualidades que fazem o Chester tão popular nas festas.

Próximos passos: o futuro dos frangos de festa

Com a tecnologia genética avançando, podemos esperar ainda mais inovações. Algumas tendências que já aparecem no mercado incluem:

  • Frangos com menor pegada de carbono: Seleções que exigem menos ração e geram menos emissões.
  • Variedades enriquecidas: Aves que incorporam ômega‑3 ou vitaminas adicionais através da alimentação.
  • Produção mais sustentável: Sistemas de criação que utilizam energia renovável e reduzem o uso de antibióticos.

Essas mudanças podem tornar o Chester e o Fiesta ainda mais atrativos, não só pelo tamanho, mas também pelos benefícios à saúde e ao meio ambiente.

Em resumo, o Chester e o Fiesta são o resultado de um trabalho meticuloso de seleção genética, focado em entregar mais carne, melhor qualidade e um preço que, no final das contas, costuma ser justo para quem busca uma ceia farta. Na próxima vez que estiver planejando o cardápio de Natal, lembre‑se de que esses frangos gigantes não são apenas um truque de marketing – são uma solução prática para quem quer comer bem sem gastar demais.