Se você já passou pela dúvida de escolher o que colocar na mesa de Natal porque o peru parece fora de alcance, provavelmente já ouviu falar do Chester ou do Fiesta. Eles são aqueles frangos maiores que a gente vê nas vitrines das redes de supermercado, prometendo um peito suculento e uma porção que cabe até a família inteira. Mas, afinal, o que faz desses frangos algo tão diferente dos que compramos o ano todo?
Um pouquinho de história – como tudo começou
Antes de mergulharmos nos detalhes genéticos, vale lembrar que o consumo de frango no Brasil tem raízes bem antigas. Desde a década de 1950, a indústria de carnes avícolas começou a se modernizar, trazendo técnicas de criação intensiva que permitiram produção em larga escala e preços acessíveis. Foi nesse cenário que surgiram as marcas Perdigão e Seara, que hoje são sinônimos de frango de qualidade.
Com o passar dos anos, o Natal se consolidou como a data em que as famílias buscam algo especial para a mesa. Enquanto o peru virou a estrela tradicional, o frango de Natal – Chester e Fiesta – apareceu como alternativa mais barata, mas ainda assim impressionante pelo tamanho.
Seleção genética: o segredo dos gigantes
O que realmente diferencia o Chester e o Fiesta dos frangos comuns é o processo de seleção genética. Não se trata de “alimentar mais” ou “usar ração especial” (embora isso também aconteça), mas de escolher linhas de aves que carregam genes específicos para características desejadas.
Segundo Elsio Figueiredo, da Embrapa Suínos e Aves, os produtores passam cerca de um ano organizando a reprodução entre linhagens que já foram pré‑selecionadas. Cada linhagem recebe uma letra – A, B, C ou D – e cada uma traz um traço de interesse:
- A: peito maior e mais firme;
- B: melhor conversão de ração em peso;
- C: resistência a doenças;
- D: crescimento rápido.
Essas quatro linhas são cruzadas entre si, gerando a chamada geração ABCD. O resultado? Um frango que atinge entre 2,5 kg e 3 kg, muito acima dos 1,5 kg‑2 kg dos frangos de dia a dia.
Por que só os machos se tornam Chester ou Fiesta?
Uma curiosidade que costuma gerar dúvidas: por que apenas os machos são comercializados como Chester ou Fiesta? A resposta está no crescimento. Os machos, por natureza, desenvolvem mais massa muscular, especialmente no peito, que é a parte mais valorizada na ceia. As fêmeas, por outro lado, têm um padrão de crescimento mais equilibrado e são destinadas ao consumo regular ao longo do ano.
Esse detalhe também tem um lado econômico. Como o frango de Natal não é usado para reprodução – ele é abatido logo após alcançar o tamanho ideal – os criadores podem focar exclusivamente na produção de machos gigantes, sem precisar manter um rebanho misto.
Do campo à sua mesa: como funciona a produção
Vamos simplificar o caminho percorrido por um futuro Chester:
- Seleção dos pais: aves das linhas A, B, C e D são escolhidas com base nos traços desejados.
- Cruzamento controlado: os criadores realizam cruzamentos estratégicos para combinar os genes.
- Incubação: os ovos são incubados em condições ideais de temperatura e umidade.
- Criação: os pintinhos são criados em granjas com ração balanceada, que contém proteínas, vitaminas e minerais específicos para acelerar o crescimento.
- Abate: quando o frango atinge o peso ideal (geralmente entre 28 e 32 semanas), ele é abatido e encaminhado para o processamento.
- Embalagem: o produto final recebe a marca Chester (Perdigão) ou Fiesta (Seara) e segue para os supermercados.
Todo esse processo é monitorado por órgãos reguladores, como o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que garante a segurança alimentar.
Vale a pena escolher Chester ou Fiesta?
Agora que você entende o que acontece nos bastidores, vale a pena analisar os prós e contras de colocar um desses frangos na sua ceia.
Prós
- Preço mais acessível: costuma ser mais barato que o peru, principalmente quando o peru está em alta demanda.
- Tamanho: serve famílias grandes sem precisar de dois ou três frangos.
- Peito suculento: a seleção genética garante um peito maior e mais macio, ideal para quem adora carne branca.
- Versatilidade: pode ser assado, recheado ou até desfiado para sanduíches pós‑Natal.
Contras
- Menos “tradição”: para quem tem o peru como símbolo da ceia, o Chester pode parecer menos festivo.
- Consumo de ração: a produção intensiva requer grande quantidade de ração, o que gera debates ambientais.
- Processamento: alguns consumidores preferem carnes menos industrializadas.
Dicas práticas para preparar o seu Chester ou Fiesta
Se decidir levar o Chester para a mesa, aqui vão algumas sugestões que aprendi ao longo dos anos:
- Temperatura ambiente: retire o frango da geladeira 30 min antes de assar. Isso ajuda a cozinhar de forma mais uniforme.
- Marinada simples: misture azeite, alho amassado, suco de limão, alecrim e uma pitada de sal. Deixe o frango marinar por, no mínimo, 2 horas.
- Assar em temperatura média: 180 °C por cerca de 2 horas, coberto com papel alumínio nos primeiros 90 min. Retire o papel nos últimos 30 min para dourar a pele.
- Teste do ponto: espetar a parte mais grossa da coxa; o suco deve sair claro, sem sangue.
- Descanso: deixe o frango repousar 10 min antes de cortar. Assim os sucos se redistribuem e a carne fica mais suculenta.
Para quem gosta de inovar, experimente rechear o peito com farofa de castanhas ou até mesmo com frutas secas, como damasco. O contraste entre o doce e o salgado costuma ser um sucesso entre os convidados.
O futuro do frango de Natal
Com a crescente preocupação ambiental, a indústria avícola está investindo em pesquisas para tornar a produção mais sustentável. Algumas tendências que podem chegar nos próximos anos incluem:
- Uso de probióticos: melhorar a saúde intestinal das aves, reduzindo a necessidade de antibióticos.
- Alimentação à base de insetos: insetos como a larva de tenébrio são fontes ricas de proteína e têm menor pegada de carbono.
- Genética de precisão: técnicas como CRISPR podem acelerar a seleção de características desejáveis sem precisar de tantas gerações de cruzamento.
Essas inovações prometem manter o Chester e o Fiesta como opções viáveis e ainda mais responsáveis para a nossa mesa de festas.
Conclusão
Em resumo, o Chester e o Fiesta são frutos de décadas de aprimoramento genético e de um processo de produção meticulosamente planejado. Eles surgem como alternativas econômicas ao peru, oferecendo tamanho generoso e carne suculenta. Se você está em dúvida sobre o que colocar na sua ceia, vale a pena considerar esses frangos gigantes, lembrando sempre de escolher um fornecedor confiável e de preparar a carne com carinho.
E você, já experimentou algum desses frangos nas festas de fim de ano? Compartilhe sua experiência nos comentários – adoro trocar ideias de receitas e truques de cozinha!



