Todo ano eu fico na dúvida: comprar o tradicional peru ou apostar no famoso Chester/Fiesta? A verdade é que, para quem quer uma opção mais econômica e ainda impressionar a família, esses frangos gigantes são a escolha certa. Mas você já se perguntou como eles chegam ao tamanho que vemos nas vitrines de Natal? Neste post eu explico o que acontece nos bastidores da criação, o que isso significa para o seu bolso e ainda dou uma dica de receita simples para arrasar na mesa.
O que são Chester e Fiesta?
Chester (da Perdigão) e Fiesta (da Seara) são marcas de frangos de Natal. Eles não são diferentes de um frango comum em termos de espécie, mas passam por um processo de seleção genética que faz com que cresçam mais, ganhem peito maior e atinjam um peso que pode chegar a 2,5 kg – quase o dobro de um frango de dia a dia.
Por que eles são maiores?
A diferença está na forma como os criadores escolhem as linhagens. Segundo Elsio Figueiredo, da Embrapa Suínos e Aves, o processo leva cerca de um ano e começa com a seleção de quatro variedades genéticas (A, B, C e D). Cada uma traz um traço desejado – peito mais volumoso, melhor conversão de ração em peso, maior resistência a doenças, entre outros. Ao cruzar essas quatro linhas, nasce a geração “ABCD”, que é o frango destinado às festas.
Genética vs. Reprodução: por que só os machos viram Chester/Fiesta?
Ao contrário dos perus, que são criados para reprodução e para a mesa, os frangos de Natal são abatidos sem nunca terem sido usados para gerar filhotes. Isso permite que os criadores foquem apenas no crescimento rápido. Como os machos tendem a ganhar mais massa muscular, são eles que são selecionados para virar Chester ou Fiesta. As fêmeas, que crescem um pouco menos, são vendidas como frango comum ao longo do ano.
Impacto no preço: por que ainda são mais baratos que o peru?
- Escala de produção: as indústrias de carne de frango já possuem infraestrutura gigantesca, o que reduz custos.
- Ração otimizada: as linhas genéticas são escolhidas para transformar a ração em peso com alta eficiência, diminuindo o gasto de alimento.
- Tempo de criação: como o frango de Natal não precisa viver para reprodução, o ciclo de produção é mais curto e controlado.
Esses fatores combinam para que o Chester/Fiesta custe menos que um peru de tamanho semelhante, tornando‑se a “estrela econômica” da ceia.
O que isso significa para a sua saúde?
Do ponto de vista nutricional, o Chester tem mais proteína por porção, graças ao peito maior. No entanto, ele também pode ter um teor de gordura um pouco maior, especialmente se a pele for deixada inteira. A dica é remover a pele ou assar em papel alumínio para reduzir a absorção de gordura. E, claro, equilibrar com legumes, saladas e uma boa porção de carboidratos.
Como escolher o melhor Chester ou Fiesta no supermercado
- Verifique a data de validade – frangos mais frescos têm melhor textura.
- Observe a cor da carne: um tom rosado indica boa qualidade; tons muito escuros podem sinalizar envelhecimento.
- Cheque o peso na embalagem – se estiver muito acima da média (acima de 2,8 kg), pode ser um frango “extra‑gordo” que exigirá mais tempo de cozimento.
- Prefira embalagens que tragam informações sobre a linhagem genética ou selos de rastreabilidade; isso garante que o produto passou pelos mesmos controles da Embrapa.
Receita prática: Chester assado com ervas e laranja
Ingredientes (para 1 Chester de 2,5 kg):
- 1 Chester limpo
- 2 colheres de sopa de manteiga derretida
- Raspas de 1 laranja
- 2 dentes de alho picados
- Tomilho e alecrim a gosto
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
- 1/2 xícara de suco de laranja natural
Modo de preparo:
- Preaqueça o forno a 200 °C.
- Misture a manteiga, as raspas de laranja, o alho, as ervas, sal e pimenta. Esfregue toda a mistura sobre o Chester, inclusive por dentro da cavidade.
- Coloque o frango em uma assadeira, regue com o suco de laranja e cubra com papel alumínio.
- Asse por 45 min, retire o papel e asse por mais 30 min, ou até que a pele esteja dourada e o termômetro interno marque 75 °C.
- Deixe descansar 10 min antes de fatiar. Sirva com arroz de passas e salada verde.
Resultado: carne suculenta, peito macio e um perfume cítrico que combina perfeitamente com o clima natalino.
Questões ambientais e de bem‑estar animal
Embora a produção de Chester/Fiesta seja eficiente, há críticas relacionadas ao uso intensivo de seleção genética. Alguns especialistas apontam que a busca por maior tamanho pode gerar problemas de saúde nos animais, como lesões nas pernas devido ao rápido ganho de peso. Por isso, é importante que as marcas invistam em bem‑estar animal, oferecendo espaço adequado e monitoramento veterinário.
O futuro dos frangos de festa
Com a crescente demanda por opções mais baratas e sustentáveis, a indústria está testando novas linhas genéticas que combinam tamanho com menor necessidade de ração. Também há projetos de “frango de Natal” orgânico, criado sem antibióticos e com dietas à base de milho não transgênico. Se esses projetos decolarem, podemos esperar ainda mais variedade nas mesas de fim de ano.
Resumo rápido
- Chester e Fiesta são frangos geneticamente selecionados para crescer mais e ter peito maior.
- Somente machos são usados, porque eles atingem o tamanho desejado.
- São mais baratos que o peru graças à eficiência de produção.
- Escolha bem no mercado, retire a pele se quiser menos gordura e experimente a receita de laranja para um toque especial.
- Fique atento às questões de bem‑estar animal e às inovações que podem tornar esses produtos ainda mais sustentáveis.
Na próxima ceia, se ainda estiver em dúvida, experimente o Chester ou o Fiesta. Você vai descobrir que, além de maior, ele traz sabor, praticidade e um preço que cabe no orçamento. E, quem sabe, ainda abre espaço para novas conversas sobre como a alimentação pode evoluir de forma mais consciente.



