Radar Fiscal

Chester e Fiesta: Por que esses frangos dominam a ceia de Natal?

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Chester e Fiesta: Por que esses frangos dominam a ceia de Natal?

Introdução: o dilema da ceia

Todo ano eu fico na mesma encruzilhada: o peru tradicional está cada vez mais caro, e o orçamento da família não acompanha. Quando a conta do supermercado chega, a primeira dúvida costuma ser: “O que vai entrar na mesa de Natal?” Nos últimos tempos, duas opções têm aparecido com força – o Chester e o Fiesta. Mas, além do preço, o que realmente faz esses frangos serem tão diferentes dos que compramos o ano todo?

O que são Chester e Fiesta?

Chester (da Perdigão) e Fiesta (da Seara) são, essencialmente, frangos de produção especial para festas. Eles não são “perus disfarçados” nem algum tipo de ave exótica; são galinhas que passaram por um programa de seleção genética para crescerem mais e apresentarem características que agradam ao paladar natalino: peito maior, carne mais suculenta e melhor rendimento em relação à ração.

Como nasce um frango gigante?

A jornada começa muito antes de você ver o animal no açougue. Segundo Elsio Figueiredo, da Embrapa Suínos e Aves, os produtores dedicam cerca de um ano organizando a reprodução entre linhagens genéticas específicas. O processo funciona assim:

  • Escolha das linhas fundadoras: quatro variedades são selecionadas – A, B, C e D – cada uma trazendo um traço desejado, como peito maior, maior conversão de ração em peso, resistência a doenças ou até maior produção de ovos nas fêmeas.
  • Cruzamento controlado: as linhas são cruzadas entre si ao longo de várias gerações, de modo que o DNA se mistura e o melhor de cada linha se consolida.
  • Geração ABCD: o resultado final é um frango que carrega os benefícios de todas as quatro linhas. Esse é o animal que chega ao mercado como Chester ou Fiesta.

Vale notar que, ao contrário dos perus, que são criados para reprodução e depois sacrificados, o frango de Natal não tem função reprodutiva. Ele nasce para ser abatido, o que permite que os criadores reiniciem o programa de linhagem a cada ciclo, mantendo a qualidade e o tamanho desejados.

Por que só os machos viram Chester ou Fiesta?

Outro detalhe curioso: apenas os machos são comercializados como essas aves de festa. Por quê? Os machos tendem a crescer mais rapidamente e a desenvolver um peito mais volumoso – exatamente o que os consumidores procuram para a ceia. As fêmeas, por sua vez, são vendidas como frangos “normais”, usados no dia a dia. Essa separação garante que o produto premium mantenha suas características de tamanho e rendimento.

Comparação de custos: Chester vs. Peru vs. Frango comum

Se você está calculando o preço por quilo, a diferença pode ser surpreendente:

  • Peru: costuma ser o mais caro, especialmente nas semanas que antecedem o Natal, quando a demanda dispara.
  • Chester/Festival: o preço fica entre o peru e o frango comum, mas o ganho em volume compensa. Um Chester de 2,5 kg pode render o mesmo número de porções que um peru de 4 kg.
  • Frango comum: o mais barato, porém menor e com menos carne no peito, que costuma ser a parte mais apreciada nas festas.

Para quem tem uma família grande ou quer garantir sobras para sanduíches de Natal, o Chester ou o Fiesta podem ser a escolha mais econômica.

Como preparar o Chester ou Fiesta para que fique perfeito?

Eu adoro experimentar novas receitas, e depois de ler a matéria do G1, resolvi testar um clássico. Aqui vai a minha versão simplificada, que funciona tanto para Chester quanto para Fiesta:

  1. Preaqueça o forno a 180 °C.
  2. Tempere a ave com sal, pimenta-do-reino, alho picado e um mix de ervas (tomilho, alecrim e sálvia).
  3. Regue com um fio generoso de azeite ou manteiga derretida.
  4. Coloque rodelas de limão e cebola dentro da cavidade para aromatizar.
  5. Leve ao forno, coberto com papel alumínio, por cerca de 45 minutos.
  6. Retire o papel, aumente a temperatura para 200 °C e deixe dourar por mais 15 minutos, regando ocasionalmente com o próprio caldo.
  7. Deixe repousar 10 minutos antes de fatiar.

O resultado: peito suculento, pele crocante e um aroma que deixa a casa inteira com aquele cheirinho natalino que a gente adora.

Prós e contras de escolher o frango de Natal

Prós:

  • Preço mais acessível que o peru.
  • Maior rendimento de carne, principalmente no peito.
  • Facilidade de preparo – o tamanho costuma ser ideal para assar inteiro sem precisar de muita atenção.
  • Disponibilidade em supermercados durante todo o mês de dezembro.

Contras:

  • Algumas pessoas ainda preferem o sabor tradicional do peru.
  • Como é um produto de seleção genética, há quem questione o impacto ambiental da produção intensiva.
  • Nem todas as marcas oferecem opções orgânicas ou livres de antibióticos.

O que o futuro reserva?

Com a crescente demanda por opções mais econômicas e sustentáveis, a indústria avícola tem investido em novas linhas genéticas que prometem ainda mais eficiência. Podemos esperar, nos próximos anos, frangos ainda maiores, com menor consumo de ração e, quem sabe, com características de sabor ainda mais próximas ao peru. Além disso, a tendência de rotulagem transparente pode trazer ao consumidor informações sobre bem‑estar animal, uso de antibióticos e origem da alimentação.

Conclusão: vale a pena?

Depois de entender a ciência por trás do Chester e do Fiesta, fica claro que eles não são apenas “frangos grandes”. Eles são o resultado de anos de pesquisa genética, focada em oferecer mais carne por quilo e um preço que cabe no bolso. Se o seu objetivo é uma ceia farta, sem estourar o orçamento, e você não tem o costume de preparar peru, eu diria que vale muito a pena apostar no frango de Natal. Experimente, ajuste o tempero ao seu gosto e aproveite a praticidade que esses produtos trazem.

E você, já provou Chester ou Fiesta? Compartilhe sua experiência nos comentários – quem sabe não descobrimos juntos a melhor receita para a noite de Natal?