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Carros voadores da Embraer vão conquistar o Japão: o que isso significa para nós?

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Carros voadores da Embraer vão conquistar o Japão: o que isso significa para nós?

Quando eu ouvi pela primeira vez que a Embraer fecharia um contrato para vender carros voadores a uma empresa japonesa, confesso que fiquei meio cético. Não é todo dia que a gente vê um “carro” que literalmente sai do chão e vai direto para o céu, né? Mas, depois de ler o comunicado da Eve Air Mobility – a subsidiária da Embraer que está por trás desses eVTOLs – tudo fez sentido. Abaixo, eu conto como essa história se desenrolou, o que são esses veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, e por que isso pode mudar a forma como nos deslocamos nas próximas décadas.



Do Vale do Paraíba para Tóquio: a jornada dos eVTOLs

A Eve Air Mobility anunciou que vendeu, pelo menos, duas unidades dos seus eVTOLs para a AirX, a maior empresa pública de fretamento de helicópteros do Japão. O contrato ainda permite a compra de mais 48 unidades, o que significa que, se tudo correr como planejado, até 2050 podemos ver dezenas de veículos voadores cruzando o céu entre Tóquio e Osaka.

O primeiro voo de protótipo aconteceu em dezembro de 2025, na pista da fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. Foi um momento simbólico: o carro voador saiu do chão, mostrou que a tecnologia funciona, e deu o pontapé inicial para a fase de testes que ainda vai precisar da aprovação da ANAC.



O que exatamente é um eVTOL?

eVTOL significa “electric Vertical Take‑Off and Landing” – ou, em português, “veículo elétrico de decolagem e pouso vertical”. Eles são diferentes de helicópteros e de aviões elétricos de asa fixa. Enquanto os helicópteros usam um rotor grande para levantar o voo, os eVTOLs têm vários pequenos rotores distribuídos ao redor da fuselagem. Isso traz duas vantagens principais:

  • Silêncio e menos vibração: os rotores menores são mais silenciosos, o que é essencial para operar em áreas urbanas.
  • Manutenção simplificada: menos peças móveis grandes significa menos desgaste e custos menores.

O modelo da Eve tem capacidade para cinco pessoas (um piloto + quatro passageiros) e autonomia de cerca de 100 km, ideal para trajetos curtos entre cidades ou até mesmo dentro de grandes áreas metropolitanas.

Por que o Japão está interessado?

O Japão tem um dos cenários urbanos mais desafiadores do planeta: cidades densamente povoadas, trânsito congestionado e ilhas espalhadas ao longo do arquipélago. A AirX vê nos eVTOLs uma solução para conectar destinos turísticos rapidamente, oferecer serviços de emergência e, quem sabe, criar novas rotas de negócios entre centros como Tóquio, Osaka e cidades menores.

Além disso, o governo japonês tem investido pesado em mobilidade sustentável. Um carro voador elétrico se encaixa perfeitamente nessa agenda, reduzindo emissões de CO₂ e diminuindo a dependência de combustíveis fósseis.



Impactos para o Brasil

Você pode estar se perguntando: “E eu, que moro em São Paulo, como isso me afeta?” A resposta é mais direta do que parece. Primeiro, a produção dos eVTOLs acontece aqui, na planta de Taubaté, que tem capacidade para 480 unidades por ano. Isso gera milhares de empregos diretos e indiretos, além de posicionar o Vale do Paraíba como um polo de alta tecnologia.

Segundo, a experiência adquirida na certificação e nos testes de voo pode ser exportada para outros projetos brasileiros, como o futuro de mobilidade urbana em cidades como Rio de Janeiro e Brasília. Imagine um serviço de táxi aéreo que te leva de um bairro a outro em poucos minutos, sem enfrentar o trânsito caótico.

Desafios ainda pela frente

Apesar do entusiasmo, ainda há obstáculos a superar:

  • Regulação: a ANAC ainda não tem um marco regulatório completo para eVTOLs. A aprovação dos testes e a definição de rotas aéreas urbanas são passos críticos.
  • Infraestrutura: precisamos de “verti‑ports” – estruturas de pouso e decolagem vertical – espalhadas pelas cidades. Ainda são poucos, mas projetos já estão surgindo em São Paulo e outras metrópoles.
  • Custo: o preço de um eVTOL ainda está alto para o consumidor comum. Porém, com a produção em massa prevista (até 30 mil unidades globais até 2045), o preço tende a cair.

Esses desafios são reais, mas não impossíveis. A história da aviação nos mostra que, quando há demanda e tecnologia, a regulação costuma acompanhar.

O futuro da mobilidade aérea urbana

Se a projeção da Eve de 30 mil unidades até 2045 se confirmar, estamos falando de uma revolução comparável ao surgimento dos carros no início do século XX. A empresa estima que mais de 3 bilhões de passageiros serão transportados por eVTOLs nesse período, gerando receitas de US$ 280 bilhões – mais de R$ 1,5 trilhão.

Para nós, brasileiros, isso significa novas oportunidades de negócio, empregos qualificados e, quem sabe, a chance de viver em uma cidade onde o trânsito não é mais um problema diário. Além disso, o desenvolvimento de tecnologias verdes, como baterias de alta densidade e sistemas de gestão de energia, pode impulsionar outros setores da indústria.

Conclusão: vale a pena ficar de olho?

Eu acredito que o anúncio da Embraer/Eve não é só mais uma manchete de tecnologia futurista. É um indicativo de que o Brasil está no centro de uma mudança global na forma como nos deslocamos. Se você tem curiosidade por inovação, se preocupa com sustentabilidade ou simplesmente quer entender como será a mobilidade nas próximas décadas, vale a pena acompanhar de perto esse desenvolvimento.

Fique atento às novidades sobre certificação da ANAC, aos projetos de verti‑ports em sua cidade e, claro, às próximas demonstrações de voo. Quem sabe, em poucos anos, você não vai reservar um voo de 10 minutos em um carro voador para fugir do trânsito?