Na última terça‑feira, durante um evento de aviação em Singapura, a Eve Air Mobility – subsidiária da Embraer – revelou que fechou um contrato para vender seus eVTOLs, popularmente chamados de carros voadores, a uma grande empresa japonesa de fretamento aéreo, a AirX. A notícia já está dando o que falar, não só pelos números (pelo menos duas unidades vendidas, com possibilidade de ampliar o pedido para mais 48), mas também pelo que representa para a mobilidade urbana sustentável. Se você ainda não ouviu falar desses veículos, ou acha que ainda são coisa de filme de ficção científica, este texto é para você.
O que são eVTOLs?
eVTOL significa “electric Vertical Take‑Off and Landing”, ou seja, veículos elétricos de decolagem e pouso vertical. Eles combinam a agilidade de um helicóptero com a eficiência de um avião elétrico, tudo isso sem a necessidade de pistas longas. A Eve produz seus modelos na fábrica de Taubaté, interior de São Paulo, que tem capacidade para 480 unidades por ano. Cada eVTOL tem capacidade para cinco pessoas – quatro passageiros e um piloto – e autonomia de cerca de 100 km, ideal para trajetos curtos entre cidades ou dentro de grandes áreas metropolitanas.
Por que o Japão está comprando?
A AirX, maior empresa pública de fretamento de helicópteros do Japão, vê nos eVTOLs uma oportunidade de modernizar suas rotas turísticas e regionais, como os trajetos entre Tóquio e Osaka. A proposta é oferecer um serviço mais silencioso, menos poluente e, a longo prazo, mais barato que o helicóptero tradicional. A entrega dos primeiros dois veículos está prevista para 2029, mas a Eve já está preparando a certificação junto à ANAC, que ainda precisa liberar o uso comercial no Brasil.
Impactos para o Brasil
Para nós, brasileiros, a venda tem alguns efeitos diretos:
- Fortalecimento da indústria aeroespacial nacional: Cada contrato internacional reforça a reputação da Embraer e de suas subsidiárias, gerando mais investimentos e empregos na cadeia produtiva.
- Desenvolvimento de infraestrutura: Cidades que quiserem receber esses veículos precisarão de “verti‑ports” – pequenas áreas de pouso e decolagem – o que pode abrir oportunidades para empreendedores locais.
- Inspiração para startups: O sucesso da Eve pode estimular novas ideias de mobilidade urbana, como drones de carga ou serviços de entrega rápida.
Além disso, a projeção da Eve de que até 2045 a frota mundial de eVTOLs alcance 30 mil unidades – transportando mais de 3 bilhões de passageiros e gerando receita de US$ 280 bi – indica que estamos no início de uma revolução que pode mudar a forma como nos deslocamos.
Desafios ainda pela frente
Nem tudo são flores. Existem obstáculos que precisam ser superados antes que os carros voadores se tornem parte do cotidiano:
- Regulamentação: A ANAC ainda está trabalhando nas normas de segurança, tráfego aéreo e certificação de aeronaves elétricas.
- Infraestrutura urbana: As cidades precisam adaptar ruas, edifícios e áreas públicas para receber verti‑ports, o que exige planejamento urbano e investimentos públicos.
- Custo e viabilidade econômica: Embora o preço unitário ainda seja alto, a escala de produção e a redução de custos de baterias podem tornar o serviço competitivo nos próximos anos.
Esses pontos são cruciais, porque sem um ambiente regulatório e físico adequado, mesmo o melhor carro voador ficará parado no hangar.
Como isso pode mudar a sua vida?
Imagine acordar em São Paulo e, ao invés de enfrentar o trânsito caótico, embarcar em um eVTOL que te leva em 30 minutos até a praia de Santos. Ou ainda, pensar em uma empresa que oferece entregas de produtos frescos em menos de uma hora, usando pequenos veículos elétricos que decolam de um telhado. A promessa dos eVTOLs vai além da velocidade: trata‑se de reduzir a emissão de CO₂, diminuir o ruído urbano e abrir novas possibilidades de mobilidade para áreas antes isoladas.
O que vem pela frente?
Nos próximos anos, a Eve planeja iniciar as entregas dos primeiros eVTOLs em 2027, data que coincide com o início das operações comerciais. Se tudo correr como o previsto, poderemos ver as primeiras rotas regulares entre cidades como São Paulo e Campinas, ou entre áreas turísticas do Rio de Janeiro. Também há expectativa de que outras companhias, tanto brasileiras quanto estrangeiras, entrem no mercado, criando uma concorrência saudável que pode acelerar a redução de preços.
Para quem acompanha o setor, vale ficar de olho nos próximos anúncios da Embraer, nas decisões da ANAC e nos investimentos em infraestrutura nas grandes metrópoles. O futuro da mobilidade aérea urbana está sendo escrito agora, e o Brasil tem um papel importante nessa história.



