Quando eu ouvi pela primeira vez falar do programa Carro Sustentável, confesso que pensei que fosse apenas mais uma campanha de marketing das montadoras. Mas, ao olhar os números que a Anfavea divulgou, ficou claro que estamos diante de algo que realmente pode mudar o nosso bolso e, de quebra, ajudar o meio ambiente.
Em 2025, as vendas de veículos populares cresceram 15,6% em relação ao mesmo período de 2024. Esse salto não aconteceu por acaso: a principal força por trás desse aumento foi a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os modelos que atendem a critérios de eficiência energética e uso de materiais recicláveis.
O que realmente é o Carro Sustentável?
O programa, criado pelo governo federal, oferece isenção total do IPI para carros compactos que cumpram três requisitos básicos:
- Emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro;
- Conter mais de 80% de materiais recicláveis;
- Ser totalmente fabricado no Brasil – desde a soldagem até a pintura.
Além disso, o veículo precisa se enquadrar nas categorias de carro compacto, que são aquelas mais populares nas grandes cidades.
Quais modelos já estão no “ponto verde”?
Se você está pensando em trocar de carro, vale a pena conferir a lista de modelos que já garantiram o benefício:
- Renault Kwid
- Fiat Mobi e Fiat Argo
- Hyundai HB20 e HB20S
- Volkswagen Polo, Saveiro, T‑Cross e Nivus
- Chevrolet Onix e Onix Plus
Esses são os veículos que, além de serem mais baratos na hora da compra, ainda ajudam a reduzir a pegada de carbono nas ruas brasileiras.
Como o desconto no IPI se traduz no preço final?
Para entender o impacto, vamos fazer um cálculo simples. O IPI tradicionalmente varia entre 6,3% (para passageiros) e 3,9% (para comerciais leves). Se um carro custa R$ 70.000, o imposto poderia chegar a quase R$ 4.500. Com a isenção total, esse valor desaparece. No fim das contas, o consumidor paga menos de R$ 5.000 a menos – um número que faz diferença no orçamento familiar.
Mas não é só o preço de compra que muda. Menores impostos também significam menores custos de financiamento, já que o valor financiado é menor. E, se você optar por um consórcio, a carta de crédito pode ser usada para um carro que antes ficaria fora do seu alcance.
O que os números dizem?
Vamos analisar a evolução das vendas entre julho e dezembro de 2025:
| Mês | Unidades emplacadas | Variação % vs 2024 |
|---|---|---|
| Julho (11‑31) | 30 mil | +31,8% |
| Agosto | 40 mil | +22,1% |
| Setembro | 39 mil | +20,5% |
| Outubro | 45 mil | +12,7% |
| Novembro | 47 mil | -1,8% |
| Dezembro | 46 mil | -21,0% |
Os primeiros quatro meses mostram um crescimento consistente, enquanto novembro e dezembro registraram queda. Essa variação pode ser explicada por fatores sazonais – como a proximidade do fim do ano e a diminuição das compras de veículos devido ao fechamento de contas e à preferência por investimentos em férias.
Vantagens além do preço
Além da economia direta, há benefícios intangíveis:
- Menor emissão de CO₂: veículos que emitem menos de 83g/km ajudam a melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades, onde o trânsito já é um grande vilão da saúde pública.
- Uso de materiais recicláveis: ao exigir 80% de reciclabilidade, o programa incentiva as montadoras a desenvolver cadeias de suprimento mais sustentáveis.
- Fomento à indústria nacional: o requisito de fabricação completa no Brasil fortalece a cadeia produtiva local, gerando empregos e reduzindo a dependência de importações.
Desafios e críticas
Nem tudo são flores. Alguns especialistas apontam que a isenção total do IPI pode gerar distorções no mercado:
- Concentração de vendas: as montadoras podem focar apenas nos modelos que se qualificam, reduzindo a diversidade de opções para o consumidor.
- Possível aumento de outros impostos: para compensar a perda de receita do IPI, o governo pode subir alíquotas de ICMS ou de outros tributos, o que acabaria “repassando” o custo para o consumidor de outra forma.
- Barreira de entrada para novas tecnologias: o programa favorece carros híbridos ou com motores mais eficientes, mas ainda não inclui veículos 100% elétricos, que são ainda mais limpos.
Essas questões ainda estão sendo debatidas no Congresso e nas discussões entre fabricantes e associações.
O que isso significa para você?
Se você está planejando comprar um carro nos próximos meses, vale a pena considerar:
- Verificar se o modelo desejado está na lista do Carro Sustentável;
- Comparar o preço com e sem o benefício do IPI – muitas vezes a diferença supera R$ 5 mil;
- Checar a eficiência energética – um carro que consome menos combustível também reduz seus gastos mensais com combustível.
Além disso, pense no futuro: a tendência mundial é a eletrificação dos veículos. Embora o programa ainda não inclua carros 100% elétricos, a lógica de incentivos fiscais deve se estender a eles nos próximos anos, o que pode abrir ainda mais oportunidades de economia.
Perspectivas para 2026 e além
O governo já sinalizou que pretende ampliar a redução das alíquotas para 60% dos veículos comercializados até 2026. Isso significa que, mesmo que o IPI não seja totalmente zero para todos os modelos, a carga tributária será consideravelmente menor.
Se a tendência de crescimento de 15,6% nas vendas se mantiver, podemos esperar que mais fabricantes invistam em linhas de produção que atendam aos requisitos de sustentabilidade. Isso, por sua vez, pode gerar uma “corrida verde” no mercado brasileiro, similar ao que acontece na Europa e nos Estados Unidos.
Em resumo, o Carro Sustentável não é apenas uma política de redução de impostos; é um sinal de que o Brasil está começando a alinhar seu setor automotivo com as exigências globais de redução de emissões e uso de materiais responsáveis. Para o consumidor, isso se traduz em preços mais baixos, opções mais ecológicas e, potencialmente, um futuro onde a mobilidade será cada vez menos poluente.
E aí, já está pensando em qual modelo vai escolher? Compartilhe nos comentários a sua experiência ou a sua dúvida – vamos conversar sobre como escolher o carro certo sem pesar no bolso e ainda ajudar o planeta.



