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Carne bovina em 2026: o que esperar do preço no seu prato?

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Carne bovina em 2026: o que esperar do preço no seu prato?

Se você costuma acompanhar o preço da carne no supermercado, provavelmente já percebeu que 2024 foi um ano de altos e baixos. Depois de picos de alta no primeiro semestre, os números começaram a cair no segundo semestre, graças a uma produção recorde no Brasil. Mas o que isso tudo significa para 2026? Vamos destrinchar os fatores que vão influenciar o preço da carne bovina nos próximos anos e, principalmente, o que isso pode mudar no seu bolso.

O que aconteceu nos últimos dois anos?

Em 2025, o Brasil bateu um recorde histórico: 11,2 milhões de cabeças de gado abatidas no terceiro trimestre, o maior número desde que o IBGE começou a registrar esses dados em 1997. Essa produção em massa fez o país ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador mundial de carne bovina. O aumento da oferta fez o preço cair, aliviando a inflação das carnes que, em junho, chegou a 23,63% em 12 meses, segundo o IBGE.

Entretanto, a alta de preços encontrou um teto no orçamento das famílias brasileiras. Quando a carne ficou tão cara que a maioria das famílias começou a substituir por frango, ovos e embutidos, a demanda desacelerou e os produtores precisaram repensar a estratégia.

Por que os preços devem subir novamente em 2026?

O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, aponta três motivos principais:

  • Redução da oferta interna: após um ano de abate recorde, os pecuaristas tendem a manter mais fêmeas nas fazendas para garantir a reposição de bezerros. Menos animais para o abate significa menos carne no mercado interno.
  • Continuidade das exportações: mesmo com a produção um pouco menor, o Brasil ainda tem demanda externa forte, especialmente da China, que é a maior compradora de carne bovina brasileira.
  • Política comercial chinesa: a China está avaliando “salvaguardas” que podem limitar as importações de carne para proteger sua produção local. Se essas restrições forem rígidas, a demanda brasileira pode cair, mas, ao mesmo tempo, pode haver um redirecionamento da oferta para o mercado interno, pressionando os preços para cima.

Em resumo, a combinação de menor oferta doméstica e uma demanda externa ainda robusta cria um cenário propício para o aumento dos preços.

Como a questão dos “tarifaços” dos EUA entra nessa história?

Nos últimos anos, os EUA impuseram tarifas sobre a carne bovina brasileira, o que poderia ter reduzido as exportações. Contudo, Iglesias destaca que o impacto foi mínimo porque os produtores encontraram novos mercados e mantiveram o fluxo de exportações intenso entre julho e novembro de 2025. Ou seja, o “tarifaço” não foi o vilão da queda de preços que vimos no segundo semestre.

O que isso significa para o consumidor brasileiro?

Se você está pensando em como organizar a compra de carne nos próximos anos, aqui vão alguns pontos práticos:

  1. Planeje com antecedência: se você costuma comprar carne em grandes quantidades para congelar, faça isso agora, enquanto os preços ainda estão mais baixos.
  2. Diversifique as fontes de proteína: mantenha frango, peixe, ovos e leguminosas como parte da dieta. Eles são mais estáveis em preço e ajudam a equilibrar o gasto mensal.
  3. Acompanhe as notícias de exportação: mudanças nas políticas comerciais da China ou de outros grandes compradores podem sinalizar variações de preço.
  4. Fique de olho nas promoções regionais: alguns estados têm programas de apoio ao produtor local que podem gerar descontos em feiras e mercados municipais.

Impactos no agronegócio e no cenário econômico

Para os produtores, a expectativa de preços mais altos pode ser um estímulo para investir em melhoramento genético e em tecnologias de manejo que aumentem a eficiência produtiva. Por outro lado, a necessidade de manter mais fêmeas nas fazendas pode elevar os custos de manutenção e exigir mais capital de giro.

No âmbito macroeconômico, o aumento do preço da carne bovina pode repercutir na inflação geral, já que a carne tem peso significativo no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). O Banco Central pode precisar ajustar a política monetária caso a pressão inflacionária persista.

Visão de futuro: 2027 e além

Embora o foco agora seja 2026, vale pensar no que vem depois. Se a China mantiver restrições, o Brasil pode buscar novos mercados na África e no Oriente Médio, diversificando ainda mais a pauta de exportação. Ao mesmo tempo, a adoção de tecnologias como a carne cultivada em laboratório ainda está longe de substituir a produção tradicional, mas pode começar a aparecer como alternativa de nicho nos próximos cinco a dez anos.

Além disso, a questão ambiental continua em pauta. A pressão por práticas mais sustentáveis pode levar a custos adicionais de produção, que também se refletirão no preço final ao consumidor.

Resumo rápido

  • 2025: produção recorde, preços caíram.
  • 2026: oferta interna menor, exportações ainda fortes → tendência de alta de preços.
  • Fatores externos: decisões da China, tarifas dos EUA (impacto limitado).
  • Para o consumidor: aproveite preços atuais, diversifique proteínas, monitore políticas comerciais.

Em última análise, o preço da carne bovina não é apenas uma questão de oferta e demanda; ele reflete decisões de fazendeiros, políticas internacionais e até a escolha do que colocamos no prato. Ficar informado é a melhor forma de se adaptar e garantir que a refeição continue saborosa sem pesar tanto no orçamento.