Se você recebe aposentadoria ou pensão do INSS, provavelmente já sentiu aquele frio na barriga ao abrir o extrato bancário no início do mês. Afinal, o pagamento não chega sempre na mesma data, e um detalhe como o número final do cartão pode mudar tudo. Nesta segunda‑feira, 26 de janeiro de 2026, o Ministério da Previdência Social deu o pontapé inicial no pagamento dos benefícios de janeiro, e eu resolvi reunir tudo que eu, como aposentado, preciso saber para não ficar no escuro.
Primeiro, vamos entender por que o calendário existe. O INSS tem que pagar cerca de 12 milhões de benefícios todo mês – um número enorme que exige organização. Por isso, eles dividem os pagamentos de acordo com o último dígito do cartão de benefício, ignorando o dígito verificador que vem depois do traço. Essa divisão garante que o fluxo de recursos não sobrecarregue o sistema bancário e, ao mesmo tempo, dá ao beneficiário uma previsão clara.
Como funciona o calendário para quem recebe até um salário‑mínimo?
Se o seu benefício está no piso nacional – ou seja, até um salário‑mínimo – o pagamento começa já no dia 26 de janeiro e segue até 6 de fevereiro. Cada final de cartão tem um dia específico:
- Cartão final 1: 26/01
- Cartão final 2: 27/01
- Cartão final 3: 28/01
- Cartão final 4: 29/01
- Cartão final 5: 30/01
- Cartão final 6: 02/02
- Cartão final 7: 03/02
- Cartão final 8: 04/02
- Cartão final 9: 05/02
- Cartão final 0: 06/02
Observe que o calendário pula o fim de semana (31/01 e 01/02) e retoma na segunda‑feira seguinte. Isso evita atrasos e garante que o dinheiro chegue no dia útil mais próximo.
E para quem recebe acima do salário‑mínimo?
Os que recebem um valor maior têm um calendário um pouquinho diferente, mas ainda bem simples. Os pagamentos começam no dia 2 de fevereiro e seguem até o dia 6, agrupando dois finais de cartão por dia:
- Cartão final 1 e 6: 02/02
- Cartão final 2 e 7: 03/02
- Cartão final 3 e 8: 04/02
- Cartão final 4 e 9: 05/02
- Cartão final 5 e 0: 06/02
Essa lógica de pares facilita a conciliação bancária e ainda deixa o processo mais previsível para quem tem renda mais alta.
Como conferir se o seu número está correto?
Um detalhe que costuma gerar dúvidas é o “dígito verificador”. Ele aparece depois do traço no número do benefício (por exemplo, 123456‑7). No calendário, ele não conta – só o último dígito antes do traço importa. Se o seu cartão termina em 3, mas o número completo é 123456‑7, você deve seguir o calendário do final 3, ignorando o 7.
Ferramentas práticas para checar o seu pagamento
Não deixe tudo na memória. O INSS oferece três caminhos fáceis:
- Aplicativo Meu INSS: basta entrar, selecionar “Consultar benefício” e o valor será exibido.
- Site oficial (meu.inss.gov.br): a mesma funcionalidade está disponível na versão web.
- Telefone 135: ligue de segunda a sábado, das 7h às 22h, informe seu CPF e confirme os dados cadastrais.
Eu costumo usar o app porque ele envia notificação assim que o depósito cai – perfeito para quem tem dificuldade de acessar o internet banking.
Por que o reajuste de 2026 é importante?
Além das datas, vale lembrar que 2026 traz um reajuste geral nos benefícios. São 12 milhões de pessoas que vão ver o salário‑mínimo ou o teto da previdência subir. Esse aumento tem dois efeitos claros:
- Mais poder de compra para quem depende exclusivamente da aposentadoria.
- Impacto nos gastos familiares, já que muitos dependentes ainda vivem da renda do pensionista.
Se você ainda não ajustou seu orçamento, este é o momento de revisitar as contas. Por exemplo, se antes você gastava 70 % da renda em alimentação, com o aumento pode ser possível reduzir essa fatia e destinar mais ao lazer ou à saúde.
Dicas para organizar o seu orçamento com o calendário em mãos
Eu sei que falar de finanças pode parecer chato, mas uma pequena organização faz diferença. Aqui vão três sugestões práticas:
- Crie um lembrete no celular com a data exata do seu pagamento. Assim, você evita surpresas e pode programar pagamentos automáticos (contas de água, luz, telefone).
- Separe o valor em categorias logo que o dinheiro cair: 50 % para despesas fixas, 30 % para variáveis, 20 % para reserva ou lazer.
- Use planilhas simples (ou apps como GuiaBolso) para acompanhar o fluxo mensal. Quando o pagamento chega em dias diferentes, a visualização ajuda a manter tudo equilibrado.
Essas práticas são especialmente úteis para quem recebe em datas diferentes do salário dos filhos ou cônjuge, evitando que o dinheiro “acabe antes do fim do mês”.
O que esperar para os próximos meses?
O calendário de janeiro serve como modelo para os demais meses, mas há exceções:
- Feriados nacionais podem antecipar ou postergar o pagamento.
- Em casos de revisão de benefício (por exemplo, após decisão judicial), a data pode mudar.
Fique de olho nos comunicados do INSS – eles costumam enviar avisos por SMS ou e‑mail para quem tem cadastro no Meu INSS.
Perspectivas para a previdência nos próximos anos
O reajuste de 2026 faz parte de um ciclo de transição que começou com a reforma da previdência de 2019. As regras de cálculo mudaram, e o teto passou a ser mais próximo do salário‑mínimo. Isso significa que, embora o valor absoluto possa ser menor que em décadas passadas, a relação com o custo de vida tende a ser mais justa.
Para quem está perto da aposentadoria, vale analisar:
- Tempo de contribuição restante: quanto falta para completar o tempo exigido?
- Valor da contribuição: se ainda está trabalhando, aumente voluntariamente a alíquota para melhorar o benefício futuro.
- Planejamento sucessório: pensar em como a pensão será distribuída para dependentes.
Essas decisões podem ser tomadas agora, aproveitando o momento de atenção que o calendário gera.
Conclusão: fique no controle do seu benefício
Não há nada mais tranquilizador do que saber exatamente quando o seu dinheiro vai entrar. O calendário do INSS de janeiro de 2026 é simples, mas requer atenção ao último dígito do seu cartão de benefício. Use o aplicativo Meu INSS, marque as datas no seu celular e ajuste seu orçamento logo que o crédito cair.
Se ainda restou alguma dúvida, ligue para o 135 ou procure a agência do INSS mais próxima. E lembre‑se: o reajuste de 2026 traz um alívio, mas a gestão consciente do recurso é que garante qualidade de vida ao longo de todo o ano.
Boa sorte e até o próximo pagamento!



