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Café na cesta básica: por que o preço subiu e o que esperar para 2026

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Café na cesta básica: por que o preço subiu e o que esperar para 2026

Se você costuma começar o dia com um cafezinho, provavelmente já percebeu que o preço do café subiu bastante nos últimos anos. O último levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostrou que, em 2025, o café foi o item da cesta básica que mais encareceu. Mas o que está por trás desse aumento e como isso vai impactar o seu bolso em 2026?



O que a Abic revelou sobre 2025

De acordo com o estudo divulgado em 29 de julho, o faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em relação a 2024, chegando a R$ 46,24 bilhões. Esse salto foi impulsionado principalmente pelo aumento do preço do café nos supermercados.

Entre 2021 e 2025, o valor pago pelo consumidor subiu 116%. Quando olhamos para a cadeia produtiva, a alta foi ainda maior: o preço do café arábica – a variedade mais consumida no Brasil – disparou 212%.

Esses números podem parecer assustadores, mas vale entender de onde eles vêm.



Principais fatores que encareceram o café

  • Tarifaço dos EUA: Em 2023, os Estados Unidos aplicaram um imposto de 50% sobre o café brasileiro. Isso fez o preço do grão subir na Bolsa de Nova York, referência mundial para a negociação.
  • Estoques globais baixos: Quatro anos seguidos de colheitas ruins em países produtores (Brasil, Vietnã, Colômbia) deixaram os estoques mundiais quase vazios.
  • Problemas climáticos: Geadas, secas e temperaturas extremas reduziram a produção de arábica no Brasil, que responde por grande parte da oferta mundial.
  • Repasse de custos: Embora a indústria tenha absorvido parte do aumento, ainda repassou cerca de 70% dos custos extras ao consumidor.

Esses quatro pontos explicam por que o preço do café nas prateleiras subiu cerca de 5,8% em 2025, enquanto outros itens da cesta básica – açúcar, leite, arroz e feijão – ficaram mais baratos.



Como a alta afetou o consumo

O aumento de preços acabou refletindo em uma queda de 2,31% no consumo de café em 2025. Mesmo assim, o presidente da Abic, Pavel Cardoso, acredita que o hábito de tomar café no Brasil é resiliente. Ele destaca que, quando o preço cai, o consumidor costuma comprar em maior quantidade e montar um estoque em casa.

Perspectivas para 2026: boa safra, mas preços ainda altos

O clima parece dar um alívio para a produção. O fenômeno La Niña, que dominou o último ano, trouxe chuvas na medida certa e evitou extremos climáticos nas principais regiões produtoras. Por isso, a Abic projeta uma boa colheita em 2026.

Entretanto, há um detalhe importante: os estoques mundiais ainda estão baixos. Mesmo com uma safra forte, a primeira colheita será usada para repor as reservas globais antes de chegar ao consumidor final. Cardoso estima que seriam necessárias duas boas safras consecutivas para que os preços realmente comecem a cair.

Já observamos uma leve queda nos preços em dezembro de 2025 – o café extraforte ficou 7,1% mais barato em relação ao mês anterior, e as cápsulas de café perderam 13,2% de valor. Essa redução foi consequência da queda no preço da matéria‑prima, que acabou sendo repassada pela indústria.

O que você pode fazer para driblar a alta

Mesmo que o preço continue alto, há algumas estratégias que podem ajudar a economizar sem abrir mão do seu café diário:

  • Compre a granel: Quando o preço estiver em baixa, aproveite para encher um recipiente maior. O custo por litro costuma ser menor.
  • Opte por marcas próprias: As marcas de supermercados geralmente têm margem menor e podem oferecer preços mais competitivos.
  • Varie o tipo de grão: O arábica é o mais caro; o robusta costuma ser mais barato e ainda tem sabor forte, ideal para quem gosta de café intenso.
  • Use filtros reutilizáveis: Reduzir o gasto com filtros de papel pode gerar uma economia considerável ao longo do ano.

O futuro do café no Brasil

O Brasil continua sendo o maior produtor e exportador mundial de café. A tendência de aumento da demanda global, aliada a investimentos em tecnologia agrícola (como sombreamento de árvores para controlar a temperatura), pode tornar a produção mais resiliente a eventos climáticos extremos.

Além disso, acordos comerciais – como o recente acordo UE‑Mercosul – podem abrir novos mercados e melhorar a rentabilidade dos produtores, o que, a longo prazo, pode refletir em preços mais estáveis para o consumidor interno.

Em resumo, o café subiu bastante em 2025 devido a fatores externos (tarifa dos EUA, estoques baixos) e internos (clima adverso). Para 2026, a expectativa é de uma safra boa, mas o preço ainda deve ficar acima do patamar de 2024 até que os estoques se restabeleçam. Enquanto isso, ficar atento às promoções, comprar a granel e diversificar o tipo de grão são maneiras práticas de não sentir tanto o peso no bolso.

E você, já percebeu a diferença no preço do seu café? Como tem lidado com a alta? Compartilhe sua experiência nos comentários!