Radar Fiscal

Café brasileiro em 2025: quem aumentou as compras e o que isso significa para você

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Café brasileiro em 2025: quem aumentou as compras e o que isso significa para você

Se você costuma tomar um café todos os dias, já deve ter se perguntado de onde vem aquele grão que desperta a manhã. A resposta, na maioria das vezes, é Brasil – o maior produtor mundial. Mas nem todos os países que compram nosso café seguiram a mesma tendência em 2025. Enquanto a maioria dos grandes importadores reduziu as compras, três destinos – Japão, Turquia e China – aumentaram. Vamos entender por que isso aconteceu e como isso pode impactar o seu bolso e o futuro do café.



Em 2025, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg, atingindo 121 países. O volume caiu 20,8 % em relação a 2024, mas a receita bateu recorde graças aos preços mais altos no mercado internacional. Essa contradição – menos volume, mais dinheiro – tem origem em duas grandes questões: o clima e o “tarifaço” dos Estados Unidos.

O clima adverso reduziu a produção nas principais regiões cafeeiras, como Minas Gerais e Espírito Santo, e o aumento das tarifas americanas sobre o café solúvel diminuiu a competitividade dos nossos grãos nos EUA. Como resultado, os Estados Unidos deixaram de ser o maior comprador, passando a liderança para a Alemanha, que também reduziu suas importações (queda de 28,7 %).



Mas o Japão, a Turquia e a China seguiram um caminho diferente. O Japão, que ficou em quarto lugar entre os compradores, aumentou suas compras em 19,4 % (2,6 milhões de sacas). O motivo? Reabastecimento de estoques. Após um período de baixa demanda, os importadores japoneses precisaram repor o que havia sido consumido, e o Brasil, com seu café de alta qualidade, foi a escolha natural.

A Turquia, sexta maior importadora, subiu 3,26 % nas compras. O país usa o café não só para consumo interno, mas também como ferramenta de diplomacia, enviando grãos para nações em conflito ou em crise econômica. Essa estratégia de “soft power” faz do café um bem estratégico, e o Brasil tem sido um fornecedor confiável.



Já a China, tradicionalmente associada ao chá, está vivendo uma verdadeira explosão de consumo de café. Em 2025, o país comprou 19,49 % a mais que no ano anterior – 1,1 milhão de sacas – e subiu para a décima posição no ranking global. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explica que os jovens chineses estão cada vez mais ligados ao estilo de vida ocidental, e o café se tornou símbolo de modernidade e networking. Além disso, a China prefere o arábica brasileiro, que oferece sabor mais suave e complexo.

O que tudo isso quer dizer para o consumidor brasileiro? Primeiro, a valorização do preço pode se refletir na conta do supermercado. Mesmo com a queda de volume, os produtores recebem mais por saco, o que pode manter ou até elevar os preços internos, sobretudo para cafés especiais. Por outro lado, o aumento da demanda de mercados como a China abre portas para investimentos em tecnologia de produção, melhorando a qualidade e a sustentabilidade do cultivo.

Para quem pensa em empreender no setor, 2025 demonstra que diversificar mercados é crucial. Dependência de um único comprador – como os EUA antes – pode ser arriscada quando políticas comerciais mudam. Investir em certificações de origem, práticas sustentáveis e em variedades que agradem ao paladar asiático pode ser um diferencial competitivo.

Olhemos também para o futuro próximo. Analistas apontam que o preço do café pode continuar caindo em 2026, mas ainda assim não será “barato”. A combinação de custos de produção, clima imprevisível e a busca por cafés de alta qualidade mantém o mercado em patamares mais elevados que há uma década. Para o consumidor, isso significa que o café de qualidade continuará sendo um item de prazer, mas talvez com um preço um pouco mais premium.

Em resumo, apesar da queda geral nas exportações, o Brasil mostrou resiliência ao conquistar novos mercados e reforçar antigos laços. Japão, Turquia e China não só compraram mais, como também demonstraram diferentes motivações – reposição de estoque, estratégia geopolítica e mudança cultural. Esse cenário reforça a importância de olhar além das estatísticas e entender o que está por trás dos números.

E você, já percebeu alguma mudança no preço ou na variedade de cafés nas lojas? Compartilhe sua experiência nos comentários – adoro saber como o mundo do café se reflete no nosso dia a dia.