Se você ou alguém que você conhece depende do Bolsa Família, já deve estar de olho nas datas de pagamento. Em 2026 o governo federal divulgou o calendário completo e, ao mesmo tempo, o ministro Luiz Fux anunciou medidas para impedir que recursos do programa sejam usados em apostas. Neste post eu explico tudo o que você precisa saber – de forma simples, sem juridiquês – e ainda dou algumas dicas práticas para organizar o orçamento familiar.
Por que o calendário importa?
O Bolsa Família não paga tudo de uma vez. O dinheiro é liberado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada, de acordo com o último número do NIS (Número de Identificação Social). Essa estratégia evita congestionamento nos caixas da Caixa Econômica e garante que o pagamento chegue a todos os beneficiários.
Calendário 2026 detalhado
Começando em 19 de janeiro, o pagamento segue a ordem dos finais do NIS:
- Final 1 – 19/01
- Final 2 – 20/01
- Final 3 – 21/01
- Final 4 – 22/01
- Final 5 – 23/01
- Final 6 – 26/01
- Final 7 – 27/01
- Final 8 – 28/01
- Final 9 – 29/01
- Final 0 – 30/01
Os demais meses seguem um padrão semelhante, sempre nos últimos 10 dias úteis, exceto dezembro, que começa no dia 10 e termina antes do Natal. Veja a sequência completa:
- Fevereiro: 12 a 27/02
- Março: 18 a 31/03
- Abril: 16 a 30/04
- Maio: 18 a 29/05
- Junho: 17 a 30/06
- Julho: 20 a 31/07
- Agosto: 18 a 31/08
- Setembro: 17 a 30/09
- Outubro: 19 a 30/10
- Novembro: 16 a 30/11
- Dezembro: 10 a 23/12
Quem tem direito ao benefício?
A regra principal continua a mesma: renda familiar per capita de até R$ 218. Para calcular, basta somar a renda total da família e dividir pelo número de pessoas que moram no mesmo domicílio. Se o resultado ficar abaixo do limite, a família está elegível.
Além da renda, há contrapartidas que precisam ser cumpridas, como:
- Manter crianças e adolescentes na escola;
- Participar do pré-natal, no caso de gestantes;
- Manter as carteiras de vacinação em dia.
Como se cadastrar no CadÚnico?
O Cadastro Único (CadÚnico) ainda é a porta de entrada para todos os programas sociais federais. Se você ainda não está inscrito, o processo é simples:
- Dirija‑se ao CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) da sua cidade;
- Leve documentos de identidade, CPF, comprovante de residência e de renda;
- Preencha o formulário e aguarde a análise.
Vale lembrar que estar no CadÚnico não garante automaticamente o Bolsa Família; cada programa tem critérios próprios. Mas sem o cadastro, a sua família nem entra na fila de avaliação.
Como receber o dinheiro?
O aplicativo Caixa TEM e o internet banking da Caixa são as formas mais práticas. Basta cadastrar o cartão do programa e você pode:
- Fazer compras com débito em estabelecimentos que aceitam a bandeira;
- Realizar saques em terminais de auto‑atendimento, casas lotéricas, correspondentes Caixa Aqui ou nas agências da Caixa.
O importante é manter o cadastro atualizado, especialmente o número de telefone e o endereço de e‑mail, para receber avisos de pagamento.
Medidas de Luiz Fux: por que o governo está apertando o cerco contra apostas?
Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, determinou a adoção de medidas para impedir que recursos do Bolsa Família sejam usados em apostas ou jogos de azar. A medida surge após denúncias de que algumas famílias estariam desviando parte do benefício para participar de jogos de loteria ou plataformas de apostas online.
Embora a maioria dos beneficiários use o dinheiro de forma correta, o risco de desvio tem um impacto duplo: diminui o poder de compra da família e coloca em risco a própria sustentabilidade do programa. As novas regras incluem:
- Bloqueio automático de transações suspeitas em cartões vinculados ao Bolsa Família;
- Monitoramento mais rigoroso das compras realizadas em estabelecimentos de jogos;
- Campanhas de educação financeira para alertar sobre os perigos das apostas.
Essas ações buscam proteger o recurso público e garantir que ele chegue integralmente às famílias que realmente precisam.
O que isso significa para você?
Na prática, a maior mudança será a maior vigilância sobre como o dinheiro é usado. Se você costuma pagar contas, comprar alimentos ou investir em pequenos negócios, nada muda. Mas se houver tentativas de usar o cartão para apostas, o pagamento pode ser suspenso e a família pode ser convocada a prestar esclarecimentos.
Para evitar transtornos, algumas dicas úteis:
- Planeje o orçamento mensal: separe o valor do Bolsa Família para itens essenciais (alimentação, saúde, educação) antes de pensar em outros gastos.
- Use o cartão apenas em estabelecimentos confiáveis: prefira supermercados, farmácias e lojas que você conhece.
- Fique de olho nas notificações da Caixa: o aplicativo envia alertas de transações suspeitas.
- Eduque a família sobre os riscos das apostas: converse com os jovens sobre como o jogo pode comprometer a renda familiar.
Visão de futuro: o Bolsa Família em 2026 e além
O calendário de 2026 traz uma estrutura bem definida, mas o programa está em constante evolução. Há discussões no Congresso sobre ampliar o teto de renda per capita, melhorar a cobertura de saúde e inserir componentes de microcrédito para que as famílias possam iniciar pequenos negócios.
Além disso, a digitalização dos pagamentos – via aplicativo e cartão – tem facilitado o acesso, mas também exige maior responsabilidade digital. A tendência é que, nos próximos anos, o governo invista ainda mais em educação financeira, com cursos online gratuitos e parcerias com ONGs.
Resumo rápido
- Calendário 2026 começa em 19/01 e segue ordem de final do NIS.
- Renda per capita máxima: R$ 218.
- CadÚnico é pré‑requisito; faça o cadastro no CRAS.
- Use o app Caixa TEM ou internet banking para receber.
- Novas medidas de Fux visam bloquear apostas com o benefício.
Com essas informações em mãos, você pode se organizar melhor, evitar surpresas e garantir que o Bolsa Família cumpra seu papel de apoio à família. Se ainda tiver dúvidas, procure o CRAS da sua cidade ou acesse o site da Caixa. Boa sorte e que 2026 seja um ano de mais tranquilidade para todos nós.



