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BNDES libera R$ 950 mi para nova usina de etanol de milho na Bahia: o que isso significa para o agronegócio e para o seu bolso

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BNDES libera R$ 950 mi para nova usina de etanol de milho na Bahia: o que isso significa para o agronegócio e para o seu bolso

Quando o BNDES anuncia um financiamento de quase um bilhão de reais, a gente já sabe que tem coisa grande acontecendo. Desta vez, o dinheiro foi destinado à Inpasa Agroindustrial, que vai erguer a sua sexta biorrefinaria em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. Mas, além dos números impressionantes, o que isso traz de concreto para quem vive do campo, para quem trabalha com energia e até para quem paga a conta de luz?



Um investimento que vai além do etanol

A proposta da Inpasa não se resume a produzir álcool combustível. A usina terá capacidade de processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano, gerando 498 milhões de litros de etanol – tanto anidro quanto hidratado – e ainda 248,9 mil toneladas de Dried Distillers Grains (DDG), um subproduto rico em proteína muito usado na ração animal. Além disso, a planta vai extrair 24,862 mil toneladas de óleo vegetal e gerar 185 GWh de energia elétrica, que podem ser injetados na rede local.



Por que a Bahia?

Luís Eduardo Magalhães já é um dos maiores produtores de milho do Brasil. A escolha da cidade faz sentido: o clima seco do interior favorece a safra, a logística de transporte de grãos está bem desenvolvida, e o estado tem políticas de incentivo ao agronegócio. Para quem tem plantio de milho na região, a presença de uma biorrefinaria próxima significa menos custos de transporte e mais oportunidades de vender o grão com valor agregado.



Impacto na geração de empregos

Durante a fase de construção, a Inpasa estima cerca de 300 empregos diretos e mais de 3 mil indiretos – desde fornecedores de máquinas até serviços de alimentação. Quando a usina entrar em operação, a previsão é de 450 a 500 vagas diretas, muitas delas técnicas e de engenharia, mas também posições operacionais. Para a comunidade local, isso pode representar um salto na renda média e um estímulo para novos negócios, como restaurantes, transportadoras e serviços de manutenção.

O que muda para o consumidor de energia?

A produção de 185 GWh de energia elétrica pode ser transformada em energia renovável para a rede. Se parte dessa energia for direcionada para residências e indústrias da região, o efeito pode ser a redução da tarifa de luz, já que a energia de fontes renováveis costuma ter custos operacionais menores. Além disso, o etanol produzido pode ser usado como biocombustível, diminuindo a dependência de gasolina e diesel importados.

Financiamento: Fundo Clima + Finem

Do total de R$ 950 mi, R$ 350 mi vêm do Fundo Clima, criado em 2009 para apoiar projetos que reduzam emissões de gases de efeito estufa. Os outros R$ 600 mi são da linha Finem, que cobre investimentos em setores estratégicos da economia. Essa combinação mostra que o governo está tentando alinhar desenvolvimento econômico com metas ambientais – uma tendência que deve ganhar força nos próximos anos.

Desafios e críticas

Nem tudo são flores. Alguns especialistas apontam que a produção de etanol de milho pode competir com a produção de alimentos, elevando o preço do grão. Há também a preocupação com o uso intensivo de água e fertilizantes, que pode impactar o solo a longo prazo. Por outro lado, a tecnologia moderna das biorrefinarias costuma ser mais eficiente e menos poluente que as instalações antigas.

Como isso afeta o pequeno produtor?

Se você tem uma fazenda de milho, a presença da usina pode abrir novas linhas de crédito, já que bancos costumam oferecer condições melhores para quem tem compradores garantidos. Além disso, o DDG pode ser vendido como ração de alta qualidade, ampliando a diversificação da sua produção. É um bom momento para conversar com cooperativas e avaliar contratos de fornecimento de milho.

Perspectivas para o futuro

O BNDES projeta que a usina atinja capacidade máxima em 2027. Se tudo correr bem, a região pode se tornar um polo de biocombustíveis, atraindo outras empresas do setor. Isso pode gerar um efeito cascata: mais investimentos em infraestrutura, mais pesquisas em biotecnologia e, quem sabe, até a expansão para outros grãos como sorgo.

Em resumo, o financiamento de R$ 950 mi para a Inpasa não é só mais um número grande nos relatórios do BNDES. É um sinal de que o Brasil está buscando transformar o agronegócio em uma cadeia mais integrada, que inclui energia limpa, produtos de alto valor nutricional e geração de empregos. Para quem mora na Bahia, especialmente no interior, isso pode significar mais oportunidades, renda e, talvez, uma conta de luz mais leve nos próximos anos.