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Bilionários batem recorde em 2025: o que isso significa para a nossa democracia e o bolso do cidadão

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Bilionários batem recorde em 2025: o que isso significa para a nossa democracia e o bolso do cidadão

Quando eu li o relatório da Oxfam que saiu nesta segunda‑feira, a primeira coisa que pensei foi: “lá vem mais um daqueles números que parecem distantes da nossa realidade”. Mas, ao olhar mais de perto, dá para perceber que esses números estão cada vez mais ligados ao nosso dia a dia, às decisões políticas e até ao que a gente vê nas redes sociais.



Um recorde assustador

Em 2025, a fortuna coletiva dos bilionários chegou a US$ 18,3 trilhões. São mais de 3 mil pessoas com patrimônio acima de um bilhão de dólares. Para colocar em perspectiva, os 12 mais ricos possuem mais riqueza que a metade mais pobre da humanidade – cerca de quatro bilhões de pessoas.



Por que isso importa?

Não é só uma questão de números. Quando a concentração de riqueza atinge esse nível, o poder econômico se transforma em poder político. A Oxfam aponta que os ultrarricos têm até 4.000 vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. Isso quer dizer que, em vez de representar a maioria, as decisões podem ser moldadas pelos interesses de quem tem mais dinheiro.



Como esse poder se manifesta?

  • Financiamento de campanhas: Nos EUA, estima‑se que 1 em cada 6 dólares gastos nas eleições de 2024 vem de doadores bilionários.
  • Influência nos meios de comunicação: Bilionários podem comprar veículos de mídia, direcionar narrativas e, muitas vezes, silenciar críticas.
  • Lobby e regulação: Empresas gigantes conseguem isenções fiscais e moldam leis que favorecem seus negócios.

O que está acontecendo no cenário global?

O relatório da Oxfam foi divulgado justamente quando o Fórum Econômico Mundial começa em Davos, na Suíça. Lá, os líderes mais ricos e poderosos se reúnem para discutir o futuro da economia, do clima e, curiosamente, de políticas que afetam a maioria sem que a população tenha voz direta.

Em Davos, protestos organizados pela Juventude Socialista Suíça mostraram o descontentamento: “No World Economic Forum – Stop Trump”. Máscaras com rostos de Elon Musk, do chanceler alemão Friedrich Merz e do vice‑presidente americano JD Vance foram usadas para simbolizar o poder dos ultrarricos.

Impactos na vida do brasileiro

Você pode estar se perguntando: “Mas isso acontece lá fora, e eu moro no Brasil, o que muda para mim?”. A resposta está nos efeitos colaterais:

  1. Pressão sobre políticas fiscais: Quando governos dão isenções ou reduzem impostos para grandes corporações, o orçamento público encolhe. Menos recursos para saúde, educação e infraestrutura.
  2. Desigualdade crescente: Estudos mostram que, enquanto a riqueza dos bilionários cresce 16,2% em 2025, a redução da pobreza desacelera desde a pandemia.
  3. Influência nas decisões climáticas: Grandes investidores podem atrasar acordos ambientais se isso comprometer seus lucros.

O que podemos fazer?

Não é só questão de lamentar. Existem caminhos para reduzir esse desequilíbrio:

  • Tributação progressiva: Implementar impostos mais justos sobre grandes fortunas e garantir que eles paguem a taxa mínima global de 15%.
  • Transparência de financiamento político: Exigir que doações de grandes fortunas sejam divulgadas em tempo real.
  • Fortalecimento de mídias independentes: Apoiar veículos que não dependam de grandes patrocinadores.
  • Participação cidadã: Engajar-se em movimentos sociais, pressionar representantes e votar com consciência sobre quem defende políticas mais equitativas.

Um olhar para o futuro

Se a tendência de concentração de riqueza continuar, o risco é que a democracia se torne cada vez mais um palco para os interesses dos mais ricos. Por outro lado, a crescente conscientização e protestos como os de Davos mostram que a população está atenta e pronta para exigir mudanças.

Como cidadão, o melhor caminho é ficar informado, questionar quem está por trás das decisões e apoiar iniciativas que buscam equilibrar o campo de jogo. Afinal, a riqueza pode ser um recurso poderoso – mas só será benéfica se for usada para melhorar a vida de todos, e não apenas de poucos.

Então, da próxima vez que ouvir falar de bilionários batendo recordes, lembre‑se: por trás desses números há implicações reais para a nossa liberdade, nossos direitos e o futuro que queremos construir.