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Barueri lidera ranking de aluguéis: por que morar aqui pesa no bolso?

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Barueri lidera ranking de aluguéis: por que morar aqui pesa no bolso?

Se você está de olho no mercado de aluguel, provavelmente já se deparou com a notícia de que Barueri (SP) é a cidade mais cara do Brasil para se viver de aluguel. O dado vem do Índice FipeZAP, que analisou 36 cidades em dezembro de 2025. Mas, antes de fechar os olhos na cifra de R$ 70,35 por metro quadrado, vale a pena entender o que está por trás desse número e como ele afeta quem pensa em mudar de casa ou renegociar o contrato.



O que significa R$ 70,35/m²? Em termos práticos, um apartamento de 50 m² em Barueri custaria, em média, R$ 3.517,50 por mês. Esse valor já supera o que se pagava em 2024 (R$ 3.270) e coloca a cidade bem à frente da segunda colocada, Belém (PA), que tem R$ 63,69/m². Se você pensa em comparar com a capital paulista, a diferença não é tão grande: São Paulo tem R$ 62,56/m², ou seja, cerca de R$ 3.128 para o mesmo tamanho de imóvel.



Por que Barueri está tão cara? A resposta passa pelo bairro de Alphaville, que concentra grande parte dos empreendimentos de alto padrão. A segmentação do mercado – focada em famílias com maior poder aquisitivo – cria um efeito de valorização que eleva os aluguéis. Paula Reis, economista do Grupo OLX, destaca que o nicho de luxo tende a “contribuir para uma valorização mais acentuada”. Além disso, o investimento municipal em infraestrutura e segurança nos últimos anos tornou a região ainda mais atrativa para empresas e executivos.



Como isso se compara ao resto do país? Enquanto Barueri lidera o ranking, o extremo oposto está no Sul: Pelotas (RS) registra apenas R$ 22,42/m². Em números de 50 m², isso dá R$ 1.121 – quase metade do que se paga em Barueri. Entre as capitais, Teresina (PI) e Aracaju (SE) também aparecem na faixa mais barata, com aluguéis que giram em torno de R$ 1.300 a R$ 1.400.

Essas disparidades revelam como a geografia econômica do Brasil ainda está muito concentrada. Enquanto o Sudeste e o Norte apresentam valores altos, o Sul e o Nordeste oferecem opções mais acessíveis, embora ainda acima da média nacional, que é de R$ 50,98/m² (cerca de R$ 2.549 para 50 m²).

Impactos no dia a dia dos locatários

Para quem já paga aluguel em Barueri, o aumento acima da inflação pode representar um aperto no orçamento. Em 2025, os novos contratos ficaram 9,44% mais caros que em 2024, apesar de a inflação oficial (IPCA) ter sido de apenas 4,26%. Ou seja, o reajuste real foi de quase 5%.

Mas há fatores que podem amenizar essa pressão:

  • Salário mínimo em alta: O governo tem ajustado o salário mínimo acima da inflação, o que ajuda a manter o poder de compra das famílias.
  • Isenção no Imposto de Renda: As novas regras que isentam quem ganha até R$ 5 mil e reduzem a alíquota para quem ganha até R$ 7.350 podem liberar um pouco mais de renda para o pagamento de aluguel.

Mesmo assim, especialistas apontam que o ritmo de alta dos aluguéis deve continuar, ainda que em um ritmo menor, no primeiro semestre de 2026. O cenário econômico ainda é favorável, com a taxa de desemprego em 5,2% – a menor da série histórica recente – indicando um mercado de trabalho robusto.

O que fazer se você está pensando em mudar para Barueri?

Antes de fechar negócio, vale analisar alguns pontos:

  1. Defina seu orçamento: Use a regra de que o aluguel não deve ultrapassar 30% da sua renda líquida. Para um imóvel de 50 m², isso significa ganhar pelo menos R$ 11.700 por mês.
  2. Considere bairros alternativos: Alphaville tem os preços mais altos, mas outras regiões de Barueri podem oferecer valores mais competitivos.
  3. Negocie o contrato: Em tempos de alta, alguns proprietários aceitam prazos maiores ou descontos para pagamentos adiantados.
  4. Analise a infraestrutura: Proximidade de escolas, hospitais e opções de transporte pode compensar um aluguel mais caro.

Visão de futuro: o que esperar dos aluguéis no Brasil?

O FipeZAP indica que, embora a alta tenha desacelerado (4,06 pontos percentuais a menos que em 2024), o mercado ainda está aquecido. A tendência de valorização em cidades com alta concentração de empreendimentos de luxo – como Barueri, Belém e até algumas capitais do Nordeste – deve continuar. Por outro lado, cidades que registraram queda, como Campo Grande (MS) e São José (SC), podem se tornar opções atrativas para quem busca custo-benefício.

Para quem tem flexibilidade de localização, vale ficar de olho nas capitais que apresentaram maiores aumentos: Teresina (+21,81%), Belém (+17,62%) e Aracaju (+16,73%). Esses números podem sinalizar oportunidades de investimento em imóveis para aluguel, já que a demanda tende a crescer junto com a valorização.

Em resumo, morar em Barueri ainda pode ser um bom negócio se você valoriza segurança, infraestrutura e proximidade com centros corporativos. Mas é fundamental fazer as contas, comparar com outras cidades e considerar o impacto dos reajustes acima da inflação. Afinal, um aluguel bem planejado evita surpresas no fim do mês e deixa mais espaço para outras prioridades, como lazer, educação e investimentos.