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Banco Master: Como Reaver seu Dinheiro pelo FGC sem Stress

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Banco Master: Como Reaver seu Dinheiro pelo FGC sem Stress

Se você tinha dinheiro investido em CDBs do Banco Master, provavelmente já deve ter sentido aquele frio na barriga ao saber da liquidação do banco. Mas a boa notícia é que existe um caminho para recuperar parte dos recursos: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Neste post eu explico passo a passo como funciona o processo, o que você pode esperar receber e quais cuidados ter para não perder nada.



O que é o FGC e por que ele existe?

O Fundo Garantidor de Créditos é uma associação privada, sem fins lucrativos, que funciona como um seguro para quem tem dinheiro em bancos. Ele foi criado para proteger depositantes e investidores quando uma instituição financeira entra em crise ou é liquidada. Na prática, o FGC garante até R$ 250 mil por pessoa (CPF ou CNPJ) em cada banco.

Como o FGC atua no caso do Banco Master?

Quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro do ano passado, o liquidante enviou ao FGC a lista completa de credores. A partir daí, o fundo começou a receber pedidos de ressarcimento. Os números são impressionantes:

  • Credores estimados inicialmente: 1,6 milhão; número real: cerca de 800 mil.
  • Valor total a ser pago: R$ 40,6 bilhões (levemente abaixo da estimativa de R$ 41,3 bilhões).

Mas atenção: o pagamento não é imediato. Primeiro, o FGC verifica os documentos, a biometria e a conta bancária informada.



Passo a passo para solicitar o ressarcimento

O processo varia para pessoa física e jurídica, mas o princípio é o mesmo: usar o aplicativo ou o portal do FGC.

Pessoas físicas

  1. Baixe o app do FGC (Google Play ou Apple Store).
  2. Faça o cadastro informando nome completo, CPF e data de nascimento.
  3. Aguarde a liberação da opção “Solicitar pagamento de garantia” – ela só aparece depois que a lista de credores for confirmada.
  4. Informe uma conta corrente ou poupança em seu nome, valide a biometria e envie os documentos solicitados.
  5. Assine o termo de solicitação. O FGC costuma liberar o valor em até 48 horas úteis, se tudo estiver correto.

Pessoas jurídicas

  1. Acesse o Portal do Investidor no site do FGC.
  2. Preencha os dados da empresa e do representante legal.
  3. O fundo enviará um e‑mail com instruções detalhadas.
  4. O pagamento será feito por transferência para a conta‑corrente da empresa (mesmo CNPJ).

Se o credor for um inventariante ou espólio, o FGC trata diretamente com os beneficiários, não sendo possível usar o aplicativo.



Quanto eu realmente recebo?

O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo o valor investido mais os rendimentos acumulados até a data da liquidação. Se o seu investimento ultrapassar esse teto, o que exceder fica sem garantia e entra na fila de credores quirografários – ou seja, depende da massa falida do Banco Master, e não há garantia de pagamento.

Exemplo prático:

  • Você aplicou R$ 200 mil em CDBs com rendimentos de R$ 20 mil até a data da liquidação.
  • O FGC pagará o total de R$ 220 mil, porque está dentro do limite de R$ 250 mil.
  • Se você tivesse R$ 300 mil investidos, receberia R$ 250 mil do FGC e os R$ 50 mil restantes ficariam sujeitos ao processo de falência.

Por que o Banco Master chegou a esse ponto?

Entender o que aconteceu ajuda a evitar armadilhas no futuro. O Master se destacou ao oferecer CDBs com juros até 40% acima da taxa média do mercado. Essa promessa atraiu milhões de investidores, mas a instituição não tinha liquidez suficiente para honrar esses títulos.

Investimentos duvidosos, como a compra de créditos inexistentes da empresa Tirreno e a venda desses mesmos créditos ao BRB sem documentação, deixaram o banco vulnerável. Além disso, o presidente Daniel Vorcaro foi preso em operação da Polícia Federal por suposto esquema de fraudes.

O Banco Central, ao perceber o risco sistêmico, decidiu pela liquidação extrajudicial. O liquidante vendeu ativos, pagou credores garantidos e encerrou as operações. Enquanto isso, o FGC entrou em ação para proteger quem tinha dinheiro nos CDBs.

Dicas para não cair em ciladas semelhantes

  • Verifique a cobertura do FGC: antes de investir, confirme se o produto está dentro das regras (CDB, RDB, LCI, LCA).
  • Fique atento ao rendimento prometido: juros muito acima da média costumam indicar risco elevado.
  • Diversifique: não coloque todo o seu patrimônio em um único banco ou tipo de investimento.
  • Use bancos consolidados: instituições com boa reputação e capitalização tendem a ser menos propensas a falir.
  • Monitore notícias financeiras: mudanças regulatórias ou processos judiciais podem impactar seus investimentos.

O que fazer agora?

Se você ainda não enviou seu pedido ao FGC, a primeira ação é baixar o aplicativo e cadastrar seus dados. O processo pode parecer burocrático, mas vale a pena para garantir o que é seu por direito.

Se o valor investido ultrapassar R$ 250 mil, procure orientação de um advogado especializado em direito bancário. Ele pode ajudar a entrar na fila de credores quirografários e avaliar a chance de recuperação dos valores excedentes.

Por fim, mantenha a calma. O FGC tem um histórico sólido de pagamentos e, apesar dos prazos de 14 a 40 dias nas últimas liquidações, a maioria dos credores recebe o que lhe é devido.

Ficou com alguma dúvida? O FGC disponibiliza o e‑mail [email protected] para esclarecimentos. Também vale acompanhar as atualizações no próprio app, que envia notificações sobre o status do seu pedido.