A gente costuma confiar na etiqueta do azeite como se fosse um selo de qualidade. Quando o nome da marca aparece na lista de compras, imagino que o líquido dourado vai ser puro, saudável e, claro, dar aquele toque especial nas saladas. Mas, nesta quinta‑feira (22), a Anvisa deu um basta ao azeite da marca **Terra das Oliveiras**. A proibição chegou ao Diário Oficial da União e, de repente, aquele frasco de 500 ml que eu tinha na despensa virou motivo de preocupação.
## Por que a Anvisa baniu o produto?
A decisão não foi um mero capricho. Segundo a agência, o azeite anunciado tem **origem desconhecida** e foi encontrado à venda na plataforma Shopee. Quando a procedência não pode ser comprovada, abre‑se a porta para fraudes como adulteração, mistura de óleos vegetais diferentes e até falsificação de rótulos. A Anvisa listou ainda que a empresa responsável pela importação – a **JJ – Comercial de Alimentos Limitada** – está extinta desde 8 de janeiro de 2025, o que impossibilita qualquer rastreamento oficial.
## Como funciona a fraude de azeite no Brasil?
A prática de adulterar azeite não é nova. Nos últimos anos, cerca de 50 marcas foram alvo de sanções. O que costuma acontecer?
– **Mistura de óleos vegetais**: ao invés de usar 100 % de azeite de oliva, inserem soja, canola ou girassol para abaratar custos.
– **Rotulagem enganosa**: o frasco diz “extra virgem” quando, na verdade, o produto não cumpre os padrões de acidez e sabor exigidos.
– **Importadores sem CNPJ**: empresas que operam sem registro legal conseguem trazer produtos sem a devida fiscalização.
Essas fraudes não são apenas uma questão de “preço”. Elas podem comprometer a saúde do consumidor, já que óleos diferentes têm perfis nutricionais distintos e podem conter resíduos de pesticidas ou aditivos não permitidos.
## O que eu devo fazer se já comprei esse azeite?
Se o seu armário ainda tem um frasco da **Terra das Oliveiras**, a orientação oficial é simples:
1. **Pare de consumir imediatamente** – mesmo que o sabor pareça normal, a composição pode ser diferente da que você espera.
2. **Guarde a nota fiscal** – ela será útil caso você queira solicitar a substituição ou o reembolso.
3. **Entre em contato com o estabelecimento** – o Código de Defesa do Consumidor garante o direito à troca ou ao reembolso sem custos.
4. **Denuncie** – use o canal oficial Fala.BR para registrar a venda de produtos proibidos. Quanto mais denúncias, mais rápido as autoridades conseguem agir.
Caso ainda não tenha comprado, mas quer evitar problemas, vale a pena conferir duas ferramentas que o Ministério da Agricultura disponibiliza:
– **Cadastro Geral de Classificação (CGC)**: verifica se a importadora ou produtora está registrada e, portanto, sujeita à fiscalização.
– **Lista da Anvisa de produtos falsificados**: basta digitar o nome da marca e saber se ela está irregular.
## Dicas práticas para escolher um azeite de verdade
Comprar azeite pode ser tão simples quanto seguir alguns passos de observação:
– **Olhe o rótulo**: procure por “extra virgem”, “prensagem a frio” e a indicação da origem (ex.: “Portugal – Alentejo”).
– **Verifique a data de validade**: azeite deteriora com o tempo, principalmente se exposto à luz.
– **Prefira garrafas escuras**: a cor protege o óleo da oxidação.
– **Cheque o preço**: se o preço está muito abaixo da média do mercado, desconfie.
– **Use o CGC**: acesse o site do Ministério da Agricultura e confirme se a empresa está cadastrada.
Essas pequenas checagens ajudam a garantir que o que chega à sua cozinha seja realmente azeite de oliva puro, sem “surpresas” indesejadas.
## O panorama geral: 25 marcas proibidas em 2025
A proibição da **Terra das Oliveiras** não aconteceu isoladamente. Em 2025, outras 24 marcas foram vetadas, somando um total de 25 marcas que não podem ser comercializadas no país. Entre os motivos mais citados estão a presença de óleos vegetais diferentes, falhas nas exigências sanitárias das instalações e a falta de licenciamento junto à Anvisa.
Essas ações conjuntas da Anvisa e do Ministério da Agricultura têm um objetivo claro: proteger o consumidor e garantir que o mercado de azeite no Brasil evolua para padrões mais transparentes. Ainda assim, a realidade mostra que ainda há muito caminho a percorrer. A cada nova denúncia, mais empresas são fiscalizadas, mas também surgem novos atores tentando driblar a lei.
## O que podemos esperar para o futuro?
A tendência é que a fiscalização se torne ainda mais rigorosa, especialmente com o crescimento das vendas online. Plataformas como a Shopee já demonstram que podem agir rapidamente ao remover anúncios, mas o desafio está em monitorar milhões de listagens diariamente.
Para nós, consumidores, a melhor estratégia continua sendo a informação. Manter-se atento às notícias, usar as ferramentas de verificação e, sobretudo, não hesitar em questionar a procedência dos produtos que levamos para casa. Afinal, cozinhar com azeite de qualidade não é só uma questão de sabor, mas de saúde e de respeito ao nosso próprio bolso.
Se você já passou por alguma situação parecida – seja encontrando um produto proibido ou tendo dúvidas sobre a procedência de um alimento – compartilhe nos comentários. A troca de experiências ajuda a construir um consumo mais consciente e seguro para todos.
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**Referências úteis**
– [Ferramenta de consulta da Anvisa](https://www.anvisa.gov.br) – verifique se um produto está irregular.
– [Cadastro Geral de Classificação (CGC) do Ministério da Agricultura](https://www.gov.br/agricultura) – confirme o registro de empresas.
– [Canal Fala.BR](https://www.gov.br/fala.br) – denuncie produtos proibidos.
Com informação e atenção, podemos transformar a cozinha em um espaço ainda mais saudável e livre de fraudes.



