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Argentina e EUA firmam acordo sobre minerais críticos: o que isso significa para o Brasil?

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Argentina e EUA firmam acordo sobre minerais críticos: o que isso significa para o Brasil?

Na última quarta‑feira (4), a Argentina e os Estados Unidos assinaram um acordo que promete mudar o cenário da mineração de minerais críticos na América do Sul. Eu acompanho essas notícias de perto porque, apesar de o tratado ser entre dois países, ele tem reflexos diretos no Brasil – seja nas cadeias de suprimento, nos investimentos ou até nas oportunidades de emprego.



Por que os minerais críticos estão no centro das discussões?

Quando falamos de “minerais críticos”, estamos falando de recursos como lítio, cobre, cobalto e níquel. Eles são essenciais para a produção de baterias, veículos elétricos, energias renováveis e até para aparelhos eletrônicos que usamos no dia a dia. A demanda global por esses materiais está crescendo a passos largos, impulsionada pela transição energética.

O acordo argentino‑americano tem como objetivo tornar a cadeia de suprimento desses minerais mais segura e previsível. Em termos simples, isso significa que investidores e empresas podem contar com regras claras, menos riscos políticos e incentivos de longo prazo para explorar e processar esses recursos.



O que o acordo traz na prática?

  • Fortalecimento das cadeias de valor: Criação de rotas de exportação mais estáveis, com menos gargalos logísticos.
  • Atração de investimentos: Condições mais atrativas para capital estrangeiro, especialmente de fundos que buscam projetos de longo prazo.
  • Desenvolvimento tecnológico: Cooperação em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de extração e processamento mais limpas.
  • Segurança de abastecimento: Redução da dependência de poucos fornecedores, algo que preocupa tanto a indústria americana quanto a europeia.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, as exportações de mineração já atingiram US$ 6,04 bilhões em 2025, com crescimento anual próximo de 30 %. O governo argentino vê esse número como um ponto de partida para alavancar ainda mais o setor nos próximos anos.



Impactos para o Brasil

Você pode estar se perguntando: “E o Brasil, onde entra nisso tudo?” A resposta está nos três principais vetores de conexão entre nossos países:

  1. Integração das cadeias de suprimento: Muitas das minas de cobre e lítio que abastecem a Argentina ficam próximas às fronteiras brasileiras, especialmente nas regiões de Rio Grande do Sul e Paraná. Um acordo que estabiliza a produção argentina pode abrir portas para que empresas brasileiras participem da extração, beneficiamento e exportação conjunta.
  2. Investimentos cruzados: Empresas brasileiras de mineração, como a Vale, já demonstram interesse em diversificar seu portfólio de minerais críticos. Com regras claras nos EUA e na Argentina, fica mais fácil captar recursos de fundos americanos que buscam projetos sustentáveis na América Latina.
  3. Desenvolvimento regional: A mineração tem potencial de gerar empregos qualificados em áreas que ainda dependem muito da agroindústria. Se a Argentina conseguir atrair investimentos e criar polos de processamento, o Brasil pode seguir o mesmo caminho, especialmente nas regiões de Minas Gerais e Goiás, que já têm experiência em mineração de cobre.

Além disso, o acordo reforça a importância de políticas de estabilidade macroeconômica. O Brasil tem trabalhado para melhorar seu ambiente de negócios, e observar como a Argentina está estruturando incentivos (como o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos – RIGI) pode servir de inspiração.

Desafios e pontos de atenção

Nem tudo são flores. Existem alguns riscos que precisamos monitorar:

  • Dependência de tecnologia estrangeira: Embora o acordo preveja cooperação tecnológica, ainda há risco de que o know‑how fique concentrado nas mãos de poucos players americanos.
  • Impactos ambientais: A mineração de lítio e cobre pode gerar danos se não houver regulação rigorosa. O Brasil já tem experiência com licenciamento ambiental complexo, mas a pressão por resultados rápidos pode enfraquecer a fiscalização.
  • Volatilidade de preços: Os minerais críticos são commodities sensíveis a oscilações de demanda global. Um superávit repentino pode reduzir preços e afetar a rentabilidade dos projetos.

É essencial que governos, empresas e sociedade civil trabalhem juntos para garantir que o desenvolvimento seja sustentável, tanto economicamente quanto ecologicamente.

O que podemos esperar nos próximos anos?

Se as projeções da Argentina forem cumpridas – 100 biliões de dólares em exportações totais nos próximos sete anos, com a mineração representando até US$ 30 biliões até o final da década – o mapa de investimentos na região mudará drasticamente. Eu imagino um cenário em que:

  1. Novos corredores de transporte (ferrovias e rodovias) serão construídos para ligar minas argentinas a portos nos EUA e, potencialmente, a portos brasileiros.
  2. Parcerias de pesquisa entre universidades brasileiras e americanas surgirão para desenvolver processos de extração menos agressivos ao meio ambiente.
  3. Startups focadas em reciclagem de baterias encontrarão oportunidades de negócio tanto na Argentina quanto no Brasil, fechando o ciclo dos minerais críticos.

Para quem acompanha o mercado de energia limpa, esse acordo pode ser visto como um sinal de que a América do Sul está se posicionando como um polo estratégico para a nova economia verde.

Como você pode se preparar?

Se você é estudante, profissional da área de engenharia, ou simplesmente alguém interessado em oportunidades de carreira, vale a pena:

  • Buscar cursos ou especializações em mineração de minerais críticos e sustentabilidade.
  • Ficar de olho em editais de financiamento que podem surgir a partir de parcerias bilaterais.
  • Acompanhar notícias sobre infraestrutura de transporte na região – ferrovias, portos e projetos de energia.

Para investidores, a dica é observar fundos que já têm exposição a empresas de mineração de cobre e lítio, e avaliar como a estabilidade trazida pelo acordo pode reduzir o risco‑país da Argentina.

No fim das contas, o que começou como um encontro entre o secretário de Estado americano Marco Rubio e o presidente argentino Javier Milei pode se transformar em uma oportunidade real para o Brasil se inserir mais profundamente na cadeia global de minerais críticos. Fique atento, porque as próximas semanas vão trazer detalhes sobre projetos específicos, e quem estiver preparado poderá aproveitar essa nova onda de crescimento.