Se você tem um contrato de aluguel ou está pensando em alugar um apartamento, provavelmente já percebeu que o valor parece estar subindo a cada ano. Os dados mais recentes do Índice FipeZAP mostram que, em 2025, o preço médio dos novos contratos residenciais aumentou 9,44% em relação ao ano anterior. Parece muito, né? Ainda mais quando a inflação oficial – o IPCA – ficou em 4,26%.
Mas o que está por trás desse número? Por que o aluguel está subindo quase o dobro da inflação e como isso afeta a vida de quem paga a conta todo mês? Neste post eu vou destrinchar os principais fatores, analisar as cidades que mais sentiram a alta e dar dicas práticas para quem quer se proteger desse aumento.
Entendendo o número: 9,44% de alta real
Primeiro, vamos colocar os números em perspectiva. O FipeZAP calcula a variação a partir de anúncios de imóveis publicados na internet, o que dá uma boa ideia do que está sendo negociado no mercado. Em 2025, o preço médio do aluguel chegou a R$ 50,98 por metro quadrado. Para um apartamento de 50 m², isso significa um contrato médio de R$ 2.549, um aumento de R$ 143 em relação a 2024.
Se descontarmos a inflação de 4,26%, ainda sobram 4,97% de alta real – ou seja, quase 5% a mais que o aumento geral de preços no país. Esse “extra” não é pequeno quando a gente pensa em um orçamento apertado.
Por que o aluguel está subindo mais que a inflação?
Segundo a economista Paula Reis, do Grupo OLX, a resposta está ligada ao desempenho da economia brasileira, especialmente ao mercado de trabalho. A taxa de desemprego chegou a 5,2% no último trimestre, a menor da série histórica iniciada em 2012. Mais gente empregada significa mais poder de compra, o que mantém a demanda por moradia em alta.
Durante a pandemia, os aluguéis tiveram uma queda real porque muitas pessoas perderam renda e os proprietários tiveram que reduzir os preços para atrair inquilinos. Agora, esse “efeito de depressão” já foi compensado, e o mercado voltou a aquecer.
Cidades que mais sentiram o peso do aumento
O levantamento do FipeZAP cobre 36 cidades. Das capitais, as maiores altas foram:
- Teresina (PI): +21,81%
- Belém (PA): +17,62%
- Aracaju (SE): +16,73%
- Vitória (ES): +15,46%
Essas quatro cidades lideram o ranking geral, mas a cidade mais cara da lista é Barueri, no interior de São Paulo, onde o aluguel médio chegou a R$ 70,35/m². Em um apartamento de 50 m², isso dá cerca de R$ 3.517,50 por mês.
Se olharmos só as capitais, Belém ocupa o primeiro lugar com R$ 63,69/m², seguida de São Paulo (R$ 62,56/m²) e Recife (R$ 60,89/m²). Por outro lado, a cidade com o metro quadrado mais barato é Pelotas (RS), com R$ 22,42/m².
O que pode mudar no futuro?
Paula Reis acredita que o ritmo de alta deve continuar no primeiro semestre de 2026, mas desacelerar. Dois fatores podem suavizar a pressão:
- Aumento do salário mínimo acima da inflação: Se o governo ajustar o piso salarial de forma mais agressiva, as famílias terão mais renda disponível para pagar aluguel.
- Reforma do Imposto de Renda: A nova faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil e a redução progressiva de alíquotas até R$ 7.350 podem deixar mais dinheiro no bolso dos contribuintes de baixa e média renda.
Mesmo assim, o cenário ainda é de demanda alta, principalmente nas regiões metropolitanas onde a oferta de imóveis para locação não acompanha o crescimento populacional.
Como se proteger desse aumento?
Se você está preocupado com a alta dos aluguéis, aqui vão algumas estratégias práticas:
- Negocie o reajuste: Muitos contratos permitem negociação antes do vencimento. Se você tem um bom histórico de pagamento, vale a pena pedir um ajuste menor que o índice oficial.
- Considere mudar de bairro: Às vezes, mudar para uma região menos valorizada pode reduzir o aluguel em até 30%, sem perder muita qualidade de vida.
- Compartilhe o espaço: Alugar um apartamento maior e dividir com um colega pode diluir o custo e ainda trazer companhia.
- Fique de olho nas políticas públicas: Programas de habitação popular ou incentivos ao aluguel social podem surgir e oferecer opções mais acessíveis.
Além disso, mantenha um fundo de emergência. Um colchão financeiro de, no mínimo, três a seis meses de despesas ajuda a enfrentar aumentos inesperados sem entrar em dívidas.
Conclusão
O salto de quase 10% nos aluguéis residenciais em 2025 não é apenas um número frio de estatística; ele reflete a combinação de uma economia em recuperação, um mercado de trabalho forte e políticas que ainda não conseguiram equilibrar oferta e demanda. Para quem paga aluguel, isso significa que o orçamento precisa ser revisitado, que a negociação ganha ainda mais importância e que a busca por alternativas – como mudar de bairro ou dividir o imóvel – pode ser a chave para manter as finanças sob controle.
Fique atento às próximas divulgações do FipeZAP e às mudanças nas políticas de salário mínimo e Imposto de Renda. Elas vão influenciar diretamente o quanto você vai pagar no próximo contrato.



