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Alphabet compra a Intersect: o que a aposta de US$ 4,75 bi em energia limpa significa para o futuro da IA

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Alphabet compra a Intersect: o que a aposta de US$ 4,75 bi em energia limpa significa para o futuro da IA

Quando a Alphabet, controladora do Google, anuncia um investimento da ordem de bilhões de dólares, a gente sente que algo grande está acontecendo. Na segunda‑feira (22), a empresa revelou a compra da desenvolvedora de energia limpa Intersect por US$ 4,75 bilhões em dinheiro – e ainda assumiu as dívidas da companhia.

Por que a Alphabet está investindo tanto em energia?

Não é só uma questão de “ser verde”. O principal motor dessa decisão é a necessidade crescente de energia para alimentar a explosão da inteligência artificial (IA). Cada vez que lançamos um modelo de IA generativa – como o ChatGPT ou o Gemini do Google – estamos falando de dezenas, às vezes centenas, de milhares de servidores rodando 24 horas por dia. E esses servidores são famintos por eletricidade.

Nos Estados Unidos, as redes elétricas já estão sentindo o peso dessa demanda. A IA está empurrando a necessidade de energia para níveis que nem as concessionárias estavam preparadas para suportar. Assim, as gigantes da tecnologia começam a olhar para a fonte: produzir sua própria energia limpa, estável e, principalmente, barata.

O que a Intersect traz para a mesa?

A Intersect não é apenas um nome bonito. Ela possui cerca de US$ 15 bilhões em ativos, incluindo projetos já em operação e outros ainda em construção. A meta é chegar a 10,8 gigawatts de capacidade até 2028 – o que equivale a mais de 20 vezes a energia gerada pela usina de Hoover, nos EUA.

Esses gigawatts são fundamentais para duas frentes:

  • Data centers sustentáveis: parques industriais projetados para abrigar milhares de servidores, alimentados por energia renovável.
  • Armazenamento de energia: projetos como o Quantum, no Texas, que combinam baterias de última geração com fontes solares e eólicas, garantindo que a energia esteja disponível mesmo quando o sol não brilha.

Ao assumir esses projetos, a Alphabet garante que parte da sua enorme pegada energética será suprida por fontes limpas, reduzindo custos operacionais e, ao mesmo tempo, atendendo a demandas regulatórias e de imagem corporativa.

Como a compra se encaixa na estratégia da Alphabet

Essa não é a primeira jogada da Alphabet no setor de energia. No início de março, a empresa de serviços públicos NextEra ampliou a parceria com o Google Cloud para desenvolver novas fontes de energia nos EUA. Além disso, em dezembro passado, o Google, junto da TPG Rise Climate, investiu mais de US$ 800 milhões na Intersect.

Esses movimentos revelam um padrão: a Alphabet está construindo um ecossistema energético próprio, onde a produção, o armazenamento e o consumo de energia são controlados de ponta a ponta. Isso traz três grandes benefícios:

  1. Segurança de abastecimento: menos dependência de terceiros e menos risco de apagões que podem interromper treinamentos de IA.
  2. Redução de custos: energia renovável costuma ter preço mais estável a longo prazo, o que ajuda a equilibrar a conta de operação dos data centers.
  3. Imagem e compliance: investidores, clientes e reguladores estão cada vez mais exigentes quanto à sustentabilidade. Uma operação “verde” ajuda a Alphabet a manter sua reputação.

Impactos para o Brasil e para quem acompanha a tecnologia

Embora o negócio seja focado nos EUA, ele tem reflexos globais, inclusive aqui no Brasil. Primeiro, ele sinaliza que a corrida por energia limpa está diretamente ligada ao desenvolvimento da IA. Isso pode incentivar empresas brasileiras – de energia, tecnologia e até startups – a buscar parcerias ou a investir em projetos semelhantes.

Segundo, o Brasil já tem um portfólio robusto de energia renovável, principalmente hidrelétrica, mas também eólica e solar. Se gigantes como a Alphabet começarem a olhar para o nosso país como fonte de energia limpa para seus data centers, podemos ver investimentos em novos parques solares no Nordeste ou parques eólicos no Sul, por exemplo.

Por fim, para quem trabalha ou se interessa por IA, entender que a energia é um gargalo – e não apenas o algoritmo – ajuda a planejar carreiras e projetos. Profissionais de engenharia elétrica, gestão de energia e sustentabilidade podem se tornar peças-chave em equipes de IA.

Prós e contras da aquisição

Prós

  • Escalabilidade: a Alphabet garante acesso a uma capacidade de geração que pode crescer conforme a demanda por IA aumenta.
  • Inovação em armazenamento: projetos como o Quantum podem servir de laboratório para novas tecnologias de baterias, que depois podem ser aplicadas em outros setores.
  • Alinhamento regulatório: ao produzir energia limpa, a empresa se coloca à frente de possíveis regulações que taxem ou limitem o uso de fontes fósseis.

Contras

  • Risco financeiro: assumir dívidas e investir bilhões em projetos ainda em construção pode gerar perdas caso a demanda por IA desacelere.
  • Complexidade operacional: gerenciar usinas de energia, baterias e data centers simultaneamente exige expertise que a Alphabet ainda está desenvolvendo.
  • Dependência de políticas locais: mudanças nas políticas energéticas dos EUA podem impactar a rentabilidade dos projetos.

O futuro dos data centers alimentados por energia limpa

Imagine um futuro onde cada grande data center tem ao lado um parque solar ou eólico, com baterias que armazenam energia para os períodos de pico. Esse cenário já está se materializando em alguns lugares, mas ainda está longe de ser a regra.

A compra da Intersect pode acelerar essa transição. Se a Alphabet conseguir provar que operar data centers 100 % renováveis é viável e rentável, outras empresas – Amazon, Microsoft, Meta – provavelmente seguirão o mesmo caminho. O efeito cascata pode gerar um boom de investimentos em energia limpa, impulsionando ainda mais a transição global para fontes sustentáveis.

Como você pode se beneficiar dessa tendência

Mesmo que você não seja dono de um data center, há maneiras de tirar proveito desse movimento:

  • Investimento: fundos de energia renovável ou ETFs que focam em empresas de tecnologia verde podem ser oportunidades de investimento.
  • Carreira: cursos de energia renovável, storage e gestão de data centers são cada vez mais demandados.
  • Consumo consciente: ao escolher serviços de nuvem, dê preferência a provedores que já adotam energia limpa. Isso pode reduzir sua pegada de carbono.

Conclusão

A compra da Intersect pela Alphabet não é só mais um negócio de bilhões de dólares. É um sinal claro de que a energia limpa está se tornando parte integrante da revolução da IA. Para o Brasil, isso pode abrir portas para novos investimentos e para a consolidação de um mercado de energia renovável ainda mais forte. Para quem acompanha tecnologia, a mensagem é simples: entender de energia pode ser tão importante quanto entender de algoritmos.

E você, já pensou em como a energia limpa pode impactar o seu trabalho ou os seus investimentos? Compartilhe sua opinião nos comentários – adoro trocar ideias sobre esse cruzamento entre tecnologia e sustentabilidade.