Nas últimas semanas, você deve ter visto nas redes sociais aquele aviso que parece muito oficial: “FGC: Boa notícia, seu dinheiro do Banco Master já está liberado para devolução. Ligue agora!” Junto com a mensagem, surgiram imagens de um aplicativo chamado “Ressarcimento” que prometia mostrar o valor devolvido em tempo real. A primeira reação é de alívio – afinal, quem investiu no Master quer receber o que é seu o quanto antes. Mas, como costuma acontecer, nem tudo que reluz é ouro.
O que está rolando aqui é um golpe bem estruturado, que se aproveita da confiança que depositamos no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC, para quem não conhece, funciona como um seguro para investimentos em bancos. Quando um banco entra em crise, como aconteceu com o Banco Master, o fundo garante a devolução de até R$ 250 mil por investidor. Até aí, tudo bem. O problema nasce quando golpistas criam falsos canais de comunicação, como o aplicativo “Ressarcimento” e mensagens de texto, fingindo ser o próprio FGC.
Como o golpe se apresenta?
Desde 12 de janeiro, links para o suposto aplicativo foram compartilhados no Facebook, Instagram e X. O layout é bem parecido com o do FGC: tons de azul‑escuro, texto branco e frases como “Acompanhe seu ressarcimento em tempo real”. O objetivo é gerar credibilidade instantânea. Além do app, há SMS que pedem ao investidor que ligue para um número de telefone que supostamente seria uma central do FGC. A mensagem costuma dizer algo como:
FGC: Boa notícia. Os valores investidos no CDB do Banco Master estão liberados para devolução. Ligue agora: 11 9999‑8888
Essas comunicações são projetadas para criar urgência. Quem recebe pensa que, se não agir rápido, pode perder o dinheiro.
Por que isso é perigoso?
Ao instalar o aplicativo falso, o usuário pode estar baixando um trojan bancário – um tipo de malware especializado em roubar informações de contas bancárias. Segundo Thiago Bordini, da Cyber Horizon Group, esse tipo de vírus pode coletar dados de login, capturar telas, e até controlar o celular à distância. Em outras palavras, ao invés de receber seu dinheiro de volta, você pode acabar entregando senhas, documentos e ter sua conta esvaziada.
Além do risco tecnológico, há o risco financeiro direto: os golpistas pedem que o investidor faça um pagamento antecipado ou forneça dados pessoais para “acelerar” o processo. Naturalmente, quem já está preocupado com a situação do Master pode cair nessa armadilha.
O que o FGC realmente está fazendo?
O FGC já começou a pagar os credores afetados pelo Banco Master. Até o momento, 337 mil investidores já tiveram seus recursos iniciados para devolução, totalizando R$ 40,6 bilhões. Tudo isso está sendo feito pelos canais oficiais: o site www.fgc.org.br, o aplicativo oficial do FGC e as páginas verificadas nas redes sociais. Não há nenhum contato via WhatsApp, SMS ou telefone que não seja anunciado nos canais oficiais.
Como se proteger?
- Desconfie de links e aplicativos não oficiais. Verifique sempre se o app está na Google Play ou Apple Store e se o desenvolvedor corresponde ao FGC.
- Não forneça dados pessoais ou bancários em respostas a mensagens inesperadas. O FGC nunca pede senhas, documentos ou pagamentos adiantados.
- Use somente os canais oficiais. Acompanhe o andamento do seu ressarcimento pelo site ou app oficial do FGC.
- Instale um antivírus confiável. Ele pode identificar e bloquear trojans antes que causem danos.
Se receber alguma mensagem suspeita, a melhor atitude é entrar em contato direto pelos canais oficiais do FGC e relatar o caso. Eles costumam atualizar a página de Fato ou Fake com as últimas tentativas de golpe.
O que podemos aprender com esse caso?
Primeiro, a importância de checar a fonte. Mesmo que a mensagem pareça vir de uma instituição séria, o formato – um link, um app, um número de telefone – pode ser um indicativo de fraude. Segundo, a necessidade de manter nossos dispositivos seguros, com atualizações e softwares de proteção. Por fim, entender que processos de ressarcimento em larga escala, como o do Banco Master, são complexos e podem levar tempo. A pressa criada pelos golpistas é, na verdade, um convite ao erro.
Se você ainda tem dúvidas ou quer acompanhar o andamento do seu ressarcimento, acesse o site do FGC, baixe o aplicativo oficial e siga as instruções lá. Qualquer contato que peça algo fora do padrão oficial deve ser considerado suspeito.
Fique atento, compartilhe essa informação com quem você conhece e ajude a impedir que mais pessoas caiam nesse tipo de golpe. A informação é a nossa melhor defesa.



