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Aeronautas fecham acordo e evitam greve: o que isso muda para quem viaja e trabalha na aviação

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Aeronautas fecham acordo e evitam greve: o que isso muda para quem viaja e trabalha na aviação

Na última semana, os aeronautas associados ao Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) aprovaram a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para 2025 e 2026. A decisão foi tomada de forma eletrônica, com 65,93% dos votos a favor, e acabou cancelando a assembleia que seria usada para deliberar sobre uma possível greve. Para quem não está familiarizado com o universo da aviação civil, pode parecer mais um detalhe burocrático, mas na prática esse acordo tem reflexos diretos no seu bolso, na qualidade do serviço a bordo e até na segurança dos voos.

Quem são os aeronautas?

Quando falamos de “aeronautas”, estamos falando de um grupo bem diversificado: pilotos, copilotos, comissários de bordo e outros profissionais que passam a maior parte do tempo dentro de uma aeronave. Eles são responsáveis por garantir que o voo saia do chão, siga o plano de voo e, sobretudo, chegue ao destino com segurança. Por isso, as negociações trabalhistas desse setor costumam receber muita atenção – tanto dos trabalhadores quanto das empresas aéreas e do governo.

O que foi negociado?

O acordo aprovado traz duas mudanças principais:

  • Reajuste salarial: o salário será corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais 0,5%, totalizando um aumento de 4,68%.
  • Vale‑alimentação: haverá um acréscimo de 8% no benefício.

Além disso, a negociação foi mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), o que traz uma camada extra de segurança jurídica para ambas as partes.

Por que o acordo é importante para o passageiro?

Você pode estar se perguntando: “E eu, que não sou aeronauta, como isso me afeta?”. A resposta está em três pontos:

  1. Estabilidade nos serviços: ao evitar uma greve, as companhias aéreas mantêm suas rotas e horários. Isso significa menos cancelamentos e menos dor de cabeça para quem tem viagem marcada.
  2. Qualidade do atendimento: profissionais que se sentem valorizados tendem a prestar um serviço melhor. Um comissário de bordo satisfeito provavelmente será mais atencioso e um piloto motivado pode contribuir para um voo ainda mais seguro.
  3. Previsibilidade de custos: o aumento salarial de 4,68% pode, em teoria, refletir nos custos operacionais das companhias, mas como o reajuste segue o INPC, ele está alinhado à inflação e não gera um salto inesperado nos preços das passagens.

O que teria acontecido se a greve fosse aprovada?

Uma greve de aeronautas tem potencial de paralisar grande parte da malha aérea nacional. Em 2022, por exemplo, houve uma paralisação no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (São Paulo), que gerou atrasos e cancelamentos significativos. Se a greve tivesse ocorrido agora, poderíamos ter visto:

  • Cancelamento de voos domésticos e internacionais, afetando milhares de passageiros.
  • Pressão sobre as companhias para contratar mão‑de‑obra temporária, o que pode comprometer a segurança.
  • Possíveis aumentos de tarifas para compensar perdas financeiras.

A decisão de aprovar o acordo, portanto, protege não só os trabalhadores, mas também o consumidor final.

O papel do Ministério de Portos e Aeroportos

O Ministério comemorou a aprovação, destacando que o acordo traz “ajustes em pontos relevantes das reivindicações trabalhistas, garantindo segurança jurídica e estabilidade para o setor”. Essa fala reflete a preocupação do governo em manter o crescimento da aviação brasileira, que tem registrado números recordes de passageiros nos últimos anos.

Próximos passos e o que observar

Com a CCT renovada, o próximo ciclo de negociações deve acontecer em 2027. Enquanto isso, alguns pontos merecem atenção:

  • Fiscalização dos reajustes: é importante que as empresas apliquem corretamente o INPC + 0,5% nos salários.
  • Impacto nos benefícios: o aumento de 8% no vale‑alimentação pode melhorar a qualidade de vida dos comissários, mas vale acompanhar se esse benefício será mantido nos próximos anos.
  • Possíveis demandas futuras: questões como jornada de trabalho, condições de descanso e políticas de saúde mental ainda podem surgir nas próximas negociações.

Como isso afeta a sua rotina de viagem?

Se você costuma viajar a trabalho ou a lazer, aqui vão três dicas práticas:

  1. Fique de olho nas notícias de última hora: embora a greve tenha sido evitada, o cenário pode mudar. Inscreva-se em alertas de companhias aéreas ou aplicativos de monitoramento de voos.
  2. Planeje com margem de segurança: ao reservar voos, dê preferência a horários que permitam reagendar caso haja algum imprevisto.
  3. Valorize o serviço a bordo: reconheça o esforço dos profissionais que tornam a viagem possível. Um simples “obrigado” pode fazer a diferença no dia a dia deles.

Conclusão

O acordo entre aeronautas e o TST mostra como a negociação coletiva pode ser a melhor saída para evitar conflitos que prejudicam toda a cadeia da aviação. Para nós, passageiros, o resultado é mais tranquilidade, menos risco de interrupções e um serviço potencialmente melhor. Para os aeronautas, é a garantia de um reajuste justo e de benefícios que ajudam a manter a qualidade de vida.

Em tempos de crescimento acelerado da aviação brasileira, manter o equilíbrio entre demandas trabalhistas e sustentabilidade das empresas é essencial. E, enquanto isso, a próxima viagem que você fizer pode ser mais tranquila graças a esse acordo que acabou de ser aprovado.