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Acordo UE‑Mercosul: O que o novo tratado significa para o agro brasileiro

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Acordo UE‑Mercosul: O que o novo tratado significa para o agro brasileiro

Na última semana, o Mercosul e a União Europeia fecharam um acordo comercial que cria uma zona de livre comércio entre os dois blocos. Para quem acompanha o agronegócio, a notícia vem como um sopro de esperança: o Brasil já era um grande fornecedor da Europa e agora tem a chance de aprofundar ainda mais essa relação. Mas, como tudo na vida, há detalhes que vale a pena entender antes de comemorar.



Por que o acordo é importante?

O Brasil tem a UE como seu segundo maior mercado de exportação, logo atrás da China. Produtos como soja, milho, carne bovina e café já chegam às prateleiras europeias em grandes volumes. O acordo elimina tarifas sobre muitos desses itens, o que pode reduzir custos e tornar nossos produtos mais competitivos frente a outros produtores, como Argentina, Austrália e Estados‑Unidos.



Quais produtos vão ganhar mais?

Alguns setores já são apontados como os maiores beneficiados:

  • Soja e derivados: a tarifa de 10% será zerada, facilitando a entrada de farelo e óleo.
  • Carne bovina e suína: a UE abre espaço para cortes premium, mas ainda mantém restrições sanitárias.
  • Produtos lácteos especiais, como queijo parmesão e gorgonzola produzidos no Brasil, poderão usar os mesmos nomes de origem, o que aumenta o valor de marca.
  • Frutas e hortaliças: acesso mais rápido a mercados de nicho, como frutas vermelhas e abacate.

Desafios que ainda permanecem

Nem tudo são flores. O acordo traz algumas exigências que o agro brasileiro precisará atender:

  • Respeito às normas sanitárias europeias, que são mais rigorosas que as brasileiras.
  • Compromissos ambientais, como a redução do desmatamento ilegal.
  • Rotulagem de produtos com aditivos proibidos na UE, como alguns hormônios de crescimento.

Essas questões podem gerar custos adicionais para produtores que ainda não estão alinhados com as exigências europeias. Porém, a longo prazo, elas também podem melhorar a reputação do agro brasileiro no exterior.



Impacto na economia brasileira

Se o acordo for implementado plenamente, as projeções apontam para um aumento de até 15% nas exportações agropecuárias para a UE nos próximos cinco anos. Isso significa mais divisas, mais empregos nas áreas rurais e, possivelmente, mais investimentos em tecnologia e infraestrutura.

O que isso muda para o consumidor?

Para quem compra alimentos no supermercado, a consequência pode ser mais variedade e, em alguns casos, preços mais estáveis. Produtos importados da UE, como queijos finos e vinhos, podem ficar mais baratos, enquanto os produtos brasileiros podem ganhar mais espaço nas gôndolas.

Como os produtores podem se preparar?

Algumas estratégias práticas que já estão sendo discutidas:

  1. Investir em certificações internacionais: ISO, GlobalGAP e outras selam a qualidade e facilitam a aceitação na UE.
  2. Adotar tecnologias de rastreabilidade: sistemas que mostram a origem do produto ajudam a atender as exigências de transparência.
  3. Buscar parcerias com distribuidores europeus: conhecer a cadeia de suprimentos local pode abrir portas mais rapidamente.
  4. Focar em produtos de valor agregado: queijos artesanais, frutas exóticas e carnes premium tendem a ter margens maiores.

Visão de futuro

O acordo UE‑Mercosul ainda está em fase de ratificação pelos parlamentos dos países membros, mas a expectativa é de que ele entre em vigor nos próximos dois anos. Enquanto isso, o agro brasileiro tem um período de transição para se adaptar às novas regras. Se conseguirmos alinhar produção, qualidade e sustentabilidade, o bloco europeu pode se tornar não apenas um comprador, mas um verdadeiro parceiro de longo prazo.

Em resumo, o tratado abre portas, mas também pede responsabilidade. É um convite para que o Brasil mostre ao mundo que pode produzir em escala, com respeito ao meio ambiente e às normas internacionais. E, no fim das contas, quem ganha somos todos – produtores, trabalhadores rurais, consumidores e a própria economia nacional.