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Acordo UE‑Mercosul: o que o novo tratado significa para o agro brasileiro

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Acordo UE‑Mercosul: o que o novo tratado significa para o agro brasileiro

Na última sexta‑feira, o Mercosul e a União Europeia fecharam um acordo comercial que cria uma zona de livre comércio entre os dois blocos. Para quem acompanha o agronegócio, isso não é só mais um papel assinado; é um divisor de águas que pode mudar a forma como nossos produtos chegam às mesas europeias.



O Brasil já é o maior exportador mundial de soja, milho, carne bovina e de frango, e a UE representa o segundo maior mercado para o nosso agro, logo atrás da China. Essa relação já gera bilhões em receitas, mas ainda há muitas barreiras tarifárias, sanitárias e de rotulagem que encurtam a competitividade dos nossos produtores.



Com o acordo, muitas dessas barreiras devem ser reduzidas ou eliminadas. As tarifas sobre produtos como açúcar, café, carne bovina e suína vão cair gradualmente, chegando a zero em até 15 anos, segundo o texto assinado. Para o pequeno produtor, isso significa mais margem de lucro; para o grande exportador, abre portas para investimentos em tecnologia e ampliação de capacidade.



Por que a UE é tão importante para o agro brasileiro?

Além de ser o segundo maior comprador, a União Europeia tem padrões de qualidade muito exigentes. Quando conseguimos atender a essas normas, ganhamos credibilidade no resto do mundo. É como um selo de aprovação: se o queijo brasileiro passa pelos olhos críticos da UE, ele tem mais chances de ser aceito nos mercados da Ásia ou da América do Norte.

Os desafios que ainda permanecem

  • Questões sanitárias: a UE ainda tem restrições sobre o uso de hormônios de crescimento e antibióticos. Recentes incidentes, como a apreensão de lotes de carne com hormônios proibidos, mostram que a confiança ainda precisa ser reforçada.
  • Rotulagem e origem: o acordo traz discussões sobre a indicação de origem dos produtos. Por exemplo, queijos como parmesão e gorgonzola produzidos no Brasil poderão manter esses nomes? A resposta ainda depende de acordos específicos de denominção de origem.
  • Competição interna: produtores europeus também vão ganhar acesso ao mercado brasileiro, principalmente em produtos como vinho e azeite. Isso pode gerar pressão sobre nossos agricultores para melhorar a qualidade e a sustentabilidade.

O que muda na prática?

Vamos a alguns números que ajudam a entender o impacto. Em 2023, as exportações agropecuárias brasileiras para a UE totalizaram cerca de US$ 30 bilhões, representando aproximadamente 12 % das exportações totais do setor. Se as tarifas forem eliminadas, projeções apontam um aumento de 20 % a 30 % nesse volume nos próximos dez anos.

Para o produtor de soja, isso pode significar novos contratos de longo prazo com indústrias europeias que buscam reduzir sua dependência da China. Para o criador de gado, a queda de tarifas na carne bovina abre espaço para marcas premium que atendam a consumidores europeus cada vez mais preocupados com rastreabilidade e bem‑estar animal.

Como se preparar?

Se você está no campo ou tem uma empresa que depende de exportação, vale a pena começar a se adequar já. Algumas ações práticas incluem:

  1. Investir em certificações internacionais (ISO, GlobalGAP, BRC) que facilitam a aceitação dos produtos na UE.
  2. Rever a cadeia de suprimentos para garantir rastreabilidade completa, desde a semente até o ponto de venda.
  3. Buscar parcerias com distribuidores europeus que já entendem as exigências regulatórias.
  4. Ficar atento às mudanças nas normas sanitárias e adaptar os protocolos de uso de antibióticos e hormônios.

O futuro do agro brasileiro na Europa

O acordo UE‑Mercosul ainda está em fase de implementação. Alguns capítulos, como os que tratam de propriedade intelectual e de políticas de apoio à agricultura familiar, ainda precisam ser ratificados pelos parlamentos de cada país. Mas a tendência é clara: a integração comercial vai aprofundar a dependência mútua.

Para nós, isso pode significar mais investimentos estrangeiros em infraestrutura rural, como armazéns frigoríficos e terminais portuários, além de maior acesso a tecnologias de produção sustentável. Por outro lado, a pressão por práticas mais verdes pode exigir mudanças nos modelos de produção, como a adoção de sistemas de agricultura de baixo carbono.

Em resumo, o acordo abre um leque de oportunidades, mas também traz responsabilidades. O agro brasileiro tem a chance de se consolidar como fornecedor de alta qualidade para a Europa, desde que esteja disposto a evoluir em termos de qualidade, sustentabilidade e transparência.

E você, que trabalha no campo ou acompanha o setor, o que acha desse novo cenário? Já está se preparando para aproveitar as portas que se abrem? Compartilhe sua opinião nos comentários!