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Acordo UE‑Mercosul: O que muda para o Brasil, a Europa e o seu dia a dia

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Acordo UE‑Mercosul: O que muda para o Brasil, a Europa e o seu dia a dia

Na última semana, a Comissão Europeia confirmou a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. É a primeira vez que dois blocos que somam mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22,4 trilhões chegam a um pacto desse porte. Para quem acompanha a política externa, o comércio internacional ou simplesmente quer entender como isso pode influenciar o preço da carne na sua mesa, vale a pena mergulhar nos detalhes.



Por que esse acordo é tão comentado?

Depois de 25 anos de negociações, o tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo. Isso significa que tarifas sobre a maioria dos produtos – desde automóveis até fertilizantes – serão reduzidas ou eliminadas. A UE vê nisso uma oportunidade de diversificar suas cadeias de suprimentos, especialmente de minerais estratégicos como o lítio, essencial para baterias de carros elétricos.



Os protagonistas da celebração

  • Lula – O presidente brasileiro chamou o momento de “dia histórico” para o multilateralismo e destacou a força de um bloco que representa 718 milhões de consumidores.
  • Ursula von der Leyen – A presidente da Comissão Europeia também usou o termo “histórico”, ressaltando a criação de empregos e crescimento na Europa.
  • Friedrich Merz – Chanceler da Alemanha, classificou o acordo como um marco de soberania estratégica.
  • Federico Pinedo – Presidente do Senado argentino, celebrou o avanço decisivo para a Argentina.

Mas nem tudo são flores: os protestos dos agricultores

Enquanto governos brindam, agricultores de França, Polônia e Bélgica tomaram as ruas. O medo central é a entrada de produtos agrícolas sul‑americanos – sobretudo carne bovina – produzidos sob normas ambientais menos rígidas. Em Paris, tratores bloquearam vias; em Varsóvia, fazendeiros protestaram contra a suposta ameaça ao mercado interno.



O que isso significa para o consumidor brasileiro?

Para quem compra alimentos no supermercado, o impacto pode ser sutil nos primeiros meses. A redução de tarifas pode tornar produtos como café, soja e carne argentina mais competitivos, o que pode gerar uma leve queda nos preços. Por outro lado, setores que competem diretamente com as exportações sul‑americanas – como produtores de carne bovina no interior do Brasil – podem enfrentar maior concorrência nos mercados europeus.

Alguns cenários possíveis:

  • Exportadores de soja – Benefício direto, já que a UE reduzirá tarifas sobre grãos.
  • Indústria de laticínios – Pode ganhar acesso mais fácil a mercados como a Alemanha e a França.
  • Agricultores de carne – Precisarão melhorar a produtividade e a rastreabilidade para atender às exigências europeias.

Impactos estratégicos para a Europa

A UE vê o acordo como forma de reduzir a dependência da China em minerais críticos. O lítio brasileiro, por exemplo, poderá ser exportado com isenção de impostos, impulsionando a transição energética europeia. Além disso, o tratado abre portas para que empresas europeias concorram em licitações públicas nos países do Mercosul, algo antes restrito a fornecedores locais.

Desafios e críticas

Mesmo com a celebração oficial, há vozes críticas que apontam riscos ambientais e sociais. Organizações de defesa do meio ambiente temem que a liberalização agrícola aumente o desmatamento na Amazônia, já que a demanda por soja e carne pode subir. Na Europa, os agricultores temem que a concorrência de produtos mais baratos prejudique suas margens.

O futuro do comércio global

O acordo UE‑Mercosul chega em um momento de crescente protecionismo nos EUA e tensões geopolíticas. Se bem implementado, pode servir de modelo para outras parcerias sul‑norte, mostrando que blocos podem cooperar mesmo em tempos de incerteza. Para o Brasil, a oportunidade de diversificar mercados e atrair investimentos em infraestrutura é enorme, mas dependerá de políticas internas que garantam sustentabilidade e competitividade.

Em resumo, o tratado traz promessas de crescimento e novos mercados, mas também levanta questões que ainda precisam ser debatidas – tanto nas capitais europeias quanto nas fazendas brasileiras. O que você acha? Vai sentir alguma mudança no preço da sua carne ou no preço do seu café? Fique de olho nas próximas notícias, porque esse acordo ainda está em fase de implementação e pode trazer surpresas nos próximos anos.