Na última sexta‑feira (9), a Comissão Europeia aprovou, por ampla maioria, o tão aguardado acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A assinatura oficial está marcada para o dia 17 de janeiro, em Assunção, Paraguai. Para quem, como eu, acompanha de perto as notícias de economia, isso não é só mais um acordo assinado em papel; é um marco que pode mudar a forma como consumimos, produzimos e até pensamos sobre o futuro do comércio global.
Mas, antes de mergulhar nos detalhes, vale a pena lembrar que essa negociação durou mais de 30 anos. Foram três décadas de idas e vindas, mesas redondas, protestos de agricultores e, claro, muita paciência dos negociadores. Quando vejo o calendário cheio de compromissos, fico impressionado com a persistência dos diplomatas que mantiveram a conversa viva por tanto tempo.
O que realmente está em jogo? Em termos simples, o acordo cria a maior zona de livre comércio do planeta, conectando cerca de 451 milhões de consumidores da UE com os mercados do Mercosul – que inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Isso significa menos tarifas, mais oportunidades de investimento e, teoricamente, produtos mais baratos tanto para quem compra quanto para quem vende.
Como o acordo pode impactar o seu dia a dia?
- Produtos mais acessíveis: Vinhos europeus, que hoje pagam tarifas altas no Brasil, podem ficar mais baratos nas prateleiras. O mesmo vale para chocolates premium, que chegam com custos menores.
- Mais variedade nas lojas: Com a redução de barreiras, empresas brasileiras poderão exportar mais máquinas, peças automotivas e até tecnologia para a UE, trazendo de volta ao Brasil inovações e investimentos.
- Empregos e investimentos: O vice‑presidente Geraldo Alckmin estima que cerca de 9 mil empresas brasileiras já exportam para a UE. Com o acordo, esse número pode subir, gerando novos postos de trabalho e atraindo capital europeu.
E não é só isso. O tratado também inclui cláusulas sobre padrões regulatórios, sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. Para quem se preocupa com o futuro do planeta, é interessante saber que o Brasil se compromete a alinhar suas políticas ambientais a padrões internacionais, o que pode abrir portas para financiamentos verdes.
Os desafios que ainda pairam sobre o acordo
Nem tudo são flores. Apesar do apoio de setores empresariais, o acordo enfrenta resistência de agricultores europeus, principalmente na França, que temem concorrência de produtos latino‑americanos mais baratos. Esse medo se traduz em protestos nas ruas de Paris e em debates acalorados no Parlamento Europeu.
Além disso, alguns países da UE – como a Áustria, Hungria e Polônia – votaram contra o tratado, enquanto a Bélgica se absteve. Para que o acordo entre em vigor, será necessário que o Parlamento Europeu dê o aval final. Se a maioria qualificada (65% da população da UE) apoiar, o caminho está livre.
Do lado do Mercosul, a Argentina já anunciou a data da assinatura, mas ainda resta a ratificação pelos outros membros do bloco. O Brasil, como maior economia, tem um papel crucial na consolidação do texto.
O que isso significa para o Brasil?
Para o nosso país, as projeções são animadoras. A eliminação gradual de tarifas pode representar uma redução de mais de 4 bilhões de euros em impostos sobre exportações da UE a cada ano. Em contrapartida, o Mercosul se compromete a cortar tarifas sobre cerca de 91% das exportações europeias em 15 anos. Em números mais próximos da nossa realidade, isso pode significar mais competitividade para produtos como soja, carne e café nos mercados europeus.
Mas o acordo não se limita ao agronegócio. Setores industriais, como automotivo, aeroespacial e de tecnologia, também podem se beneficiar. Imagine fábricas brasileiras recebendo componentes europeus a custo menor e, ao mesmo tempo, exportando seus produtos finalizados para a UE com tarifas reduzidas.
Um ponto que me chamou atenção foi a menção ao lítio. A UE vê o acordo como uma forma de diversificar a dependência da China na obtenção de minerais críticos. Isso pode abrir oportunidades para investimentos em mineração sustentável no Brasil, gerando empregos em regiões que ainda buscam desenvolvimento.
Próximos passos e o que observar
- Ratificação no Parlamento Europeu: Até o final de 2024, esperamos a votação final. O apoio de países como a Itália, que recentemente mudou de posição, será decisivo.
- Aprovação pelos países do Mercosul: O Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai precisarão ratificar o tratado em seus respectivos congressos.
- Implementação prática: Mesmo após a assinatura, a adaptação das empresas às novas regras pode levar alguns anos. É hora de começar a se informar sobre os novos requisitos de certificação e padrões regulatórios.
Se você tem uma pequena empresa ou está pensando em exportar, vale a pena acompanhar de perto as discussões. Muitas vezes, oportunidades surgem antes mesmo da assinatura oficial, como linhas de crédito específicas ou programas de apoio ao comércio internacional.
Conclusão: um futuro mais conectado
Em resumo, o acordo UE‑Mercosul tem o potencial de transformar a forma como fazemos negócios, trazendo produtos mais baratos, mais variedade e novas oportunidades de investimento. Claro, ainda há desafios – especialmente no campo agrícola europeu – mas o equilíbrio entre benefícios econômicos e preocupações setoriais parece estar sendo cuidadosamente negociado.
Para nós, consumidores brasileiros, isso pode significar uma prateleira mais cheia e preços mais justos. Para as empresas, a chance de crescer em novos mercados e atrair capital estrangeiro. E, para o planeta, um passo a mais rumo a práticas mais sustentáveis.
Eu, pessoalmente, estou curioso para ver como tudo isso vai se desenrolar nos próximos meses. E você? Já pensou em como esse acordo pode impactar o seu negócio ou até mesmo o seu carrinho de compras? Fique de olho, porque a história do comércio global está sendo escrita bem diante dos nossos olhos.



