Você já parou para pensar como a gente costuma avaliar a situação da economia? Não é só olhar para a taxa de juros ou para o preço da gasolina. Muitas vezes, a impressão que temos vem de conversas no trabalho, nas redes sociais, ou até daquele comentário que ouvimos na fila do banco. A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta‑feira (11), trouxe exatamente esse tipo de percepção: como os brasileiros enxergam a economia nos últimos 12 meses e o que esperam para o próximo ano.
Os números que chamam atenção
De acordo com a pesquisa, 43% dos entrevistados acreditam que a economia piorou nos últimos doze meses. Esse percentual não mudou desde a primeira pesquisa de 2026, feita em janeiro. Por outro lado, 24% dizem que a situação melhorou e 30% acham que ficou igual. Os números são quase idênticos ao de janeiro, o que indica uma estabilidade na forma como a população percebe o cenário econômico.
O que a expectativa para o futuro revela?
Quando a mesma amostra foi questionada sobre os próximos 12 meses, 43% esperam uma melhora, enquanto 29% temem piora e 24% acreditam que tudo permanecerá como está. Essa mudança sutil – a queda de 48% para 43% de otimismo – pode ser um sinal de que as esperanças estão se ajustando à realidade, mas ainda há espaço para otimismo.
Inflação e preço dos alimentos: o ponto sensível
Além da percepção geral, a Quaist perguntou sobre o preço dos alimentos. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirma que os valores subiram, enquanto 18% dizem que caíram e 24% consideram que permaneceram estáveis. Esses números acompanham o IPCA de janeiro, que registrou alta de 0,33% – ligeiramente acima da expectativa de 0,32% – e uma inflação acumulada de 4,44% nos últimos 12 meses.
Poder de compra: a sensação de apertar o cinto
Quando o assunto é poder de compra, a pesquisa mostra que 61% sentem que conseguem comprar menos com o mesmo dinheiro, enquanto apenas 15% acreditam que conseguem comprar mais. Essa percepção está alinhada com a alta de preços e a inflação que, embora não esteja em patamares recordes, ainda pesa no orçamento familiar.
Mercado de trabalho: mais difícil ou mais fácil?
Quase metade (49%) dos brasileiros acha que está mais difícil conseguir um emprego nos últimos 12 meses. Por outro lado, 39% acreditam que está mais fácil, e 5% dizem que nada mudou. Esses números são interessantes porque, apesar da taxa oficial de desemprego estar em 5,6% – a menor desde 2012 – a percepção popular ainda traz dúvidas sobre a qualidade das oportunidades.
Como esses dados afetam o seu bolso?
Para quem vive de salário fixo, entender a percepção geral pode ajudar a tomar decisões mais conscientes:
- Planejamento financeiro: Se a maioria sente que o poder de compra diminuiu, pode ser hora de revisar despesas, cortar supérfluos e buscar alternativas de renda extra.
- Investimentos: Um otimismo moderado para os próximos 12 meses (43% esperam melhora) pode sinalizar oportunidades em setores que tendem a se beneficiar de um ambiente econômico mais favorável, como varejo e serviços.
- Negociação salarial: Quando a maioria sente que a economia está piorando, usar esses dados como argumento pode ser útil ao negociar reajustes ou benefícios.
Contexto histórico: onde chegamos?
Vale lembrar que a taxa de desemprego de 5,6% representa um avanço significativo comparado aos 6,6% de 2024 e aos 7,4% de 2012. Essa queda reflete a retomada gradual após a pandemia, mas ainda há muita gente que sente que o mercado está apertado. A inflação, por sua vez, tem se mantido em torno de 4% ao ano, o que, embora abaixo dos picos de 2022 (cerca de 10%), ainda está acima da meta de 3% do Banco Central.
Por que a percepção não muda muito?
Uma das explicações para a estabilidade nos números da Quaist é que a maioria das famílias ainda está lidando com os mesmos desafios: preços de alimentos, energia e transporte. Mesmo com a taxa de desemprego em baixa, a qualidade dos empregos (salários, contratos temporários) pode não ter melhorado o suficiente para mudar a sensação geral.
O que pode mudar o panorama?
Alguns fatores podem alterar a percepção nos próximos meses:
- Política monetária: Se o Banco Central decidir reduzir a taxa Selic, o crédito pode ficar mais barato, impulsionando consumo e investimentos.
- Política fiscal: Medidas de apoio ao salário mínimo ou auxílios emergenciais podem melhorar a renda disponível das famílias de baixa renda.
- Choques externos: Variações nos preços internacionais de commodities (soja, petróleo) podem impactar a balança comercial e, consequentemente, a inflação.
Como você pode usar essas informações?
Seja você um estudante de economia, um profissional de finanças pessoais ou simplesmente alguém que quer entender melhor o que está acontecendo, aqui vão algumas dicas práticas:
- Monitore seu próprio índice de custo de vida: Anote os gastos mensais com alimentação, transporte e moradia. Compare com o mês anterior para sentir se a inflação está realmente afetando você.
- Reavalie seu fundo de emergência: Em tempos de percepção de piora econômica, ter de três a seis meses de despesas guardadas pode ser um colchão essencial.
- Eduque-se financeiramente: Cursos gratuitos sobre orçamento, investimentos e planejamento de carreira podem transformar a sensação de vulnerabilidade em ação concreta.
- Fique atento às notícias de política econômica: Decisões sobre a Selic, reformas e políticas de incentivo têm impactos diretos no crédito e nos rendimentos.
Conclusão: o que fica no ar?
Os números da Quaist nos dão um retrato fiel de como a maioria dos brasileiros vê a economia: ainda há muita preocupação, mas também um leve otimismo para o futuro. Essa dualidade é importante porque influencia decisões de consumo, investimento e até de carreira.
Se você faz parte desse grupo que sente que a situação piorou, talvez seja hora de rever estratégias e buscar alternativas. Se está otimista, pode aproveitar oportunidades que surgem quando o ambiente econômico começa a melhorar.
Em última análise, a percepção coletiva molda a realidade econômica. Quando a gente acredita que as coisas vão melhorar, costuma agir de forma mais confiante, o que por si só pode gerar crescimento. Então, a pergunta que fica é: qual será a sua atitude nos próximos 12 meses?



