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Master: O que o escândalo de R$ 12 bi revela sobre a fragilidade do FGC e os caminhos da reforma

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Master: O que o escândalo de R$ 12 bi revela sobre a fragilidade do FGC e os caminhos da reforma

Na última terça‑feira, enquanto eu tomava meu café no Hotel Brasília Palace, ouvi a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falando sobre o caso Master. Ele não usou rodeios: a legislação atual não foi “suficientemente robusta” para impedir uma fraude que chegou a R$ 12 bilhões. Para quem não acompanha o dia a dia do mercado financeiro, isso pode soar como um drama distante, mas a verdade é que essas brechas podem acabar mexendo no seu bolso, no crédito que você consegue e até no preço dos juros que paga.



## Por que o caso Master importa para você?

O Banco Master, que cresceu rapidamente até 2024, acabou sendo o epicentro de uma operação que quase abalou a confiança no sistema bancário. Quando o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assumiu, a expansão foi freada e, de repente, surgiram dúvidas sobre a solidez das garantias que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) oferece. Se você tem conta em um banco pequeno, tem um financiamento ou pensa em abrir um CDB, o FGC é aquele seguro que garante até R$ 250 mil por depositante em caso de quebra da instituição. Quando o FGC falha, quem sente o baque são os pequenos investidores e consumidores.



## O que o ministro Haddad propôs?

Haddad falou em uma “reforma mais estrutural” do FGC. Em termos simples, isso significa que ele quer mudar as regras que definem quem pode ser protegido, até onde vai a cobertura e como o fundo se financia. Algumas ideias que circulam no meio econômico – ainda que não confirmadas oficialmente – incluem:

– **Aumento do teto de cobertura:** ampliar o limite de R$ 250 mil para proteger mais depositantes.
– **Revisão dos critérios de admissão:** tornar mais rigorosa a avaliação de risco das instituições que podem participar do FGC.
– **Fortalecimento do aporte de capital:** exigir que o fundo tenha reservas maiores, talvez alimentadas por contribuições periódicas das próprias instituições.

Essas mudanças podem trazer mais segurança, mas também podem encarecer o custo de operação dos bancos, o que pode ser repassado ao cliente em forma de juros mais altos ou tarifas.



## Como a reforma do FGC se encaixa no arcabouço fiscal?

Haddad também defendeu o conjunto de regras que controla os gastos do governo – o arcabouço fiscal. Ele reconheceu que ainda há “coisas no Orçamento que ainda estão fora do espírito do arcabouço”. Em outras palavras, há despesas que não se alinham com a disciplina fiscal que o Brasil tenta manter.

Para quem tem dúvidas, o arcabouço fiscal funciona como um limite de gastos: o governo só pode aumentar despesas dentro de certos parâmetros, sob risco de perder credibilidade nos mercados. Quando o ministro fala em “reformar” esses gastos, ele está sugerindo que o Brasil pode modernizar a forma como gasta, sem necessariamente cortar. Ele citou o exemplo de 2003, quando o Bolsa Família surgiu como um guarda‑chuva que unificou vários programas sociais. A ideia seria criar um “guarda‑chuva” atual, talvez até um programa de renda básica, que simplifique a burocracia e torne o gasto mais eficiente.

## Juros reais: o ponto de atenção dos consumidores

Outro tema quente da entrevista foi a taxa de juros reais – ou seja, a taxa nominal descontada da inflação. Haddad afirmou que “não há justificativa” para que a taxa continue subindo. Por quê isso importa? Quando os juros reais são altos, o crédito fica mais caro, as parcelas de financiamentos aumentam e a poupança perde parte do rendimento real.

Se o governo conseguir equilibrar as contas sem elevar ainda mais os juros, o efeito positivo pode ser sentido em todo o sistema: menos pressão sobre as famílias, mais investimento das empresas e, a longo prazo, crescimento econômico mais sólido.

## O que muda na prática para o cidadão comum?

– **Proteção de depósitos:** Se o FGC for reformado, você pode ter mais segurança ao deixar seu dinheiro em bancos menores ou em produtos de renda fixa.
– **Custo do crédito:** Uma reforma que encareça a operação dos bancos pode levar a juros mais altos nos empréstimos, mas se houver controle fiscal eficaz, a tendência pode ser a estabilidade ou até a redução dos juros.
– **Programas sociais:** A discussão sobre um guarda‑chuva social ou renda básica pode significar menos programas fragmentados e, potencialmente, uma distribuição mais justa dos recursos.
– **Confiança no sistema:** Quando o governo demonstra que está disposto a fechar brechas e melhorar a regulação, isso reforça a confiança dos investidores, o que pode atrair mais capitais e gerar mais empregos.

## Olhando para o futuro: quais são os riscos e as oportunidades?

**Riscos**
1. **Resistência política:** Mudanças no FGC e no arcabouço fiscal exigem aprovação no Congresso, onde há muitos interesses divergentes.
2. **Impacto nos bancos menores:** Regras mais rígidas podem dificultar a operação de bancos regionais, que são importantes para a inclusão financeira.
3. **Aumento de custos:** Se o FGC precisar de mais capital, isso pode ser repassado ao consumidor.

**Oportunidades**
1. **Maior estabilidade:** Um FGC mais robusto reduz a probabilidade de novos escândalos como o Master.
2. **Atração de investimentos:** Credibilidade reforçada pode atrair fundos internacionais, impulsionando a bolsa e o mercado de capitais.
3. **Modernização dos gastos sociais:** Um modelo mais simples pode melhorar a eficiência dos programas, permitindo que mais recursos cheguem a quem realmente precisa.

## Minha opinião pessoal

Confesso que, como alguém que acompanha de perto as notícias econômicas, vejo o caso Master como um alerta. Não é só um caso isolado; ele evidencia lacunas que podem afetar toda a estrutura de proteção ao depositante. A proposta de Haddad de reformar o FGC parece o caminho certo, mas a execução será o grande teste.

Se a reforma conseguir equilibrar segurança e custo, o Brasil pode ganhar um sistema financeiro mais resiliente, que protege o cidadão sem sufocar a competitividade dos bancos. Por outro lado, se as mudanças forem apenas simbólicas, corremos o risco de repetir o mesmo erro no futuro.

Em resumo, fique de olho nas discussões no Congresso nas próximas semanas. As decisões que forem tomadas podem mudar a forma como você lida com seu dinheiro, seja investindo, poupando ou pedindo crédito. E, claro, continue acompanhando as notícias – informação é a melhor ferramenta para proteger seu patrimônio.

**Tags:**
– Economia
– Finanças
– Política
– FGC

**Categoria:** Economia

**Palavra‑chave para imagem:** finanças