Na manhã desta quinta‑feira (5), o Bitcoin caiu para menos de US$ 70 mil, atingindo o nível mais baixo desde a reeleição de Donald Trump, em novembro de 2024. A queda de 3,26% em poucos minutos deixou muitos investidores apreensivos, sobretudo aqueles que acompanham de perto as oscilações da moeda digital.
Por que o Bitcoin está tão sensível agora?
O Bitcoin tem fama de ser volátil, mas alguns fatores recentes intensificaram ainda mais essa característica:
- Clima de risco nos mercados globais: As ações de tecnologia e os metais preciosos também estão em queda, o que arrasta o apetite por ativos de risco.
- Incerteza regulatória nos EUA: O projeto de lei conhecido como CLARITY, que deveria trazer mais clareza ao regime de moedas digitais, ainda está travado no Senado.
- Desempenho pós‑eleição de Trump: Depois que o ex‑presidente mostrou apoio aberto às criptos, o preço disparou, mas agora o entusiasmo está diminuindo.
Um breve histórico: de US$ 100 mil a US$ 70 mil
Em dezembro de 2024, o Bitcoin ultrapassou a marca dos US$ 100 mil pela primeira vez, um recorde comemorado por Trump e amplamente divulgado na mídia. Pouco depois, a moeda bateu seu pico histórico em US$ 126.251,31. Esses números impressionantes fizeram muita gente acreditar que o Bitcoin era quase uma garantia de lucro.
Mas a realidade das criptomoedas é que elas respondem a uma combinação de fatores macroeconômicos, sentimentais e regulatórios. Quando o mercado de tecnologia desacelera ou quando há dúvidas sobre a legislação, o Bitcoin costuma reagir rapidamente.
O que isso muda para quem tem Bitcoin no bolso?
Se você comprou Bitcoin há alguns meses, a primeira reação pode ser a de preocupação. No entanto, vale a pena analisar a situação sob alguns ângulos diferentes:
- Visão de longo prazo: Muitos investidores veem o Bitcoin como um ativo de reserva de valor, semelhante ao ouro. Em períodos de volatilidade, a estratégia costuma ser manter a posição e esperar a recuperação.
- Alocação de risco: Se a sua carteira está muito concentrada em cripto, talvez seja hora de reavaliar a diversificação. A regra dos 5% a 10% em ativos de risco pode ser um ponto de partida.
- Oportunidade de compra: Para quem tem liquidez, quedas como essa podem representar boas oportunidades de entrada a preços mais baixos, desde que você esteja confortável com o risco.
É importante lembrar que, apesar das quedas, o Bitcoin ainda está bem acima dos níveis de 2017, quando rondava US$ 1.000. Isso demonstra que, apesar da volatilidade, o ativo tem um histórico de valorização ao longo dos anos.
Como a lei CLARITY pode mudar o jogo
A proposta CLARITY (Creating Legal And Regulatory Infrastructure for Tokenized Yield) pretende definir regras claras para a emissão, negociação e tributação de criptoativos nos Estados Unidos. Se aprovada, pode trazer:
- Maior segurança jurídica para investidores institucionais.
- Facilidade para empresas de tecnologia blockchain operarem nos EUA.
- Possível aumento da confiança do mercado, impulsionando preços.
Entretanto, como o senador Mitch McConnell e outros líderes ainda não se posicionaram, a aprovação pode levar meses. Enquanto isso, o sentimento de incerteza continua puxando o preço para baixo.
Dicas práticas para quem acompanha o Bitcoin
Para quem não quer ficar à deriva, segue uma lista de ações simples que podem ajudar a navegar essa fase de turbulência:
- Monitore as notícias de perto, mas evite reagir a cada manchete.
- Use ferramentas de análise técnica para identificar níveis de suporte e resistência.
- Considere definir stop‑loss para proteger parte do capital.
- Mantenha uma reserva de emergência em ativos de baixa volatilidade.
- Reavalie sua estratégia de investimento a cada trimestre, não a cada dia.
Lembre‑se: o mercado de criptomoedas ainda é jovem e, como tal, está sujeito a grandes oscilações. A paciência costuma ser uma das maiores virtudes de quem tem sucesso nesse ambiente.
O que esperar nos próximos meses?
Se a tendência de pessimismo continuar, poderemos ver o Bitcoin testando novamente a barreira dos US$ 65 mil. Por outro lado, qualquer sinal de avanço na lei CLARITY ou um retorno de confiança nos setores de tecnologia poderia impulsionar a moeda de volta aos US$ 80 mil ou mais.
De qualquer forma, o importante é manter a calma, entender seu perfil de risco e não colocar todo o seu patrimônio em um único ativo. A diversificação ainda é a melhor estratégia para proteger seu capital contra as inevitáveis marés de alta e baixa.
Em resumo, a queda recente do Bitcoin abaixo dos US$ 70 mil é um lembrete de que o mercado de criptomoedas ainda está em fase de amadurecimento. Para quem está disposto a aprender, acompanhar as notícias e ajustar a carteira de forma inteligente, ainda há muito potencial de ganho.



