Nos últimos dias, o preço do Bitcoin mergulhou para US$ 65 mil – o menor valor em 15 meses. Se você acompanha a notícia, já deve ter sentido aquele frio na barriga ao ver o gráfico despencar. Eu também fiquei intrigado, principalmente porque o presidente dos EUA, Donald Trump, tem sido um defensor aberto das criptomoedas. Como conciliar o apoio presidencial com uma queda tão brusca? Vamos conversar sobre isso, entender os motivos e ver o que pode acontecer com o seu bolso.
O que aconteceu? Um resumo rápido
Em outubro de 2024, o Bitcoin bateu recorde histórico de US$ 122 mil. Desde então, o caminho foi de alta até a recente queda para US$ 65 mil, uma perda de 24% apenas neste ano. A queda aconteceu logo depois da nomeação de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve (Fed). Analistas do Deutsche Bank apontam que a expectativa de políticas monetárias mais agressivas – ou seja, juros mais altos – pode estar afastando investidores que buscam ativos de risco, como as criptomoedas.
Por que o apoio de Trump não foi suficiente?
Desde que voltou à Casa Branca, Trump prometeu transformar os EUA na “capital mundial das criptomoedas”. Ele até lançou sua própria moeda digital, com lucros revertidos para suas empresas, e dissolveu equipes do Departamento de Justiça que perseguiam o setor. No entanto, apoio político não garante estabilidade de preço. O mercado cripto ainda depende muito de fatores macroeconômicos, como a política do Fed, o valor do dólar e o sentimento dos investidores.
O papel do Federal Reserve
Kevin Warsh, conhecido por uma postura mais conservadora, pode manter os juros elevados por mais tempo. Juros altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e tornam investimentos de risco menos atraentes. Quando os investidores buscam segurança, eles migram para ativos como títulos do Tesouro ou dólares, deixando o Bitcoin para trás. Essa dinâmica explica, em parte, a recente venda massiva que empurrou o preço para baixo.
O que dizem os especialistas
- Deutsche Bank: Acredita que o Bitcoin está passando de um ativo puramente especulativo para um papel mais realista, mas ainda sem um “ponto de apoio” claro.
- William Barhydt (Abra Capital Management): Vê a maturação das criptomoedas, mas espera recuperação – a menos que haja um conflito global que desestabilize tudo.
- Stifel: Previsão de que o Bitcoin pode chegar a US$ 38 mil, seguindo mais de perto o dólar.
Impacto no investidor brasileiro
Para quem mora no Brasil, a queda tem duas faces. Por um lado, o valor em reais do Bitcoin ainda está alto (cerca de R$ 342 mil), então quem já possui a moeda sente a desvalorização. Por outro, a queda abre oportunidades de compra a preços mais “acessíveis”. Se você pensa em entrar no mercado, considere:
- Definir um orçamento que não comprometa sua reserva de emergência.
- Usar estratégias de compra escalonada (dollar‑cost averaging) para suavizar a volatilidade.
- Diversificar: não coloque tudo no Bitcoin; explore Ethereum, Solana ou fundos de cripto.
O panorama global das criptomoedas
Não é só o Bitcoin que está em baixa. Ethereum e Solana perderam cerca de 37% em 2026. Segundo a CoinGecko, o mercado cripto perdeu mais de US$ 1 trilhão no último mês e US$ 2 trilhões desde o pico de outubro. Essa retração reflete um sentimento geral de cautela, alimentado por incertezas regulatórias e por um dólar mais forte.
Será que o Bitcoin vai se recuperar?
Historicamente, o Bitcoin já passou por ciclos de alta e baixa. Em 2017, subiu para quase US$ 20 mil e depois despencou; em 2020‑2021, bateu recorde de US$ 122 mil e voltou a cair. Cada ciclo costuma durar de 12 a 18 meses. Se a tendência de 2024‑2025 se repetir, poderemos ver uma nova alta a partir de 2026, especialmente se houver novidades regulatórias favoráveis ou se o Fed sinalizar cortes de juros.
O que eu faço agora?
Eu, pessoalmente, prefiro observar antes de tomar decisões drásticas. A volatilidade ainda é alta, e apostar tudo em um momento de baixa pode ser arriscado. Se já tem Bitcoin, avalie se está confortável com a perda temporária. Se ainda não investiu, pense em começar com um valor pequeno, monitorando notícias sobre política monetária e regulatória. Lembre‑se: criptomoedas ainda são um investimento de risco e devem compor apenas uma parte da sua carteira.
Em resumo, o apoio de Trump trouxe entusiasmo, mas a realidade macroeconômica dos EUA – especialmente as decisões do Fed – tem mais peso no preço do Bitcoin. Fique de olho nas próximas reuniões do Fed, nas movimentações do dólar e nas notícias regulatórias. E, claro, nunca invista mais do que você está disposto a perder.



