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Revisão do FGC: o que o caso Master pode mudar para o seu dinheiro

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Revisão do FGC: o que o caso Master pode mudar para o seu dinheiro

Na última segunda‑feira, Gilneu Vivan, diretor de Regulação e de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, anunciou que o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) pode ter suas regras revisadas ainda este ano ou, no máximo, no início de 2027. A fala veio logo após a turbulenta liquidação dos bancos Master e Will, que deixaram mais de 40 bilhões de reais em garantias pagas pelo fundo.



Para quem não acompanha o dia a dia do mercado financeiro, pode parecer algo distante, mas a verdade é que o FGC protege o dinheiro que a maioria de nós tem na conta corrente ou na poupança. Quando um banco quebra, o fundo garante até R$ 250 mil por depositante. Assim, se o seu banco falir, você não perde tudo.

Mas por que o caso Master fez o BC repensar o fundo? Vamos entender o que aconteceu, quais são as possíveis mudanças e o que isso significa para quem tem dinheiro guardado nos bancos.



O que foi o caso Banco Master?

  • Um milhão de correntistas foram impactados diretamente.
  • O BC decretou liquidação extrajudicial por falta de recursos e descumprimento de normas.
  • O processo demorou mais do que o esperado, gerando críticas e dúvidas sobre a agilidade regulatória.

Logo depois, o Will Bank – com quase 7 milhões de correntistas – também foi liquidado, em parte porque tinha laços financeiros com o Master. A soma dos dois casos fez o FGC desembolsar mais de R$ 40 bilhões, um número impressionante que chamou a atenção de reguladores, do TCU e até do STF.

Por que o FGC pode mudar?

Gilneu Vivan explicou que, além de revisar as regras do fundo, a agenda do BC inclui novas normas para distribuição de títulos e prevenção de fraudes, além de uma possível revisão das tarifas cobradas pelos bancos. A ideia é tornar o sistema mais robusto e evitar que situações como a do Master se repitam.

Alguns pontos que podem ser revisados:

  • Limite de cobertura: atualmente R$ 250 mil por pessoa, por instituição. Há discussões sobre elevar esse valor ou criar faixas diferenciadas.
  • Critérios de elegibilidade: definir melhor quais produtos são cobertos (ex.: investimentos em fundos, CDBs, etc.).
  • Procedimentos de pagamento: agilizar a liberação dos recursos para os correntistas.
  • Tarifas: analisar se as cobranças feitas pelos bancos são justas ou se precisam de regulação.



Como isso afeta o seu bolso?

Se você tem dinheiro guardado em um banco tradicional, a mudança nas regras do FGC pode trazer mais segurança, mas também pode gerar custos adicionais. Por exemplo, se o limite de cobertura for aumentado, o fundo precisará de mais recursos, o que pode ser repassado aos clientes por meio de tarifas ou juros menores nos empréstimos.

Por outro lado, uma regulação mais rígida contra fraudes pode reduzir a ocorrência de perdas inesperadas, algo que beneficia diretamente quem depende do banco para pagar contas, receber salários ou fazer investimentos.

Além disso, a revisão das normas de distribuição de títulos pode abrir espaço para que bancos menores ofereçam produtos mais competitivos, ampliando a escolha do consumidor.

O que o BC aprendeu com o Master?

Vivan reconheceu que o processo de liquidação demorou mais do que deveria e que a “magnitude do processo” – 1 milhão de correntistas no Master e quase 7 milhões no Will – trouxe um debate complexo. Ele ressaltou que, apesar da gravidade, os problemas ficaram restritos às duas instituições e não se espalharam para outros bancos de pequeno e médio porte.

Essa lição pode levar o BC a criar mecanismos de monitoramento mais ágeis, identificar sinais de risco mais cedo e, quem sabe, evitar que um banco chegue ao ponto de liquidação.

O futuro do FGC e da regulação bancária no Brasil

Com a proposta de revisão das regras, podemos esperar um cenário onde o fundo seja mais transparente e adaptado às novas realidades do mercado, como fintechs e bancos digitais. Essas instituições costumam oferecer produtos com menor taxa de administração, mas ainda precisam estar cobertas pelo FGC para garantir a confiança dos usuários.

Além disso, a discussão sobre tarifas pode levar a um alinhamento maior entre o Banco Central e os consumidores, evitando cobranças abusivas e incentivando a concorrência saudável.

Em resumo, a revisão do FGC pode trazer benefícios claros: mais segurança para o depositante, maior clareza nas regras e, potencialmente, um sistema bancário mais resiliente. Mas também traz desafios, como o custo de manter um fundo maior e a necessidade de equilibrar proteção e competitividade.

Se você ainda não revisou onde tem seu dinheiro guardado, este pode ser um bom momento para fazer um diagnóstico: verifique se seu banco está coberto pelo FGC, quais são os limites de cobertura e se há opções de diversificação que podem reduzir riscos.

Fique de olho nas próximas notícias do Banco Central – as mudanças podem chegar antes do fim de 2026. Enquanto isso, continue acompanhando seu extrato, pergunte ao seu gerente sobre a cobertura do FGC e, se possível, diversifique seus investimentos para não colocar todos os ovos na mesma cesta.

Em um país onde a confiança no sistema financeiro é essencial para o crescimento econômico, garantir que o FGC esteja à altura dos desafios atuais é um passo importante. E você, como consumidor, tem um papel fundamental ao exigir transparência e se informar sobre seus direitos.