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Safra de quiabo em São Paulo: como produtores locais garantem qualidade e rapidez

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Safra de quiabo em São Paulo: como produtores locais garantem qualidade e rapidez

Quando eu penso em comida caseira, logo me vem à cabeça o quiabo. Seja no prato de feijão tropeiro, na moqueca ou simplesmente frito, ele tem aquele toque especial que faz a diferença. Mas o que muita gente não sabe é todo o trabalho que acontece antes desse legume chegar à sua mesa. Em Piacatu, no interior de São Paulo, produtores familiares colhem quiabo quase três vezes por semana, selecionam cada fruto na própria roça e enviam tudo para a Ceagesp em tempo recorde. Vou contar como funciona esse processo, por que a qualidade vale mais que a quantidade e o que isso significa para quem compra.



Por que o quiabo é tão importante?

Além de ser um ingrediente tradicional da culinária brasileira, o quiabo traz benefícios nutricionais: fibras, vitaminas A, C e K, além de minerais como potássio e magnésio. É fácil de preparar – dá para comer cru em saladas, em conserva ou fritinho – e ainda ajuda a regular o intestino. Essa versatilidade faz com que a demanda seja constante ao longo do ano, mas também cria um desafio logístico enorme, já que o fruto é muito perecível.



O modelo de parceria que funciona

Um dos nomes que se destaca nesse cenário é Luca Vendrame. Há cerca de 30 anos ele trabalha com quiabo em um esquema de parceria com agricultores familiares. Ele arrenda a terra, faz o plantio e, na hora da colheita, divide os lucros com quem realmente colheu o produto. Essa divisão justa mantém os pequenos produtores motivados e garante que todos tenham acesso ao mercado da Ceagesp, que é um dos maiores centros de distribuição de alimentos do país.

Critérios rígidos de seleção

Para Luca, o que define o preço não é a quantidade, mas a qualidade. O quiabo precisa ter entre 9 e 12 cm, ser verde‑escuro, liso e sem manchas. Frutos grandes demais, tortos ou amarelados são descartados ou recebem preço baixo. Essa seleção acontece ainda na roça, antes mesmo de o alimento ser carregado nos caminhões. O objetivo é evitar que o consumidor receba um produto que já está passado de ponto, o que prejudicaria a reputação do produtor e diminuiria as vendas.



Logística rápida: da roça à Ceagesp

Em Piacatu, cerca de 200 agricultores produzem entre 3 mil e 4 mil caixas de quiabo por semana. Cada caixa contém aproximadamente 30 kg de frutos. Como o quiabo começa a perder qualidade em poucas horas, a logística precisa ser quase imediata. Depois da seleção, os caminhões partem direto para a Ceagesp, em São Paulo, onde o produto é armazenado em condições controladas e distribuído para mercados, feiras e restaurantes.

Desafios climáticos e adaptação

Outro produtor que merece destaque é Francisco Aparecido Siqueira. Ele cultiva quiabo há mais de 30 anos, mas sua nova plantação de oito hectares está em solo argiloso, escolhido por oferecer maior firmeza às raízes e menor risco de fungos. O período de crescimento ainda está no início – menos de 90 dias – e a primeira colheita sofreu com excesso de chuva e sol forte. Mesmo assim, as primeiras flores e frutos apareceram, sinalizando que a safra será promissora nas próximas semanas.

Como escolher um bom quiabo na hora da compra?

Se você ainda tem dúvidas sobre o que observar na hora de comprar, a dica dos produtores é simples: procure quiabos firmes ao toque, sem manchas, sem coloração amarelada e que mantenham a forma alongada. Um quiabo bem escolhido garante textura crocante ao cozinhar e mantém o sabor característico que tanto amamos.

O que tudo isso significa para você?

Além de entender a cadeia produtiva, saber desses detalhes ajuda a valorizar o alimento que chega à sua cozinha. Quando você opta por comprar quiabo de qualidade, está incentivando práticas agrícolas sustentáveis, parcerias justas entre produtores e agricultores familiares, e ainda garante um prato mais saboroso e nutritivo. É um ciclo em que cada escolha faz diferença – do campo à sua mesa.

Se você ainda não experimentou o quiabo fresco de São Paulo, vale a pena dar uma chance. Visite feiras locais, procure por produtores que trabalham com a Ceagesp ou até mesmo procure por marcas que destacam a procedência. Você vai perceber que, por trás de cada pedaço verde, há décadas de experiência, dedicação e um compromisso com a qualidade que vale a pena reconhecer.