Na manhã de quarta‑feira, o ouro deu mais um salto e quase chegou à marca dos US$ 5 mil por onça. Para quem acompanha o mercado, isso não é surpresa: a combinação de tensões geopolíticas e dúvidas sobre a política de juros nos EUA tem empurrado investidores para ativos considerados mais seguros.
Por que o ouro volta a brilhar?
O metal amarelo costuma ser o “porto seguro” quando o clima econômico fica incerto. Quando os mercados de ações oscilam, ou quando surgem riscos externos, a gente costuma ver o preço do ouro subir. Nesta semana, duas forças se destacaram:
- Tensões entre EUA e Irã: o incidente do drone iraniano que se aproximou do porta‑aviões Abraham Lincoln gerou muita ansiedade. Mesmo que o confronto tenha sido contido, a percepção de risco aumentou.
- Incerteza sobre a taxa de juros americana: declarações recentes do ex‑presidente Donald Trump sobre a investigação do Fed e a indicação de Kevin Warsh para o comitê geraram dúvidas sobre a independência do Federal Reserve.
Esses dois fatores, somados à expectativa de cortes de juros ainda em 2026, criam um cenário onde o ouro se torna mais atrativo.
Como a movimentação se traduziu nos números?
O ouro à vista subiu 0,4% e ficou cotado em US$ 4.958,75 por onça. Os contratos futuros para abril avançaram 1%, atingindo US$ 4.983,49. Não é só o ouro que está em alta: a prata subiu quase 4%, a platina e o paládio também registraram ganhos.
Vale lembrar que, na sessão anterior, o ouro havia subido 6%, o maior salto diário em 17 anos. Essa recuperação vem depois de uma queda de quase 10% na segunda‑feira, quando o mercado reagiu a notícias de aumento das margens de contrato futuro pela CME e à indicação de Warsh.
O que isso significa para quem investe?
Se você tem parte da sua carteira em ouro, ou pensa em começar a investir, aqui vão alguns pontos práticos:
- Proteção contra volatilidade: o ouro costuma manter seu valor quando ações e moedas sofrem quedas bruscas.
- Rendimento zero: ao contrário de ações ou títulos, o ouro não paga dividendos nem juros. Por isso, ele brilha mais quando os juros estão baixos ou em queda.
- Liquidez: você pode comprar ouro físico (barras ou moedas) ou investir em ETFs e fundos que replicam o preço do metal.
- Diversificação: mesmo que o ouro represente apenas 5‑10% da sua carteira, ele pode reduzir o risco geral.
Mas atenção: o ouro também tem seus riscos. Se a inflação baixar ou se o Fed cortar juros mais rápido do que o esperado, o preço pode recuar. Além disso, custos de armazenamento e seguros para o ouro físico podem corroer parte dos ganhos.
O que os especialistas estão dizendo?
Nitesh Shah, da WisdomTree, resumiu a situação como “uma soma de riscos impulsionando a demanda”. Já Giovanni Staunovo, analista do UBS, acredita que a expectativa de novos cortes de juros vai manter o ouro em alta ao longo do ano.
O próximo ponto de atenção será o relatório de emprego do setor privado dos EUA (ADP), que sai ainda hoje. Se o número mostrar forte criação de vagas, o mercado pode interpretar que a economia está mais resistente e que o Fed pode postergar novos cortes – o que, por sua vez, poderia frear o ouro.
Contexto histórico: ouro em tempos de crise
Não é a primeira vez que o ouro dispara em meio a crises. Nos anos 70, durante a crise do petróleo e a alta inflação, o preço do metal subiu de cerca de US$ 35 para mais de US$ 800 por onça. Na crise financeira de 2008, o ouro também foi um dos poucos ativos que registrou alta consistente.
Esses episódios mostram que o ouro tem um papel de “refúgio” que resiste ao teste do tempo. Contudo, cada ciclo tem suas particularidades. Hoje, a combinação de um conflito no Oriente Médio e a política interna dos EUA cria um cenário diferente do que vivemos nas décadas passadas.
O que esperar nos próximos meses?
Com a agenda econômica dos EUA cheia – relatórios de inflação, decisões do Fed e mais notícias sobre o Irã – a volatilidade deve permanecer alta. Se o Fed mantiver a taxa de juros estável ou iniciar cortes, o ouro tem boa chance de ultrapassar a barreira dos US$ 5 mil.
Por outro lado, se houver uma desescalada nas tensões entre Washington e Teerã, ou se surgirem dados econômicos muito positivos, o ouro pode perder parte do ímpeto e voltar a oscilar entre US$ 4.800 e US$ 5.200.
Como acompanhar o preço do ouro?
Para quem quer ficar de olho no metal, recomendo alguns recursos simples:
- Aplicativos de corretoras que mostram cotações em tempo real.
- Sites de notícias financeiras como Bloomberg, Reuters e G1.
- Calendários econômicos que listam os principais indicadores dos EUA.
Se preferir, pode até configurar alertas de preço no seu celular – assim você recebe uma notificação toda vez que o ouro ultrapassa um valor que você definiu.
Conclusão
O ouro encostando nos US$ 5 mil não é só mais um número nas telas de negociação; ele reflete um momento de incerteza global que faz muitos de nós buscar segurança em ativos tangíveis. Seja você um investidor experiente ou alguém que está pensando em dar os primeiros passos, vale a pena entender o que está movendo esse metal e como ele pode (ou não) se encaixar na sua estratégia.
Fique atento às próximas notícias, aos relatórios de emprego e, claro, às movimentações no cenário político internacional. O ouro pode ser volátil, mas também pode ser um aliado valioso quando usado com cautela.



