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Investidores assustados com a IA: por que os “chefões” das big techs estão tentando acalmar os medos

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Investidores assustados com a IA: por que os “chefões” das big techs estão tentando acalmar os medos

Nos últimos dias, a bolsa de valores dos EUA tem sido palco de um verdadeiro vai‑e‑vem entre otimismo e pânico quando o assunto é inteligência artificial. Enquanto gigantes como Amazon, Google, Meta e Microsoft anunciaram investimentos recordes – cerca de US$ 660 bilhões só este ano – os investidores parecem estar com o pé atrás, temendo que todo esse dinheiro não gere retorno suficiente.



O que está acontecendo? Um resumo rápido

O Financial Times revelou que as quatro maiores empresas de tecnologia vão aumentar em 60 % os gastos com IA em relação a 2025. A Amazon, por exemplo, pretende investir US$ 200 bilhões até 2026. Já o Google (Alphabet) fez anúncio semelhante um dia antes, o que acabou puxando o índice Nasdaq para o nível mais baixo em mais de dois meses.

Essas notícias, no entanto, provocaram quedas nas ações das próprias empresas que anunciaram os investimentos. A Amazon viu suas ações despencarem na sexta‑feira (6) e o Nasdaq fechou a semana com queda acumulada de quase 2 %.



Por que os investidores estão tão receosos?

O medo não é infundado. Quando se fala em trilhões de dólares em investimentos, a expectativa de retorno também deve ser gigantesca. Alguns pontos que deixam os investidores em alerta:

  • Margens de lucro apertadas: Mesmo gigantes como a Microsoft já viram a margem de lucro cair, apesar de ter ultrapassado US$ 50 bilhões em receita de nuvem.
  • Risco de canibalização: Há quem pense que a IA pode substituir softwares tradicionais, diminuindo a demanda por produtos de empresas como Oracle, Salesforce e SAP.
  • Timing de mercado: Investimentos massivos em data centers e infraestrutura podem demorar a gerar retorno, gerando pressão nos resultados trimestrais.

Essas preocupações foram reforçadas por declarações de executivos que, ao contrário do esperado, tentaram tranquilizar o mercado.



Os “chefões” dão a palavra: a IA não vai destruir o software

Jensen Huang, CEO da Nvidia, descreveu a ideia de que a IA substituiria ferramentas de software como “a coisa mais ilógica do mundo”. Em um evento da Cisco, ele explicou que a IA é, antes de tudo, uma ferramenta que potencializa, e não elimina, outras tecnologias.

Sundar Pichai, do Google, reforçou o mesmo ponto, dizendo que a IA tem sido uma ferramenta capacitadora tanto para os produtos da empresa quanto para os clientes corporativos. Em outras palavras, quem já usa IA tem mais oportunidade de crescer, não de ser engolido.

Quem está se beneficiando?

Nem tudo foi pessimismo. As ações da Nvidia e da AMD – principais fabricantes de chips para IA – subiram, refletindo a demanda crescente por hardware especializado. Além disso, empresas de software e serviços de dados conseguiram conter a queda, graças ao apoio de clientes que já dependem de soluções de IA.

O que isso significa para você, leitor?

Se você acompanha o mercado de ações ou pensa em investir em tecnologia, aqui vão alguns pontos práticos:

  1. Olhe além das manchetes: Grandes anúncios de investimento nem sempre se traduzem em valorização imediata das ações.
  2. Diversifique: Em vez de apostar tudo em uma única empresa de IA, considere fundos que incluam hardware (Nvidia, AMD) e software (Microsoft, Salesforce).
  3. Fique de olho nas margens: Empresas que conseguem equilibrar investimento em IA com rentabilidade são mais seguras a longo prazo.
  4. Entenda o ciclo de inovação: Primeiro vem o hype, depois o período de ajuste. Historicamente, essa fase de “discernimento” costuma trazer oportunidades de compra.

Perspectivas para os próximos anos

Analistas da Man Group e da Manulife John Hancock apontam que a explosão de investimentos em IA pode criar um “efeito barco”, levantando todo o ecossistema, mas que também pode gerar atritos entre setores que crescem em ritmos diferentes. Em 2025, por exemplo, espera‑se que a demanda por ações de IA continue forte, mas a pressão sobre empresas que ainda não adotaram a tecnologia pode aumentar.

Além disso, startups como a Anthropic, com seu modelo Claude, estão lançando soluções específicas para automação jurídica, o que pode abrir novos nichos de mercado e mudar a forma como advogados e departamentos de compliance trabalham.

Conclusão: otimismo cauteloso

O cenário não é preto no branco. Há, sim, um entusiasmo genuíno em torno da IA, mas também um ceticismo saudável. Os “chefões” das big techs estão tentando pintar um futuro onde a IA complementa, e não substitui, os negócios tradicionais. Para investidores, isso significa que vale a pena observar de perto tanto as empresas que produzem o hardware quanto aquelas que desenvolvem o software e os serviços que o utilizam.

Se você está pensando em entrar nesse mercado, lembre‑se de que a tecnologia evolui rápido, mas os fundamentos financeiros ainda são o termômetro mais confiável. Mantenha a curiosidade, mas também a disciplina.