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Flávio Bolsonaro monta núcleo econômico: o que falta para o “Posto Ipiranga” da campanha?

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Flávio Bolsonaro monta núcleo econômico: o que falta para o “Posto Ipiranga” da campanha?

Nos últimos dias, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) tem sido visto mais nos bastidores do que nos holofotes da mídia. A missão? Montar um time de peso na área econômica para dar sustentação à sua campanha presidencial. Mas, apesar de já contar com nomes que já passaram pela gestão do pai, Jair Bolsonaro, ainda falta aquele “Posto Ipiranga” que dê identidade e credibilidade ao projeto.



Entre os conselheiros que já estão no círculo interno, destacam‑se Gustavo Montezano, ex‑presidente do BNDES, e Adolfo Sachsida, que foi secretário do Ministério da Economia. São caras que conhecem o funcionamento da máquina pública e que, teoricamente, podem ajudar a formular propostas de crescimento, geração de empregos e retomada da confiança dos investidores.

O problema, porém, não é a falta de experiência técnica. O que falta é um nome que tenha peso político e simbólico, alguém que, como o antigo ministro Paulo Guedes, consiga ser a cara da agenda econômica e, ao mesmo tempo, atrair o apoio de empresários e do mercado financeiro.



O “sonho de consumo” do grupo, segundo fontes próximas, seria Roberto Campos Neto, ex‑presidente do Banco Central. Mas a ideia já foi descartada. Campos Neto, agora executivo do Nubank, tem laços estreitos com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e não parece disposto a entrar em um projeto que ainda carece de liderança clara.

Essa ausência de um líder econômico tem repercussões práticas. Sem um porta‑voz reconhecido, a campanha corre o risco de perder credibilidade junto a investidores que buscam estabilidade e clareza nas propostas. Além disso, setores como agronegócio, indústria e serviços, que aguardam linhas de crédito e políticas de incentivo, podem ficar à margem das discussões.



Por que o “Posto Ipiranga” é tão importante?

O termo “Posto Ipiranga” vem da campanha de 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro usou a imagem de um posto de gasolina como símbolo de energia e movimento. Na prática, o que ele representava era um ponto de referência, alguém que fosse reconhecido nacionalmente e que pudesse consolidar a mensagem econômica da campanha.

Sem esse ponto de referência, as propostas podem ficar dispersas. Imagine uma campanha que fala de “redução de impostos”, “desburocratização” e “liberdade econômica”, mas que não tem quem explique como essas ideias serão implementadas na prática. O eleitor perde confiança, e o mercado fica receoso.

O que pode mudar se Flávio encontrar o nome certo?

  • Maior atração de investimentos: Um economista de peso pode abrir portas em bancos internacionais e fundos de investimento.
  • Coesão interna da campanha: Uma liderança clara ajuda a alinhar as propostas dos diferentes setores da equipe.
  • Visibilidade na mídia: Comentários e entrevistas de um nome reconhecido geram cobertura positiva.
  • Confiança dos empresários: Eles tendem a apoiar candidaturas que apresentam um plano econômico sólido e liderado por alguém que entendam.

Mas também há riscos. Caso o nome escolhido tenha histórico controverso ou seja muito alinhado a setores específicos, pode gerar críticas de opositores que apontarão parcialidade ou falta de independência.

Qual o cenário político atual?

Flávio Bolsonaro está em um momento delicado. Seu pai, Jair Bolsonaro, está sob custódia na Polícia Federal, e a família tem buscado manter a presença no cenário nacional. A falta de um líder econômico pode ser vista como um ponto fraco, sobretudo quando concorrentes como Luiz Inácio Lula da Silva e outros candidatos de centro‑esquerda já apresentam equipes econômicas bem estruturadas.

Além disso, o eleitorado brasileiro tem se mostrado cada vez mais atento às questões econômicas: inflação, taxa de juros e desemprego ainda são temas que dominam as conversas nas casas e nas redes sociais. Uma campanha que não consegue articular respostas claras corre o risco de ser deixada de lado.

O que podemos esperar nos próximos meses?

É provável que Flávio continue buscando nomes que conciliem experiência no setor público e credibilidade no mercado privado. Ele pode olhar para antigos ministros, dirigentes de bancos estaduais ou até executivos de grandes empresas que estejam dispostos a entrar no jogo político.

Outra possibilidade é a criação de um “co‑fundo” de especialistas, onde diferentes vozes contribuam para a formulação de políticas, sem que haja um único rosto. Essa estratégia tem funcionado em algumas campanhas internacionais, mas pode diluir a mensagem se não for bem coordenada.

De qualquer forma, o que fica claro é que a montagem desse núcleo econômico ainda está em fase de protótipo. Até que o “Posto Ipiranga” seja encontrado, Flávio Bolsonaro terá que contar com a força dos nomes já presentes e com a capacidade de comunicar suas ideias de forma simples e direta ao eleitor.

Para nós, leitores que acompanham a política de perto, isso significa ficar de olho nas próximas nomeações, nas entrevistas que surgirão e nos debates que serão organizados. Cada novo nome pode mudar o rumo da campanha, e cada declaração pode revelar como o grupo pretende lidar com os desafios econômicos que o Brasil enfrenta.

E você, o que acha? Será que Flávio Bolsonaro vai conseguir encontrar alguém que preencha esse papel tão crucial? Ou será que a ausência de um líder econômico forte vai pesar demais na disputa? Compartilhe sua opinião nos comentários!