A notícia de que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) está de olho na tentativa da Netflix de comprar a Warner Bros. Discovery tem gerado muita conversa nos corredores das empresas de tecnologia e, claro, entre nós que acompanhamos as novidades do entretenimento. Não é todo dia que vemos duas gigantes da narrativa mundial potencialmente se fundindo, e ainda por cima sob o olhar atento de um órgão que tem a missão de proteger a concorrência.
## Por que o DOJ se interessou?
Em termos simples, a lei antitruste americana procura impedir que uma única empresa domine um mercado a ponto de excluir concorrentes e prejudicar consumidores. Quando a Netflix propôs adquirir a Warner por US$ 82,7 bilhões – valor que equivale a cerca de R$ 445,7 bilhões – o DOJ começou a se perguntar: “Será que isso vai criar um monopólio?”. A preocupação principal é que, juntando o catálogo enorme da Warner (filmes, séries, animações) ao já vasto acervo da Netflix, a empresa poderia ganhar um poder de negociação tão grande que deixaria outras plataformas, como Disney+, Amazon Prime Video ou a própria Paramount, em desvantagem.
## O que está em jogo?
### 1. Diversidade de conteúdo
Se a Netflix absorver a Warner, ela terá acesso a franquias icônicas como “Harry Potter”, “O Senhor dos Anéis” (versão de animação), “Friends” e um vasto catálogo de filmes clássicos. Isso pode significar mais exclusividades para os assinantes da Netflix, mas também pode reduzir a disponibilidade desses títulos em outras plataformas, limitando a escolha do público.
### 2. Preços e pacotes
Com menos concorrência, há o risco de aumentos de preço. Hoje, a disputa entre serviços de streaming mantém os valores relativamente competitivos. Um único player dominante poderia ter mais liberdade para subir mensalidades sem medo de perder usuários para concorrentes.
### 3. Inovação
A competição costuma ser um motor de inovação. Quando a Netflix lançou o algoritmo de recomendações, a indústria inteira tentou melhorar. Se a empresa se tornar quase que “a única” opção, a pressão para inovar pode diminuir.
## Como funciona a investigação?
Segundo o *Wall Street Journal*, o DOJ enviou intimações a outras empresas do setor para coletar informações sobre práticas da Netflix que poderiam “consolidar poder de mercado”. Em outras palavras, o órgão quer entender se a Netflix já tem comportamentos que, somados à compra da Warner, poderiam criar barreiras à entrada de novos players.
A investigação também olha para fusões passadas entre estúdios e distribuidores, analisando como essas combinações afetaram a disputa por talentos criativos. Isso é importante porque, além de conteúdo, o mercado de streaming depende de quem escreve, dirige e produz as obras. Se uma única empresa controla a maior parte dos talentos, o cenário criativo pode ficar menos diversificado.
## O que a Netflix está dizendo?
O advogado da Netflix, Steven Sunshine, afirmou que a empresa vê a revisão do DOJ como um procedimento padrão. “Não recebemos nenhum aviso nem vimos qualquer outro indício de que o órgão esteja conduzindo uma investigação separada de monopolização”, disse ele ao jornal. Essa postura costuma ser comum em grandes negócios: as empresas costumam argumentar que a revisão é rotineira e que não há nada de suspeito.
## A proposta de compra: o que mudou?
Em janeiro, a Netflix ajustou a oferta, passando a pagar tudo em dinheiro – US$ 27,75 por ação da Warner – e abandonando a parte em ações da própria Netflix. Essa mudança tem dois efeitos claros:
* **Segurança para os acionistas da Warner** – eles recebem um valor fixo, sem depender da valorização das ações da Netflix.
* **Barreira maior para concorrentes** – ao oferecer pagamento integral em dinheiro, a Netflix demonstra que tem recursos suficientes e que não precisará de apoio acionário que poderia abrir brechas para outras negociações.
## O que pode acontecer a seguir?
### Cenário A: Aprovação total
Se o DOJ concluir que a fusão não viola as regras antitruste, ou se a Netflix concordar em fazer concessões (como vender parte dos ativos ou garantir acesso aberto a certos conteúdos), a compra pode ser aprovada. Nesse caso, a Netflix se tornaria a maior plataforma de streaming do mundo, com um catálogo quase incomparável.
### Cenário B: Bloqueio ou condições rigorosas
O órgão pode bloquear a operação ou impor condições – por exemplo, exigir que a Netflix mantenha alguns títulos da Warner disponíveis em outras plataformas por um período. Essa decisão poderia atrasar ou até inviabilizar o negócio.
### Cenário C: Desistência da Netflix
Se o processo regulatório se tornar muito custoso ou demorado, a Netflix pode decidir recuar. Isso já aconteceu em outros casos de grandes fusões, onde o tempo e o dinheiro investido na defesa legal superam os benefícios esperados.
## O que isso significa para nós, consumidores brasileiros?
Mesmo que a negociação se dê nos EUA, o impacto pode chegar até aqui. A Netflix é uma das principais opções de streaming no Brasil, e a Warner tem presença forte através da HBO Max (agora integrada ao Disney+ em alguns pacotes). Se a fusão for aprovada, podemos ver:
* **Maior concentração de conteúdo** em um único serviço, o que pode simplificar a escolha para quem prefere pagar só por uma assinatura.
* **Possível aumento de preços** a médio prazo, caso a concorrência diminua.
* **Mudanças nos acordos de licenciamento** – alguns títulos que hoje vemos na GloboPlay ou na Amazon podem mudar de plataforma.
É importante ficar atento às notícias e, se possível, apoiar políticas que incentivem a competição saudável. Afinal, a diversidade de opções é o que garante que o conteúdo continue evoluindo e atendendo a diferentes gostos.
## Um olhar para o futuro do streaming
O mercado de streaming ainda está em fase de crescimento. Nos últimos cinco anos, vimos a explosão de serviços, a entrada de grandes players de mídia tradicional e a criação de conteúdos cada vez mais sofisticados. A questão que se coloca agora é: até onde a consolidação pode ir antes de prejudicar o ecossistema?
* **Novas tecnologias** – com a realidade virtual e o metaverso ganhando espaço, plataformas que dominam o conteúdo podem ter vantagem competitiva ao integrar essas experiências.
* **Regulação global** – embora a investigação seja americana, outros países podem seguir o exemplo e criar regras mais rígidas para fusões de mídia.
* **Consumidor como força** – a preferência do público por diversidade e preço justo pode pressionar empresas a manterem a competição.
Em resumo, a investigação do DOJ é um sinal de que as autoridades estão atentas ao risco de concentração excessiva. Para nós, a mensagem é clara: acompanhar esses movimentos nos ajuda a entender melhor o que esperar das nossas contas de streaming nos próximos anos.
—
**Quer ficar por dentro das novidades do mundo do entretenimento?** Inscreva-se no nosso newsletter e receba análises detalhadas diretamente na sua caixa de entrada.
—



