Radar Fiscal

Chevrolet Captiva EV: O SUV elétrico que chegou para mudar o jogo no Brasil

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Chevrolet Captiva EV: O SUV elétrico que chegou para mudar o jogo no Brasil

Quando a Chevrolet anunciou o retorno da Captiva, eu já imaginava um modelo parecido com o que eu dirigia nos anos 2010. Mas o que apareceu nas ruas de Campos do Jordão (SP) foi bem diferente: um SUV 100% elétrico, nascido na China, com tecnologia de ponta e um preço que deixa o concorrente chinês BYD Yuan Plus bem atrás.



Por que a Captiva voltou agora?

A indústria automobilística está passando por uma revolução silenciosa. Os carros elétricos chineses têm invadido o mercado brasileiro com preços competitivos e autonomia razoável. A GM, que já tem o Spark EUV como resposta, decidiu lançar a nova Captiva para colocar uma “pulga atrás da orelha” nos compradores do BYD. O objetivo é claro: oferecer um SUV elétrico que combine espaço, tecnologia e um custo de propriedade mais baixo.



Design que mistura Oriente e Ocidente

O visual da Captiva EV tem a cara dos carros chineses: iluminação diurna (DRL) marcante, faróis posicionados mais abaixo e lanternas estreitas. O capô, sem entrada de ar, reforça a natureza elétrica do modelo. Ainda assim, a Chevrolet manteve detalhes familiares, como o logo em uma peça plástica que lembra a grade de um carro a combustão. Essa combinação cria um equilíbrio entre o design “exótico” e a identidade da marca.

Interior minimalista e super tecnológico

Dentro do carro, a diferença é ainda maior. A central multimídia de 15,6 polegadas domina o painel, reduzindo ao mínimo os botões físicos. Essa tela, maior que a de muitos notebooks, traz um visual de gamer, mas funciona bem: resposta ao toque instantânea, câmera de 360° que cria um efeito “planeta” e qualidade de imagem comparável a smartphones premium.

O acabamento também surpreende. Pouco plástico rígido, superfícies macias em diferentes texturas, detalhes que imitam metal e madeira. Até o Equinox a combustão, que custa quase R$ 92 mil a mais, não oferece o mesmo nível de conforto tátil.



Dimensões que dão espaço sem parecer um ônibus

Em comparação com a Captiva de 2010, a nova versão ganhou quase 27 cm de comprimento e 10 cm de entre-eixos. O porta-malas subiu de 383 para 403 litros, e o espaço interno comporta cinco passageiros com conforto. Ela ainda é três centímetros mais curta que o Jeep Commander, mas oferece sensação de interior mais amplo graças ao motor elétrico que ocupa menos espaço.

Desempenho e autonomia para o dia a dia

A Captiva EV atinge 150 km/h e faz 0 a 100 km/h em 9,9 segundos. Não é um carro esportivo, mas entrega conforto em alta velocidade. A autonomia declarada é de 304 km com carga completa, o que coloca o modelo quase no mesmo patamar do BYD Yuan Plus, mas com preço 35 mil reais mais baixo (R$ 199.990 contra R$ 235.990).

Quanto custa recarregar?

O custo de energia para percorrer 100 km é bem menor que o de um carro a combustão. Se a tarifa residencial média for R$ 0,80/kWh e a bateria da Captiva tiver cerca de 60 kWh, o gasto fica em torno de R$ 48 por carga completa, permitindo até 5 viagens de 100 km por mês sem pesar no bolso.

Rede de recarga no Brasil: ainda um desafio

Apesar da boa autonomia, a infraestrutura ainda é concentrada nas capitais. São Paulo tem mais de 2 mil pontos, enquanto cidades como Campinas (SP) concentram apenas 1% de todos os eletropostos. Quem mora fora desses centros precisa planejar bem as viagens ou instalar um carregador doméstico.

Para quem a Captiva EV faz sentido?

O público-alvo mudou. Não é mais o jovem solteiro que busca um carro barato; agora a proposta é para famílias que precisam de espaço, valorizam tecnologia e já têm alguma experiência com veículos elétricos. Se você tem filhos, viaja com frequência e tem acesso a um ponto de recarga próximo, a Captiva pode ser a escolha ideal.

Prós e contras resumidos

  • Prós: preço competitivo, boa autonomia, interior tecnológico, amplo espaço interno, direção leve e suspensão firme.
  • Contras: rede de recarga ainda limitada fora das capitais, autonomia inferior a alguns concorrentes de maior preço, design ainda muito influenciado por tendências chinesas.

O que esperar do futuro?

A Chevrolet já sinalizou que pode usar a arquitetura Ultium para melhorar a autonomia em futuras versões. Se a empresa conseguir equilibrar preço, autonomia e ampliar a rede de recarga, a Captiva EV pode se tornar referência no segmento de SUVs médios elétricos no Brasil.

Em resumo, a nova Captiva chega como uma opção realista para quem quer um SUV elétrico sem pagar o preço de um BMW ou Mercedes. Ela combina o melhor da engenharia chinesa com a tradição da Chevrolet no país, oferecendo um pacote que pode mudar a forma como vemos os SUVs no Brasil.