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Safra da uva atrasa no sudoeste de SP: O que isso significa para nós, consumidores e produtores

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Safra da uva atrasa no sudoeste de SP: O que isso significa para nós, consumidores e produtores

Se você costuma comprar uvas frescas no mercado ou já provou um suco de uva bem geladinho, talvez não tenha pensado muito sobre o caminho que a fruta faz até chegar à sua mesa. Recentemente, a TV TEM mostrou que a safra da uva está atrasada no sudoeste de São Paulo, e isso tem gerado preocupação entre os produtores locais. Mas, afinal, o que esse atraso implica para quem trabalha no campo e para quem consome a fruta?



Um clima inesperado que bagunça o calendário da colheita

Em regiões como São Miguel Arcanjo, a colheita da uva costuma seguir um cronograma bem definido: plantio, crescimento, maturação e, finalmente, a colheita, que costuma terminar antes do inverno rigoroso. Este ano, porém, o frio chegou antes do esperado, baixando a temperatura e atrasando o desenvolvimento dos cachos. Como explica o produtor Roney Gonçalves, que cultiva as variedades Núbia, Itália, Benitaka e Brasil, “não pode ter muita chuva, não pode ter muito frio, não pode ter muito sol, porque pode acabar queimando a uva na fase da acidez”.



Como o atraso afeta a qualidade e o tamanho das uvas

Quando o clima não colabora, o impacto vai além do calendário. As uvas que amadurecem em temperaturas mais baixas tendem a desenvolver menos açúcar e mais acidez, o que altera o sabor. Além disso, o calibre dos frutos fica irregular – alguns cachos ficam menores, outros maiores – e isso dificulta a padronização exigida pelos mercados. Valdir Xisto, que tem sete hectares de parreirais, conta que os cachos precisam ser protegidos com saquinhos para garantir qualidade, mas mesmo assim o preço que ele consegue por quilo, R$ 8,00 para a variedade Itália, está abaixo do ideal.



O que isso significa para o consumidor?

Para quem compra uvas no supermercado, o atraso pode se traduzir em duas coisas: menos opções de variedades e, possivelmente, preços mais altos. As uvas de mesa, como a Itália, são as preferidas para consumo direto, enquanto as chamadas “uvas finas” são destinadas à produção de sucos e vinhos. Quando a safra atrasa, os produtores podem precisar comprar frutas de outras regiões ou até importar, o que eleva o custo final. Além disso, a qualidade pode variar – você pode encontrar uvas menores ou menos doces do que o habitual.

Impactos na cadeia produtiva: do campo ao copo

Rafael Denardi, que já terminou a colheita em seu sítio de cinco hectares, direciona a produção para a fábrica de suco de uva e, nas variedades mais tardias, para o vinho. Isso mostra como a cadeia está interligada: um atraso no campo pode atrasar a produção de suco e, consequentemente, o abastecimento nas prateleiras. Para os pequenos produtores, a dependência de fábricas locais pode ser um alívio, pois garante um comprador garantido, mas também pode limitar a margem de lucro se o preço pago pela fábrica for baixo.

Estratégias dos produtores para driblar o clima incerto

  • Proteção física: uso de saquinhos e telas para proteger os cachos de chuvas excessivas e radiação solar.
  • Seleção de variedades: apostar em cultivares mais resistentes ao frio ou que amadureçam em períodos diferentes.
  • Manejo de irrigação: ajustar a quantidade de água para evitar estresse hídrico que pode comprometer a acidez.
  • Planejamento de mercado: negociar contratos antecipados com indústrias de suco e vinho para garantir preço mínimo.

O que o futuro pode reservar?

Com as mudanças climáticas cada vez mais presentes, episódios como esse podem se tornar mais frequentes. Produtores do sudoeste de São Paulo já estão pensando em adaptar seus plantios, talvez investindo em tecnologias de monitoramento climático ou até mudando a localização dos vinhedos para áreas menos vulneráveis ao frio intenso.

Para nós, consumidores, a lição é simples: valorizar a produção local, entender que o preço da fruta na prateleira tem uma história por trás – que inclui o suor dos agricultores, as variações climáticas e as decisões de mercado. Quando vemos uma uva de qualidade, estamos reconhecendo todo esse esforço.

E você, já parou para pensar de onde vem a fruta que compra? Na próxima visita ao mercado, dê uma olhada na procedência da uva e, se possível, prefira produtores que investem em práticas sustentáveis e que enfrentam desafios como o clima imprevisível. Assim, ajudamos a manter a produção local viva e saudável.